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Unicap-Icam oferece cursos com certificação válida no Brasil e França

Publicado em: 11/09/2020 08:29 | Atualizado em: 11/09/2020 10:50

Projeto utiliza metodologia baseada na prática de resolução de problemas, que requer papel decisivo do aluno (Foto: Tarciso Augusto/DP)
Projeto utiliza metodologia baseada na prática de resolução de problemas, que requer papel decisivo do aluno (Foto: Tarciso Augusto/DP)


O mais novo curso da Unicap-Icam International School - parceria da Universidade Católica de Pernambuco com o Institut Catholique d’Arts et Métiers (Icam), o de Engenharia da Complexidade, graduação inédita no país, além das duas especializações em Tecnologias do Design e Gestão de Megaempreendimentos, se adaptaram à nova realidade, com modelo híbrido de aulas, e apresentam metodologia que estimula o aluno a construir o próprio conhecimento. O objetivo final é a formação internacional diferenciada e com diploma que é válido no exterior.

“É possível perceber que tudo mudou nos últimos 30 anos. O celular não é o mesmo, o carro não é o mesmo, mas a sala de aula continuava com a mesma abordagem. Por isso, a Unicap, em parceria com o Icam, apostou nesta renovação dos currículos e se aproxima ainda mais do setor produtivo. A universidade vem sendo o local natural para desenvolver e testar esses novos processos”, analisa o professor Fernando Nogueira, coordenador do curso de Engenharia da Complexidade.

Os cursos adotaram a metodologia de ensino ativa, baseada na prática de resolução de problemas (PBL, do inglês Problem Based Learning), que requer do aluno papel decisivo na sua formação. “Complexus quer dizer 'o que é tecido em conjunto', então a ideia é que o engenheiro perceba que a ação dele é função da soma de vários conhecimentos. O aluno vai desenvolver a visão complexa, aprender a olhar os processos e os sistemas como um todo”, explica o professor. “Sou completamente entusiasta dessa metodologia, pois ela reformula as práticas e os alunos são confrontados com situações reais onde precisam entender, formular perguntas e fazer testes para encontrar as possíveis soluções”, completa.

Para a aluna da graduação de Engenharia da Complexidade na Unicap, Ana Cláudia Lobo, de 18 anos, a escolha do curso foi uma forma de abraçar as diversas oportunidades. “Estou super satisfeita! Estudamos várias áreas da engenharia e aprendemos como elas estão interligadas. Trabalha-se sempre em conjunto e para desenvolver múltiplas competências. A gente sai com um diferencial de quem aprendeu na prática como atuar no mercado”, explica. Para a estudante, o curso se mostrou uma forma de se destacar ao construir uma carreira inédita no país e ainda fazer uma ponte para quem tem interesse em morar e trabalhar em outro país. “É um curso intenso que exige muito. Mas quanto mais a gente se instiga, mas se dedica, trabalhando com problemas reais. Além do inglês, já estou aprendendo uma noção de francês, pois pretendo ir para a França no próximo ano e, se der certo, vou esticar mais um ano na África”, completa.

Sintonia
O curso acontece simultaneamente no Brasil, França, Índia, Camarões, República do Congo e República Democrática do Congo. Os alunos têm encontros regulares online, chamados de Capitalização, onde fazem apresentação dos PBLs. A atividade é realizada em inglês e permite a troca de experiências entre os alunos do Icam de todo o mundo. “A gente já conhece e conversa sempre com alunos estrangeiros em grupos no WhatsApp e no Instagram”, conta Ana Cláudia.  A partir do terceiro ano, os alunos pernambucanos vão poder cursar um ano em alguma das universidades parceiras no exterior, com aulas em língua estrangeira (inglês). Os centros de ensino envolvidos no programa estão localizados na França (Lille, Paris Sénart, Nantes, Bretagne, Vendée e Toulouse), Índia (Chennai), Camarões (Douala), República Democrática do Congo (Kinshasa) e na República do Congo (Pointe Noire).

Aos poucos, as aulas estão retornando às atividades práticas e presenciais, com exigência de rígido protocolo de convivência, com turmas separadas em grupos de quatro a cinco alunos e um professor para não criar aglomeração, além de seguir todas as recomendações sanitárias e de distanciamento.

Números

5 anos de duração do curso de Engenharia da Complexidade

100 alunos matriculados no Recife, França, África e Índia

52 escolas de engenharia parceiras do International Association of Jesuit Engineering Schools (IAJES)

220 empresas no portfólio da Unicap-Icam

Métodos ativos também na pós

Além da graduação, a Unicap-Icam International School disponibiliza dois cursos de pós-graduação que utiliza a mesma metodologia ativa. A primeira turma de Tecnologias do Design vem sendo um sucesso. Segundo a aluna Letícia Falcão, que trabalha como coordenadora de produção e projetos na Fab Lab Recife, a proposta do curso se encaixou perfeitamente na sua área de atuação.

