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O amor nos tempos da pandemia da Covid-19

Publicado em: 23/03/2020 08:00 | Atualizado em: 21/03/2020 19:20

Danielle é médica e decidiu se afastar do namorado porque vai atuar com pacientes infectados (Foto: cortesia)
Danielle é médica e decidiu se afastar do namorado porque vai atuar com pacientes infectados (Foto: cortesia)
“Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lhe lembrava sempre o destino dos amores contrariados.” Assim começa a obra-prima O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Marquez, Prêmio Nobel de 1982. Em tempos de Covid-19, os casais de namorados têm enfrentado o dilema entre permanecerem juntos na quarentena, suspenderem os encontros por um tempo ainda indefinido ou se encontrarem munidos de cuidados que, na verdade, não garantem a não contaminação. Tudo ainda é muito novo para os especialistas em torno da aparição desse último coronavírus. Até mesmo quando falamos de amor.

Domingo foi o último encontro ao vivo dos estudantes universitários Otávio Araújo, 18, e Renata Queiroz, 18. Eles decidiram que vão manter a relação pelo WhatsApp enquanto durar a pandemia. A precaução tem um motivo maior. Renata mora com os avós, já idosos. “Acho que o mais importante agora é ser paciente e ter em mente que o isolamento é necessário pelo bem de todos. Eu e Otávio, por exemplo, somos jovens e certamente a doença não nos faria tanto mal quanto para uma pessoa idosa, o que nos torna também responsáveis por cuidar dessas pessoas que pertencem ao grupo de risco. Quando tudo isso passar, poderemos voltar à nossa rotina sem tanta preocupação. Aguentar mais uns dias sem se encontrar valerá a pena no final”, pontuou Renata.

Danielle Teti, 33, é médica e vai atuar na linha de frente no Hospital Dom Helder Câmara, referência para atendimento da Covid-19. Decidiu, então, afastar-se temporariamente do namorado, Ivan Junqueira, 29, que não trabalha na área de saúde. “No caso da gente é diferente porque estarei em contato direto com a doença e não quero expor ele. Também não vou encontrar com meus pais. Acho que seria egoísmo manter contato com ele. O ideal é separar mesmo. Mas no caso de pessoas casadas, não tem como separar. Aí o casal toma as precauções”, disse Danielle. A decisão não foi fácil. E ela tem sofrido com a possibilidade do afastamento.

Como médica, Danielle acredita que os casais de namorados podem continuar se encontrando caso não tenham sintomas da doença. Ela ressalta, no entanto, que o casal Otávio e Renata tomou a decisão adequada, já que ela vive com idosos e que há casos de pessoas com o vírus, mas assintomáticas. O mesmo cuidado deve ser tomado pelos casais quando vivem com outros grupos de risco, como os de pessoas com doenças crônicas. “Se os dois jovens estão saudáveis, podem marcar um encontro na casa de um ou do outro em um ambiente que esteja limpo e onde possam adotar as medidas de higiene. Até porque tem a questão da saúde mental também.”

O advogado Lucas Enock, 27, e a namorada, a universitária Érica Soares, 23, decidiram manter os encontros, mas longe de aglomeração ou mesmo na casa de ambos. “A Covid-19 vai mudar tudo porque no máximo eu vou para a casa dela e ela para a minha. Se a gente sair, vamos para lugares ao ar livre, sem proximidade com outras pessoas. Se a gente adoecer, nos afastaremos para não contaminar quem está em casa”, disse Lucas.

Em seu blog, o médico psiquiatra especialista em sexualidade Jairo Bouer disse que os cuidados entre os casais devem ser os mesmos tomados quando se está gripado. “Pense, você beijaria alguém que está muito resfriado ou gripado? Possivelmente não. Até porque quem está muito gripado dificilmente teria ânimo para sair beijando. Com o novo coronavírus não é diferente.”

Para Bouer, epidemias e pandemias anteriores revelam que o pânico, a histeria, o preconceito e a desinformação são inimigos piores que os vírus e bactérias. “Cada um tem que ter o bom senso de se cuidar, de proteger os outros membros da comunidade e de não atrapalhar o acesso ao tratamento de quem realmente poderá precisar. De resto, é seguir vivendo. Em poucos meses, a expectativa é que a pandemia esteja superada ou sob controle.”

TAGS: amor | pandemia |
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