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Treze de Maio: animais do minizoológico têm rotina longe dos visitantes
Publicado: 07/06/2020 às 15:10
/Foto: Bruna Costa/Esp.DP
O barulho das crianças e a caminhada de adultos e idosos cessaram no Parque Treze de Maio, assim como em outras áreas de lazer de Pernambuco, fechadas por meio de decreto do governo do estado desde o dia 3 de abril. Se nos outros espaços públicos não ficaram testemunhas do vazio, no único parque da área central da capital pernambucana, os animais do minizoológico do Treze de Maio, bairro da Boa Vista, experimentam um cenário bem diferente do que viviam antes da pandemia da Covid-19.
Sem os visitantes, os animais vivem longe dos olhares humanos. Os 13 macacos que vivem no parque, porém, demonstram sentir falta das pessoas. “Eles estão mais quietos. Gostavam de interagir com as crianças e adultos que passavam por lá diariamente. Esticam as mãos, tentam pegar os alimentos que as pessoas oferecem, mas que nós repreendíamos”, diz a veterinária responsável, desde 1984, pelos cuidados dos animais do parque, Rosanna Espíndola.
A rotina alimentar e de limpeza das jaulas dos bichos não mudou. “A principal mudança que percebemos é que está mais tranquilo para os trabalhadores fazerem a higienização desses espaços. A dieta e o acompanhamento deles, porém, continuam os mesmos”, afirma o diretor-executivo de Paisagismo da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) José Carlos Vidal.
Por volta das 7h, começam os trabalhos com os animais com dois tratadores. Eles são os únicos que têm acesso à parte interna das jaulas. São responsáveis pelos cuidados com os macacos, araras, papagaios, coelhos, patos, gansos, maritaca, pavão e seriema. “As aves não foram soltas, mesmo neste per íodo em que não há visitantes, porque nãopodemos correr o risco de elas não voltarem. Além disso, os animais estão no Centro da cidade e podem ficar expostos a perigos”, esclarece Vidal.
Pesquisadora dos espaços públicos do Recife, a coordenadora do Laboratório da Paisagem do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Rita Sá, pontua que o Treze de Maio é o primeiro parque urbano do Recife. “No século 17, no período holandês, Maurício de Nassau construiu o primeiro par- que do Brasil, o Parque do Palácio de Friburgo (onde hoje é a Praça da República), com diferentes espécies de animais, então a cidade tem esse histórico de parque com animais, que não encontramos nos centros urbanos de outros locais”, destaca.
Ana Rita ressalta ainda que, neste período de distanciamento social por causa da pandemia do novo coronavírus, o espaço público também mudou e passou a ser virtual. “Não temos o espaço físico neste momento. A cidade mudou de comportamento e vimos alguns animais voltando a ocupar essas áreas, como as capivaras nas margens do Capibaribe. Estamos vendo coisas que não víamos antes. Vemos uma modificação na fauna, que parece reivindicar esses espaços”, afirma.
Sobre uma possível reintegração dos animais do parque à natureza, o Diario procurou o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que, em 2017, recomendou município que os animais fossem encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres, para reabilitação e soltura na natureza. O MPPE, que está em esquema de teletrabalho e por causa da recente troca de promotor na Promotoria de Meio Ambiente do Recife, não pôde atualizar as informações sobre as recomendações do órgão em relação ao minizoológico.
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