“Senti que precisava me apropriar daquilo que já venho fazendo dentro de um laboratório de fabricação digital e na gestão de projetos de inovação e tecnologia. A parceria com a instituição internacional foi um chamariz, por ser de língua francesa, que eu já estudo e tenho uma paixão. Além do atrativo de poder fazer um intercâmbio no final da pós em qualquer instituição do Icam, que é uma referência”, explica. “O curso tem uma premissa de atividades práticas e a gente coloca a mão na massa.

Na disciplina de marcenaria e prototipagem, cada grupo construiu um artefato em tamanho real. Na imersão, concebemos o produto desde o projeto digital até a materialização. E o resultado foi fantástico”, conta. O grupo criou o “Banco Giro”, móvel funcional que pode ser instalado em hall de entrada e saída para comportar objetos pessoais.

Entrevista: Olivier du Bourblanc // Vice-presidente de Desenvolvimento Internacional do Icam

Olivier du Bourblanc destaca interação entre diferentes países (Foto: Tarciso Augusto/DP)
Olivier du Bourblanc destaca interação entre diferentes países (Foto: Tarciso Augusto/DP)
 O que foi preciso adaptar para as aulas continuarem durante o período da quarentena?
Todos os materiais de aprendizagem foram desenvolvidos na França. Para facilitar esse deslocamento, boa parte do conteúdo e materiais já estavam armazenados em ferramentas de trabalho digital. Portanto, o início da pandemia não foi um choque tão grande. Os primeiros meses do curso aconteceram com aulas presenciais no Pavilhão e eles se acostumaram com a maneira de trabalhar juntos. Então, na quarentena, a mudança do presencial para o digital foi feita de uma maneira muito coletiva. Foi difícil com certeza, mas continuamos com a mesma dinâmica no ambiente virtual. Os alunos não estavam sozinhos, havia sempre muita troca online. O que foi muito bom para todos.

O que são as capitalizações e como elas acontecem?
É uma atividade recorrente do curso, onde uma vez por semana cada grupo de estudante recebe um problema e deve apresentá-lo aos outros colegas. Vivenciamos encontros emocionantes de estudantes do Recife com alunos na França e África através do Google Meet. É uma sessão de compartilhamento de resultados em inglês, onde eles apresentam como resolver o problema e quais foram as competências utilizadas na teoria e as dificuldades encontradas. É algo muito estimulante para eles.

Que balanço você faz deste primeiro ano do projeto?
O curso é muito inovador, então vem sendo um grande desafio apresentar a visão e proposta para os novos alunos. Estamos muito felizes com a aceitação por parte dos nossos estudantes da graduação e pós-graduação, que vêm desempenhando um bom trabalho e colhendo bons resultados nessa adaptação à nova metodologia. Não se trata de um curso clássico, as disciplinas não são unicamente teóricas. Ele terá contato com muitos domínios e vai focar na interação de todas as competências.

Quais os benefícios da graduação de Engenharia da Complexidade?
Acho que a primeira coisa a ser levada em conta é a possibilidade de se formar um engenheiro generalista, aquele que não tem apenas uma especialidade. Vejo como um benefício para um jovem de 17 a 19 anos que percebe suas habilidades com matemática, mecânica, eletricidade, física, química e até computação. Também se trata de um curso internacional, onde ele será estimulado a trabalhar com alunos de várias partes do mundo e terá aulas em inglês. Os dois primeiros anos são na língua do país. A partir do terceiro ano, todas as aulas são em língua estrangeira (inglês).

Como o mercado de trabalho vai absorver esses profissionais?
Acredito que o estudante que passa pela graduação de Engenharia da Complexidade desenvolve competências generalistas e vai poder assumir papel de chefia em grandes projetos que podem envolver todo e qualquer setor da engenharia de inovação. São trabalhos onde é preciso ter conhecimento em várias especialidades. Na França, temos um grupo de empresas em parceria com o Icam, muitas delas que atuam no Brasil, e têm interesse de receber novos engenheiros que tiveram uma formação dupla com validade no Brasil e na França.

Com a pandemia, como ficará o calendário do curso?
O curso é exatamente o mesmo na França, África e Brasil. São cinco anos de graduação em horário integral. Ao final, esses estudantes recebem título de graduação no Brasil e de engenheiro master, que vale para qualquer país na Europa. Os primeiros estudantes franceses e africanos viriam ao Recife agora em setembro, mas não foi possível. Estamos estimando que possam chegar em fevereiro. Se tudo der certo, os alunos do Recife já estarão aptos para viajar e estudar em outra instituição a partir de setembro de 2021.
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