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CASO MIGUEL

Pela memória de Miguel, ato estende faixa no Capibaribe e critica racismo estrutural

Publicado em: 09/06/2020 16:47 | Atualizado em: 09/06/2020 18:35

Em barcos, manifestares estenderam faixa e pediram justiça (Tarciso Augusto/Esp. DP Foto)
Em barcos, manifestares estenderam faixa e pediram justiça (Tarciso Augusto/Esp. DP Foto)
Uma semana depois da morte do menino Miguel Otávio, de cinco anos, ao cair do nono andar do edifício Píer Maurício de Nassau, parte do condomínio de luxo conhecido como Tores Gêmeas, no bairro de São José, zona central do Recife, um ato de manifestação foi realizado nesta tarde, no Rio Capibaribe, em frente ao prédio. Em barcos, o Coletivo Pão e Tinta estendeu, voltada ao edifício, uma faixa com os dizeres “O RACISMO explora e mata pessoas negras de muitas formas. #JustiçaParaMiguel”.

Em dois barcos, saindo do Píer do Ciclista, ao lado do edifício, a faixa foi estendida às 13h50 desta terça-feira e teve mais de uma hora de exibição no Capibaribe. Apesar do rio e da manifestação estarem “escondidas” de quem passava na rua, o alvo do protesto, dessa vez, era mais direto, como explicou o coordenador do coletivo, Pedro Stillo.

“A gente quer mandar um recado para quem mora nas Torres Gêmeas, para que elas vejam da varanda de casa, falar de racismo estrutural. É preciso que as pessoas brancas e privilegiadas também reflitam sobre como ele funciona na prática. O debate racial não é uma questão apenas dos negros. Mas de responsabilidade dos brancos e privilegiados também”.

Para os manifestantes, a queda de Miguel não pode ser resumida a um acidente, sendo um retrato do racismo estrutural e enraizado, como explica Stillo.

“O racismo estrutural não é só de um indivíduo para outro, ele é social. Mirtes (Renata de Souza, mãe de Miguel) era uma trabalhadora doméstica, não é um serviço essencial na quarentena, mas ela permanecia indo ao trabalho. Mirtes não teve direito a home office, não teve creche para colocar o filho, mesmo contaminada de Covid-19. Mirtes prestava um serviço particular e era remunerada com dinheiro público, como agora se sabe”.

Stillo ainda completou. “A Sarí Gaspar (Côrte Real, dona do apartamento) pagou fiança e foi liberada no mesmo dia, se fosse o contrário, certamente isso não teria tido o mesmo tratamento. Isso é um caso que tem vários elementos de racismo estrutural e é aí, exatamente, que a gente quer trazer esse debate”.

Esse não foi o primeiro ato após a morte de Miguel. Na última sexta-feira (5), manifestantes se reuniram no Cais de Santa Rita, em frente às Torres Gêmeas, e pediram justiça. Na oportunidade, co-organizada pelo Coletivo Pão e Tinta, desde familiares da criança a desconhecidos foram à rua, cobrar uma solução para o caso. No próprio edifício, inclusive, moradores estenderam uma faixa preta com os dizeres “justiça por Miguel”, que ainda persiste na fachada do Píer Maurício de Nassau.
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