° / °

Vida Urbana
Covid-19

Um dia depois de grande aglomeração em banco, Bezerros tem baixo movimento nas ruas

Publicado: 23/04/2020 às 18:04

Um dia depois de tumulto, fila da Caixa de Bezerros estava ordenada./Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP.

Um dia depois de tumulto, fila da Caixa de Bezerros estava ordenada./Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP.

Um dia depois de tumulto, fila da Caixa de Bezerros estava ordenada.
Bezerros, no Agreste de Pernambuco, está parada. O Diario visitou a cidade nesta quinta-feira (23) e encontrou um cenário diferente do dia anterior, quando viralizou nas redes sociais imagens de grande aglomeração na Caixa Econômica Federal do centro do município, localizado a cerca de 105 quilômetros do Recife. A população está evitando sair às ruas, por causa da pandemia do novo coronavírus. As filas dos bancos e casas lotéricas estavam ordenadas, os comércios não essenciais fechados e os restaurantes funcionando em sistema de delivery. A exceção ficou para o serviço de mototáxi, que segue operando informalmente.

A própria sede da Caixa, localizada na Rua Coronel Pereira, tinha fiscalização de um guarda civil municipal. Duas filas se formavam no local: à esquerda, para quem tinha cartão do bolsa família, à direita, para quem não tinha - e ambas ordenadas, respeitando distância razoável. Em conversa com alguns guardas e comerciantes da rua, o tumulto dessa quarta (22) aconteceu por causa do feriado de Tiradentes e da chegada de clientes de outras cidades vizinhas, como Sairé.

A poucos passos da Caixa, a lotérica da cidade também estava com grande fila - que respeitava distanciamento mínimo. Por lá, estava Maria Inês da Silva, de 44 anos, ex-atendente de banca de jogo e atualmente desempregada por causa da pandemia e aguardava o pagamento de seu Bolsa Família. “A gente se tornou prisioneiros de um mal que não sabe quando termina. Só Deus para socorrer a gente numa situação dessas”, relata.

Na visão de Inês, as pessoas estão respeitando as recomendações sanitárias na cidade por medo. “Se não houvesse esse medo de morrer, acho que as pessoas nem estariam se importando. O ser humano está assustado. Bezerros é um lugar parado, se uma coisa dessas agravar aqui, a gente sabe que vai morrer muita gente”, completa.

Nas praças Duque de Caxias e Narciso Lima, também no centro, a única aglomeração vista era de pombos. Até mesmo estabelecimentos essenciais, como mercados, farmácias e outras lojas de alimentos não tinham grandes movimentos. Apesar de proibidos, os mototáxis continuavam funcionando, mesmo com fiscalização da Guarda Civil, que nada pode fazer porque os motociclistas não circulam com bata de identificação do serviço de transportes. 

Para o lutador de jiu-jitsu José Adriano, 36, o controle total da cidade não há como ser feito se ninguém colaborar. “Não tem como conter 200, 300 pessoas com três fiscais. A prefeitura ajuda, mas se a pessoa não ter consciência, vai estar colocando a vida dela e dos outros em risco. Há uma cegueira interna de conscientização pessoal, porque está sendo amplamente divulgado e as pessoas fazem ouvido de mercador”, critica.

Com menos gente que a capital, Bezerros virou refúgio de quem precisa ficar em quarentena, como o cardiologista José Bolivar, 43. Casado com uma médica que está na linha de frente, no Recife, José veio com os filhos pequenos passar um tempo no interior. “Eu tenho uma doença autoimune e estou afastado, fazendo trabalhos mais burocráticos. Como meus filhos estão aqui com meu sogro e minha sogra, fico vindo para cá. Mudou totalmente minha rotina”, explica.
Na Praça Duque de Caxias, no Centro, a única aglomeração era de pombos.
Hospital de campanha em maio
Até essa quarta-feira (22), Bezerros contabilizava dois casos do novo coronavírus. A cidade só conta com duas unidades médicas: o hospital privado Hospital Jesus Pequenino, que tem convênio com o SUS, e a Unidade Mista São José. O hospital conta com dez leitos de UTI do SUS; a unidade mista com quatro leitos de isolamento - ambos de uso geral, e não dedicados exclusivamente à Covid-19.

Não é recomendável que um caso seja tratado na cidade - o ideal é que seja transferido para o Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Apesar disso, a Prefeitura de Bezerros afirma que “está montando o hospital de campanha que vai funcionar com 30 leitos de isolamento, especificamente para pacientes de Covid-19, até o início de maio estará em funcionamento”.

Em nota, o município elenca ações de enfrentamento à pandemia, como a criação de um espaço para abrigar pessoas em situação de rua, com 30 colchões disponíveis e três refeições ao dia; trabalho de desinfecção de praças, locais públicos, portas de bancos e calçadas; barreira sanitária no acesso à Serra Negra, principal ponto turístico da cidade; e distribuição de merenda para alunos da rede estadual. 

“Por meio da equipe de Vigilância Sanitária, estamos promovendo visita de agentes de saúde nas feiras livres distribuindo máscaras e disponibilizando álcool em gel. Esse trabalho também é feito nas filas dos bancos e correspondentes bancários, junto com a Guarda Municipal que auxilia no distanciamento”, discorre a prefeitura, em nota.
Mais de Vida Urbana