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Fernando de Noronha, primeiro 'lockdown' do país, é exemplo na contenção da Covid-19

Publicado em: 07/05/2020 09:00 | Atualizado em: 07/05/2020 10:10

De 28 casos confirmados, 25 pacientes já foram recuperados, totalizando uma taxa de 89%de recuperação.  (Foto: Daniel Filho/Divulgação)
De 28 casos confirmados, 25 pacientes já foram recuperados, totalizando uma taxa de 89%de recuperação. (Foto: Daniel Filho/Divulgação)
Enquanto vários estados do Brasil, inclusive Pernambuco, discutem a possibilidade do lockdown, desde o dia 20 de abril Fernando de Noronha foi o primeiro lugar do país a decretar o fechamento total. A medida, tomada em conjunto com várias outras, já gerou resultados na crise do novo coronavírus na ilha: de 28 casos confirmados, 25 pacientes já foram recuperados, restando ainda três, e firmando uma taxa de 89% de recuperação – uma grande discrepância com relação aos 56,7% da média nacional. Com a ajuda do isolamento natural – Fernando de Noronha é uma ilha localizada a 545 km da capital pernambucana –, uma série de medidas “duras” foram tomadas no lugar, que já teve uma das maiores taxas proporcionais de contaminação do país.
 
Fernando de Noronha tem 3,3 mil habitantes e tinha registrado cerca de 26 pacientes infectados no dia 18 de abril. No dia anterior, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) determinou que a Administração de Fernando de Noronha, junto com as polícias Civil e Militar, retirasse urgentemente moradores irregulares da ilha para conter a contaminação. A taxa de início assustou, uma vez que proporcionalmente era maior que qualquer município do país e dando indícios de uma péssima progressão de contaminações, além das dificuldades de logística e atendimento na ilha.
 
Mas a reação foi quase imediata, tornando a ilha um exemplo na contenção do vírus. No mesmo momento que teve o número confirmado de 26 pacientes, chegaram um total de 32 PMs e quatro policiais civis para reforçar a segurança. No dia 20 de abril, Fernando de Noronha teve o lockdown decretado pelo estado, sendo o primeiro local do país a adotar o fechamento. Depois do decreto, só pessoas com autorização podiam circular na Ilha. Também foi montado um hospital de campanha, no auditório da escola do arquipélago, que ficou pronto no tempo recorde de 27 dias. Segundo a própria administração da ilha, o vírus conseguiu ser freado de tal maneira que o hospital de campanha não chegou a ser usado.

Hoje, já em situação bem melhor, Noronha teve o lockdown prorrogado até o domingo e, além dos dois que haviam sido confirmados, o único caso suspeito foi descartado ontem. Para circular já se faz necessário apenas um formulário preenchido, com 24 horas de antecedência, justificando a razão da saída, com intuito da administração ter o controle das atividades das pessoas na ilha e, possivelmente, identificar onde e quando aconteceram as contaminações. O formulário, disponível via link enviado por SMS, depois de preenchido é enviado para a administração que acompanha o f luxo das pessoas. Se abordado por alguma autoridade policial, o morador deve apresentar o formulário preenchido.

Já o aeroporto, responsável por trazer 100 mil turistas em 2018, por exemplo, se tornou uma preocupação para a administração. O governo do estado proibiu o turismo desde o dia 21 de março e a entrada de moradores desde o dia 5 de abril. Grande parte dos pacientes trabalha ou tem parentes no aeroporto, e o primeiro caso veio justamente de lá, de um funcionário do aeroporto no dia 24 de março. O funcionário Luiz Carlos Andrade, de 48 anos, também foi a primeira pessoa a ser curada na ilha.

O administrador do Distrito, Guilherme Rocha, comentou a eficácia das ações. “As medidas rígidas vêm dando resultado e mostrando queeranecessário realmente para que conseguisse superar o vírus. Essa semana nós iniciamos o debate sobre como será, em um futuro, a reabertura da ilha. Tanto para os moradores que estão fora ou para o turismo que não está próximo, mas já começamos a planejar como será essa reabertura controlada”, revelou o administrador. O caso de Noronha passará também por um estudo, que impactará na retomada das atividades na ilha. “Estamos iniciando uma pesquisa essa semana onde vamos testar mais 900 pessoas e determinar se o vírus parou de circular de fato. Fernando de Noronha já está sendo citado como exemplo em diversos debates ao redor do Brasil. Mas é preciso entender que o jogo não acabou ainda: é preciso continuar no nosso isolamento social”, disse Guilherme. Entre as medidas tomadas para ajudar as famílias residentes, que se depararam com a paralisação do turismo, principal fonte de renda do local, houve a entrega de cestas para quase 700 famílias de um total de 2 mil, adquiridas pela administração em parceria com a Ceasa, além das doações do continente. O vale-gás teve 830 pessoas cadastradas para receber o benefício de R$ 200 por mês para comprar o botijão, água mineral e outros itens essenciais.

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