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Suspeito de feminicídio manda mensagem para mãe da vítima: "nunca vou ter perdão"

Publicado em: 10/02/2020 11:23 | Atualizado em: 10/02/2020 16:51

 (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)
Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.

Raphael Cordeiro Lopes, de 32 anos, suspeito pelo feminicídio de Leandra Jennifer da Silva, 22, afirmou, em mensagem enviada à mãe da vítima, que não atirou na esposa e que aconteceu uma "fatalidade". Por whatsapp, o homem que está foragido, se comunicou com a família dela na manhã desta segunda-feira (10), quando ocorre o sepultamento do corpo, no Cemitério da Várzea.

"Dona Jane, eu estou destruído e acabado não sei o que fazer da minha vida. Eu amo Leandra mais do que tudo nesse mundo. Foi um acidente. Eu não atirei em Leandra, não. A senhora sabe o quanto éramos uma família, que vivíamos bem e felizes, ainda mais quando tivemos Bernardo", disse Raphael. "Sei o quanto estão me odiando e nunca vão acreditar em nada do que eu falar e estão em suas razões, pois perderam uma filha linda e maravilhosa, cheia de vida pela frente. Nunca levantei a mão para Leandra, nunca a fiz sofrer, sempre fiz o melhor que eu pude. Sei das consequências que vou encarar e nunca vou ter perdão de ninguém, mas foi um acidente, uma fatalidade que destruiu a vida de todos nós".

Procurado pela polícia, ele comenta com a sogra que o filho, Bernardo, de 1 ano, perdeu pai e mãe e pede que a criança seja criado pela avó a partir de agora. "Tá sendo muito doloroso tudo isso para todos. Eu estou pedindo muito a Deus que conforte o seu coração porque nesse momento Bernardo vai precisar muito da senhora, pois pele perdeu o pai e a mãe de uma só vez. Estou no fundo do poço, sem luz em minha vida. Só escuridão. A vida para mim não faz mais sentido algum. Mas a senhora tem André e Bernardo para criar. Por tudo que é mais sagrado nesse mundo, nunca deixe Bernardo ser infeliz. Sei que a senhora e Deco farão tudo por ele. Cuide de Bernardo como filho", disse.

Durante o enterro de Leandra, a mãe da jovem, Josiane Oliveira, apelou por justiça. “Ele me deu uma vida, meu neto, mas tirou outra de mim, tirou a minha filha. Eu não sei como vou conseguir viver, não. Ele tirou o direito dela de criar seus filhos", lamentou.

Sobre a relação do casal, ela comentou que recebeu relatos sobre violência doméstica.“Ele nunca me deu sinais de violência. Mas depois de que isso aconteceu, a vizinhança veio me contar que ele batia nela. Mas não foi por falta de amor de mãe não. Sempre ensinei  que ela não precisava disso, ensinei a trabalhar, desde pequenininha, mostrava que a gente não precisava de homem pra sobreviver", disse.

Para o pai da vítima, André Antônio da Silva, Raphael nunca inspirou confiança, além de ter uma relação problemática com armas. "Nunca gostei dele, era boçal e só falava de dinheiro”, comenta. “Fiquei sabendo que uma vez ela saiu sem ele e por ciúmes ele começou a atirar para cima, dentro de casa", lembra.

Entenda o caso
Após voltar do bloco carnavalesco De Bar em Bar, em Olinda, na madrugada de domingo (9), Raphael, que estava em um relacionamento com Leandra há três anos, teria engatado em uma briga por ciúmes. Leandra havia deixado seu filho com uma amiga para ir à festa com o seu marido. Por volta das 6h, Raphael teria aparecido na casa da moça que cuidou o bebê afirmando que “tinha feito uma besteira”.

De acordo com a amiga, Raphael brigou com a vítima na frente do filho, sacou uma arma e acertou “acidentalmente” em Leandra. A mulher ainda foi socorrida por um vizinho e a amiga, que tentaram a levar de carro até o Hospital Getúlio Vargas, mas a vítima não resistiu e morreu no caminho.

O Instituto de Criminalística (IC) foi até a residência onde houve o crime realizar perícia. De acordo com os peritos, dois disparos foram efetuados. Um tiro atingiu Leandra e uma outra bala ficou alojado na parede. Para a polícia, esse fato contradiz o argumento do suspeito, de que o tiro teria sido acidental. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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