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Caso Débora Dantas

Jovem escalpelada teria sido orientada por funcionária a listar pedidos

Publicado em: 17/01/2020 18:40 | Atualizado em: 17/01/2020 21:26

Débora mostrou conversas de WhatsApp com funcionária do Big à imprensa. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)
Débora mostrou conversas de WhatsApp com funcionária do Big à imprensa. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)
A estudante Débora Dantas, escalpelada em um kart instalado no estacionamento do Big Bompreço de Boa Viagem em agosto de 2019, explicou a lista de pedidos tornada pública pelo Grupo Big nesta sexta-feira (17). Ela não negou nenhum dos pontos, mas disse que foram escritos após uma funcionária do RH da rede varejista pedir para a jovem de 19 anos listar o que ela queria para “voltar a ter uma vida normal”, durante uma conversa informal no hospital de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. 

“É como se você chegasse em uma mesa para conversar com um amigo e dissesse ‘e aí, o que é que você quer?’. Eu não sou advogada, fiquei sem saber o que dizer. Estava em São Paulo, tinha acabado de sair do hospital, uma sensação de euforia e ao mesmo tempo de dificuldade, e me vi nessa situação”, alegou Débora, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta em um hotel da Zona Sul do Recife.

Sobre a ida para os Estados Unidos, ela esclareceu que originalmente o tratamento seria por lá. Só que, como não tinha passaporte em mãos, optou ir para Ribeirão Preto, diante da urgência de iniciar os procedimentos necessários. “Em nenhum momento eu disse que não queria me tratar (no Brasil), até porque eu não brincaria com a minha vida. Só solicitei, caso fosse possível, como foi oferecido para mim”, explanou.

“Em tantos casos que já enfrentei em indenizações, me chamou a atenção que uma RH entre em negociação com uma vítima”, apontou o advogado de Débora, Eduardo Barbosa, sobre a lista de pedidos. “E em uma situação de uma jovem de 19 anos, aflita, nervosa, com o problema que ela teve, não sei o que a funcionária pretendia com essa conversa”. O advogado também explicou que o caso não foi judicializado até o momento e segue sendo resolvido nos bastidores, de forma direta.
"Não sei o que a funcionária pretendia com essa conversa" (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)
"Não sei o que a funcionária pretendia com essa conversa" (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)

Conversas
Em determinado momento, Débora expôs conversas de WhatsApp com a funcionária do RH do Big que cuidava do assunto. Pelo material apresentado, após a virada do ano, a funcionária passou a orientar a jovem a resolver o assunto com a área jurídica da empresa, e não mais de forma direta, como estava sendo tratado.

Débora deveria ter embarcado para Ribeirão Preto no último dia 6 de janeiro. Mas na data em questão, a funcionária informou para ela conversar com o seu advogado. Segundo a jovem, a continuidade da terapia teria sido condicionada à assinatura de um documento em que ela abriria mão de direitos indenizatórios. Ela só voltou a receber mensagens em 15 de janeiro, quando a funcionária pediu o envio de um novo cronograma médico para emitir passagens.

“Eu agora passo por uma situação que não vai se resolver em um ano, dois. É um acompanhamento para toda a vida. Porque tem risco de surgir câncer de pele, linfoma. Eu nasci sem problema nenhum de saúde e isso me foi arrancado, literalmente”, acrescentou. 

Na próxima semana, Débora embarca para Ribeirão Preto, onde se submeterá a uma lipoenxertia e sessão de laser para fortificar a pele de enxerto colocada em sua cabeça.

Procurado pela reportagem, o Grupo Big afirmou que mantém o mesmo posicionamento da nota divulgada pela manhã.
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