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Coronavírus

Sodeca levanta falhas de abastecimento de água no sítio histórico para enfrentar pandemia

Publicado em: 27/03/2020 15:34

Imóveis do sítio histórico têm pouca capacidade de armazenamento. (Foto: Tarciso Augusto/esp.DP)
Imóveis do sítio histórico têm pouca capacidade de armazenamento. (Foto: Tarciso Augusto/esp.DP)
A Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca) está fazendo um levantamento junto aos moradores do sítio histórico de Olinda para conhecer os pontos críticos de abastecimento de água na região e pedir providências à prefeitura e à Compesa. Com a chegada da Covid-19, a preocupação com a chegada da água potável aos imóveis está ainda maior. Moradores reclamam da baixa frequência de abastecimento, da pouca pressão e, ainda, da qualidade das informações do calendário disponíveis no site da Compesa. Além disso, por conta das características dos imóveis antigos, os moradores têm pouca capacidade de armazenamento do produto.

“Os moradores vêm sofrendo com a falta de abastecimento há alguns meses e, agora, com a chegada do coronavírus, a gente está preocupado. Estamos fazendo um monitoramento para saber onde está faltando água e por quanto tempo. Ontem e hoje, por exemplo, chegou água em algumas ruas, mas faltou chegar em outras. Para a maioria, a água somente chega uma vez por semana. Além disso, o calendário da Compesa nem sempre bate com a chegada do líquido”, explica Natan Nigro, da Sodeca.

Segundo Natan, 90% dos imóveis não têm cisterna, portanto, têm pouca capacidade de acumular o produto. O território apertado também implica em casas com caixas d’água pequenas, de 500 litros, por exemplo. “Muitas casas são alugadas e os moradores precisam investir em reformas para melhorar essa condição. Muitos proprietários não se interessam no investimento”, explica Natan.

A produtora audiovisual Patrícia Mitidiero, 49 anos, tem uma caixa d’água com capacidade para 500 litros. Divide a casa, no Carmo, com uma mãe idosa e duas crianças. “A água chegou no final de semana inteiro. Mas de que adianta se não tenho capacidade para acumular? O resultado é que na terça-feira já estava sem água e tive que comprar R$ 50 de água mineral para não ficar sem o produto. Minha mãe é pessoa em risco para a doença. O certo era ter um pouco de água todos os dias.”

Patrícia também se queixa do calendário disponibilizado no site da Compesa. A produtora costuma consultar o serviço toda semana, mas o problema é que a informação nunca se aplica à realidade, diz. “No calendário avisa que vem hoje e amanhã, mas a gente nunca sabe. Às vezes, lavo roupa de madrugada para aproveitar a água. Já na semana passada, chegou dia sim, dia não.”

A professora Bruna Nunes, 31, divide a casa, no Varadouro, com uma irmã que tem doença crônica. “O calendário nunca é obedecido. O dia certo para chegar, segundo o calendário, é na quarta e na quinta, mas às vezes chega de sexta para o sábado. Ligo reclamando e dizem que tá tudo normal. Como sei que isso acontece sempre aqui, tenho uma cisterna de 4 mil litros para me prevenir.”

Gabriel diz que água somente chega uma vez por semana e por poucas horas. (Foto: Tarciso Augusto/esp.DP)
Gabriel diz que água somente chega uma vez por semana e por poucas horas. (Foto: Tarciso Augusto/esp.DP)


Segundo a Sodeca, o bairro do Varadouro, assim como Amparo e Bonfim, registram falta de água toda semana. “Aqui só chega água uma vez por semana e por poucas horas. No meu caso, era para ter chegado na quinta, mas chegou na madrugada de sexta”, disse Gabriel Rego, 38, produtor audiovisual e morador do Amaro Branco.  “Quando falta água aqui em casa é porque já sabemos que passamos uma semana sem abastecimento.”

Para a Sodeca, parte da solução seria liberar o produto com mais pressão para que chegue às caixas d'água e aumentar o tempo de água disponibilizada. O Alto do Serapião, por exemplo, na parte mais alta do bairro, os moradores contam que se abastecem, há anos, carregando baldes porque na região não chega água.

Segundo nota enviada pela Compesa, o ciclo de abastecimento no sítio histórico obedece a uma agenda de um dia com água para quatro dias sem. A companhia disse que está fazendo ajustes operacionais para identificar e melhorar a distribuição. “Por isso, nessa fase, é importante que os moradores avisem à Compesa pelos canais formais de atendimento quando a água não chegar na data prevista para que as equipes sejam enviadas ao local para os ajustes necessários. A Compesa lembra, ainda, que o abastecimento pode ser comprometido quando há necessidade de realização de serviços de manutenção emergencial, a exemplo de conserto de vazamentos e equipamentos”, diz a nota.

Quanto ao Alto do Serapião, a localidade, diz a Compesa, foi beneficiada com obras do Programa Olinda+Água, que visa melhoria no abastecimento de 15 bairros da cidade. “Uma nova rede foi implantada e, a partir de maio, serão iniciados os trabalhos para redução de perdas (controle da água produzida e distribuída, para que todos os moradores recebam água de forma igual).”

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