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Procura por hidroxicloroquina afeta tratamento de quem faz uso da medicação

Publicado em: 30/03/2020 12:05

Apontada como possível tratamento contra o Covid-19, hidroxicloroquina sumiu das farmácias. (Foto: Marcelo Casal/Agencia Brasil.)
Apontada como possível tratamento contra o Covid-19, hidroxicloroquina sumiu das farmácias. (Foto: Marcelo Casal/Agencia Brasil.)
A hidroxicloroquina, substância usada no tratamento da malária desde os anos 1930, e que, posteriormente, passou a ser aplicada também contra doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus, começou a sumir das farmácias depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou que a droga era eficiente no tratamento do coromavírus. O discurso foi reforçado pelo presidente Jair Bolsonaro, que apareceu com a medicação em um vídeo postado nas suas redes sociais oficiais. Estudos realizados nos EUA, França e China apontam que o remédio tem potencial para conter a multiplicação do vírus, mas ainda não se conhecem os efeitos no quadro clínico dos pacientes.

Como poucas pessoas com Covid-19 – cerca de 20 – foram testadas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não recomenda o uso para o tratamento, até que seja concluída a fase de comprovações. Para evitar a falta a quem realmente precisa, a Anvisa decidiu exigir que as empresas que fabricam o remédio peçam aval da Agência para exportação dos produtos - na prática, todos os pedidos serão negados. Além disso, será reforçada a solicitação de receita médica para a compra.

O Diario foi a farmácias das redes Permanente, Pernambucanas, Pague Menos e Drogasil, no Recife, e não encontrou o remédio. Os estoques acabaram em um dia e quem não conseguiu comprar colocou o nome em uma lista de reserva. “A procura tem sido muito alta. Alguns clientes compram para estocar em casa ou ter um meio de prevenção, mas outras pessoas que procuram porque realmente precisam, não encontraram. Já saiu das prateleiras das drogarias comerciais e até das redes de farmácia”, comentou uma vendedora que preferiu não se identificar.

A venda do medicamento está autorizada pela Anvisa, mas para o tratamento de reumatismo, malária e lúpus. As drogas só podem ser compradas com indicação médica. A compra indevida tem dificultado o tratamento de quem já fazia uso por outras complicações. A empresária Flavia Poggi, de 47 anos, tem uma doença respiratória que ainda não foi diagnosticada e faz uso contínuo da hidroxicloroquina. Ela mora no bairro da Jaqueira e já foi a todas as farmácias da Zona Norte, mas não encontrou o remédio. Por isso, usou as redes sociais para mobilizar amigos e parentes para encontrar ao menos mais uma caixa que garanta a continuidade do tratamento.

“Tenho apenas três comprimidos, isso significa apenas três dias para encontrar. Se eu não achar, eu fico com dor em todo o corpo e falta de ar. Com esses sintomas, terei que ir até um hospital. Mas eu não posso me expor porque sou do grupo de risco para o coronavírus”, conta. Por ser profissional autônoma, Flavia se preocupa em ter que deixar de trabalhar para se proteger. “Eu já estou em casa porque não posso deixar de me medicar e ainda ficar exposta. Parar de trabalhar significa deixar de ganhar dinheiro. Meu desespero é duplo. Quem não tem a urgência e a indicação não deve se medicar porque prejudica quem realmente precisa”, lamenta.

A advogada Alanna Viana, 24, viajou mais de 200 quilômetros do Recife a Garanhuns, no Agreste, para comprar uma única caixa, com 15 comprimidos, para a mãe dela, que tem lupus. “Vamos entrar com uma ação junto ao Ministério Público de Pernambuco para que o governo garanta o acesso aos remédios a quem realmente precisa. Tivemos um custo além do normal para que minha mãe continue o tratamento porque se ela parar, fica com dores nas articulações e pressão alta”, conta.

“Esse aumento da procura está fazendo falta a quem precisa do uso contínuo da medicação. Então, quem não apresenta sintomas, ou nem foi ao médico ainda para ter um diagnóstico, não deve fazer uso de qualquer substância sem indicação médica. Estamos aguardando se o FDA (órgão governamental americano) irá definir se a hidroxicloroquina será utilizada como protocolo de tratamento oficial para o novo coronavírus, porque esta decisão serviria de parâmetro para outros países tomarem a mesma medida”, explica a farmacêutica Mariana Pedrosa.

Novas pesquisas são necessárias
Uma caixa custa entre R$ 65 e R$ 70 nas farmácias comuns e R$ 80 nos estabelecimentos de manipulação. Ainda que seja caro, o remédio se tornou a única alternativa para pacientes de algumas doenças autoimunes. “Esse fármaco é usado há muitos anos, é seguro e aprovado pela Anvisa para uso em doenças autoimunes. Então, a hidroxicloroquina não é uma medicação para prevenção ao Covid-19. O estudo foi feito para o tratamento. Ainda são necessárias mais pesquisas, porque temos um único artigo como resultado de um estudo preliminar. Então, a substância precisa ser prescrita por um médico, apesar de não necessitar de retenção de receita, por não se tratar de medicamento controlado”, afirma a farmacêutica Mariana Pedrosa.

Segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia de Pernambuco (CRF-PE), Aldo César Passilongo, assim como qualquer outro remédio, o uso da hidroxicloroquina, sobretudo sem indicação, pode provocar efeitos colaterais. “A automedicação é um risco. E, nesse caso, existem efeitos adversos, como cólicas, náuseas, diarreia, diminuição do sistema hematológicos, deixando a pessoa susceptível a infecções, irritabilidade e dor de cabeça”, alerta, informando que o risco é ainda maior para idosos, diabéticos e cardíacos. “Já que a substância interage com outros medicamentos, pode diminuir a eficácia da insulina e induzir arritmias cardíacas”, diz.

Uma das justificativas dos pacientes que buscaram informações nas farmácias e distribuidoras foi que os lotes estariam sendo retidos pela Anvisa para serem entregues ao SUS, o que foi negado pelo Ministério da Saúde. Oórgão informou, através de nota, que não enviou comunicado a laboratórios solicitando retenção de medicamentos e que, até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus. Embora os dados sejam promissores, os estudos ainda são insuficientes.

“Em relação aos fármacos da classe terapêutica da cloroquina e a hidroxicloroquina, já disponibilizados no SUS, para tratamento de outras doenças, há estudos promissores em relação aos benef ícios do uso em pacientes com coronavírus. Contudo, ainda são inconclusivos. Cabe esclarecer que a Organização Mundial da Saúde irá promover estudo multicêntrico com alguns medicamentos possivelmente promissores. Em se comprovando benefícios de medicamentos desta classe terapêutica ou quaisquer outros, o Ministério da Saúde assegurará a disponibilização no país para todos os cidadãos que precisarem.”

A Anvisa publicou uma nota técnica a respeito do uso da substância. De acordo com o órgão, não há estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento do novo coronavírus. “Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19. Portanto, não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus”, declarou o órgão, acrescentando que a automedicação representa risco à saúde.

O que é

> O sulfato de hidroxicloroquina é uma molécula que foi desenvolvida para o tratamento da malária. Também tem sido usado há muitos anos para o tratamento de doenças autoimunes

> No Brasil, esse medicamento à base de Cloroquina é registrado com indicações para:

Malária;
Reumatismo e problemas de pele;
Inflamação crônica das articulações;
Artrite reumatoide juvenil em crianças;
Doença multissistêmica;
Lúpus eritematoso da pele;
Problemas de pele provocados ou agravadas pela luz solar.
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