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Subnotificação explica ausência de casos confirmados da Covid-19 em Salgadinho

Publicado: 05/05/2020 às 08:37

/Foto: Secretaria Municipal de Saúde/divulgação

/Foto: Secretaria Municipal de Saúde/divulgação

Salgadinho, no Agreste, fica a 116 quilômetros do Recife. É um município pequeno, conhecido pela tranquilidade e com pouco mais de dez mil habitantes. Na manhã da segunda-feira (4), o cemitério municipal recebeu um caixão, cuidadosamente lacrado, guardando o corpo de um homem de 36 anos, suspeito de morrer com a Covid-19. A morte aconteceu no Recife, onde o jovem morava. Mas a família, natural de Salgadinho, optou por fazer o sepultamento no município de origem. Uma prática comum entre moradores do interior do estado. Não houve velório e muito menos acompanhantes da família no sepultamento.

Em meio à pandemia da Covid-19 que se alastra por Pernambuco, Salgadinho, até o último boletim, de 29 de abril, no entanto, não registrou confirmação oficial de casos da doença. O que não significa dizer que o coronavírus não aportou na região. A subnotificação pode ser a explicação para a ausência de confirmação da doença.

Por enquanto, o município tem um caso em investigação, 19 em isolamento domiciliar, sete liberados do isolamento e um descartado. O secretário municipal de saúde, o enfermeiro José Dionísio da Silva, diz que as pessoas apresentam sintomas da doença, mas estão sendo orientadas a ficar em casa porque não apresentam quadro grave. “Recebemos do estado 20 testes rápidos e vamos aplicar no pessoal de saúde, que são mais de cem pessoas. Com recursos próprios, compramos mais testes para aplicar em toda a equipe. Não temos recursos para comprar para toda a população. Após esses primeiros testes, faremos somente em pacientes com quadro grave.”

O secretário explicou que as pessoas com sintomas da Covid-19 podem ser atendidas em uma das três unidades básicas ou na Unidade Mista Maria Amélia, que atende 24 horas. “As pessoas são orientadas a observar os sintomas ao longo de sete dias. Se o quadro evoluir, o paciente deve voltar à unidade de saúde. Por enquanto, não precisamos atender a ninguém grave e nem mandar para o Recife.”

Além da falta de testes, Salgadinho enfrenta outra carência no atendimento aos pacientes da Covid-19. Não tem respirador e, na maior unidade, a Maria Amélia, somente há uma enfermaria e quatro leitos, mas não para internamento. “Com a pandemia, vamos inaugurar um centro de retaguarda para atender ao pessoal que volta do internamento da doença no Recife. Serão três enfermarias e seis leitos. Estamos esperando as camas.” O serviço será inaugurado no lugar onde seria um centro de reabilitação. Por enquanto, a ideia foi adiada.

No caso de paciente grave, a secretaria municipal aciona a central de regulação de leitos do estado. Os doentes podem ser levados para Limoeiro, Caruaru ou Recife, por exemplo. “Estamos preocupados porque já soubemos que a situação no Recife não está fácil, com filas já”, disse o secretário.

Assim como em todo país, em Salgadinho as pessoas formam fila para sacar os R$ 600 de ajuda do Governo Federal e favorecem aglomeração. “Distribuímos máscaras na fila e orientamos as pessoas a ficarem distantes. Também fazemos a higienização dos locais com mais pessoas, como a lotérica e as unidades de saúde”, acrescentou o secretário.



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