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Sazonalidade

Chuvas e calor aumentam a população de borboletas em Pernambuco

Publicado em: 31/03/2020 06:00 | Atualizado em: 31/03/2020 18:32

 (Foto: Douglas Melo/Cortesia)
Foto: Douglas Melo/Cortesia
O período de distanciamento social tem gerado muitos relatos nas redes sociais sobre o aumento de borboletas no Recife e região metropolitana. Algumas pessoas chegaram a cogitar se o fenômeno pode estar relacionado a uma possível redução da poluição, supostamente desencadeada pela diminuição da circulação de carros e de outros agentes poluentes. Biólogos lamentam mas o observado aumento de borboletas nada tem a ver com a “quarentena”. Trata-se, na verdade, de uma situação sazonal, período de reprodução das borboletas, quando as chuvas de março, aliadas às altas temperaturas, se torna o momento ideal para a reprodução de lagartas e borboletas. A desaceleração da vida, porém, pode ter aguçado o olhar das pessoas para a natureza ao seu redor. 

“A chegada de chuva com o calor acelera o metabolismo das borboletas, que chegam colocar dezenas ou centenas de ovos de uma vez só nesta época. Além disso, neste período do ano há maior abundância de recurso alimentar, tanto para as lagartas, que se alimentam de folhas, quanto as borboletas, que se alimentam do néctar ou de frutas. Portanto, é normal e até esperado o aumento de borboletas no mês de março”, explicou o biólogo especialista em borboletas, Douglas Melo. 
 (Foto: Douglas Melo/Cortesia)
Foto: Douglas Melo/Cortesia

Embora existam em Pernambuco mais de 600 espécies de borboletas, a maioria das vistas nesta época do ano são da família Pieridae, em cores brancas e amarelas, e comumente encontradas em áreas abertas, como parques e jardins. Só na reserva de Dois Irmãos, na Zona Oeste do Recife, há mais de 280 espécies encontradas. “As borboletas se reproduzem em grande quantidade porque o ciclo de vida delas é muito rápido, cerca de duas a três semanas, a depender da espécie”, detalhou Douglas. 

O biólogo Marco Aurélio Oliveira, doutor em Entomologia, acredita que é cedo para dizer se houve influência da quarentena na reprodução desses animais. “Não acredito que em um tão curto espaço de tempo pudesse ter uma resposta tão grande e tão rápida da natureza. Eu acho muito cedo para dizer se uma possível redução da poluição possa influenciar na presença e no aumento das borboletas. É preciso investigar”, pontuou Oliveira. 
 (Foto: Douglas Melo/Cortesia)
Foto: Douglas Melo/Cortesia

No entanto, Douglas ressalta que apesar de não ser possível associar o aumento das borboletas com a quarentena, por falta de informações que comprovem tal fenômeno, "as borboletas é um grupo muito sensível, respondendo de forma rápida às mudanças no meio ambiente". "Por isso, elas são muito utilizadas como bioindicadores", ponderou o biólogo. 

Douglas Melo ressalta ainda que, se na Região Metropolitana do Recife já é notória essa presença das borboletas, no Sertão pernambucano é ainda mais visível. “A chuva traz uma renovação da vegetação e uma maior abundância das plantas hospedeiras. Em períodos de seca, praticamente as borboletas desaparecem. Então no Sertão, borboleta significa também a chegada da chuva e da abundância”, explica o biólogo.
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