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Ibura

'Há 12 dias enterrei minha mãe. Agora enterrei meu filho', diz mãe de jovem morto em baile funk

Publicado em: 14/01/2020 14:25 | Atualizado em: 14/01/2020 17:13

William da Silva foi sepultado nesta terça-feira (14), em um cemitério de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)
William da Silva foi sepultado nesta terça-feira (14), em um cemitério de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)
Com aplausos, foi enterrado nesta terça-feira (14) o corpo de William da Silva. Recém-formado em mecânica, o jovem foi baleado na madrugada de domingo (12), em um baile de brega-funk no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. Há versões divergentes para o caso: familiares e amigos acusam a Polícia Militar (PM) de ter disparado tiros a esmo no baile; a PM rebate, rechaçando a acusação. “Quantas mães vão enterrar seus filhos? Não era um bandido, era um menino de família", discursou, em frente ao caixão, a mãe de William, Joyce Firmino da Silva, de 38 anos, antes do sepultamento no Memorial Vale da Saudade, em Igarassu, Região Metropolitana.

Em conversa com o Diario/AquiPE, Joyce relata o luto como “muito forte”. Copeira no Procape, em 1º de janeiro ela perdeu a mãe. Agora, dias depois, lida com o sofrimento de perder mais uma pessoa querida. “Era um menino bom, prestativo, estudioso, gostava de fazer amizade, falava com todo mundo. Tinha todo o futuro pela frente. E infelizmente, tudo foi interrompido”, desabafou.

Ela foi informada que tinha acontecido “um problema com o filho” no meio do expediente. “Estava trabalhando e me ligaram, por volta de umas 3h30, falando que o meu filho tinha tomado um tiro. Eu fui para casa, peguei os documentos dele e fui até a policlínica (Professor Arnaldo Marques, no Ibura). Achava que ele tinha tomado um tiro normal (de raspão), aí soube que ele tinha morrido”, recordou. 

William tinha 19 anos. (Foto: Facebook/Reprodução.)
William tinha 19 anos. (Foto: Facebook/Reprodução.)
O que as pessoas que estavam lá me passaram foi que a PM chegou logo com aquela confusão e todo mundo correu. A confusão acabou e o policial começou logo a dar tiros. E um desses tiros atingiu meu filho, que não estava no meio da briga. Estava, sim, na correria para sair do local, como todo mundo estava fazendo”, relatou Joyce.

“Os policiais viram meu filho no chão, não socorreram e tentavam atrapalhar a tentativa dos amigos (do William) de socorrer ele. Isso não se faz nem com animal. Policial é para defender, não para chegar atirando e tacando bomba nos lugares”, reclamou a mãe do rapaz, que tinha 19 anos e estava em busca de emprego desde novembro de 2019, quando concluiu o curso técnico de mecânico. 

Por fim, Joyce se diz estar emocionada e não sabe o que fazer ainda - se vai acionar a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) e/ou Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Por enquanto, só foi ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) tomar informações sobre a ocorrência. “Há 12 dias enterrei minha mãe. Agora enterrei meu filho”, finalizou.

Apuração
Em nota à imprensa, divulgada nessa segunda-feira (13), a PM rebateu as acusações de que o tiro que atingiu William da Silva saiu da arma de um dos agentes. “Além de prematura, é irresponsável qualquer suposição ou acusação de autoria do disparo ou omissão de socorro”, disse a instituição, que “recebeu denúncia de que estava havendo uma briga, possivelmente entre grupos rivais, no local. Foi feito o deslocamento, mas os policiais encontraram a vítima já baleada, dentro de um carro particular que lhe prestava socorro. A viatura fez o acompanhamento em apoio para agilizar a transferência do rapaz para a Policlínica do bairro, enquanto outros militares permaneceram no local do crime aguardando a chegada da Polícia Civil”. 

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informa que foi instaurado inquérito. As investigações estão sob responsabilidade do delegado Francisco Océlio, da 3ª Delegacia de Homicídios.
 
Já a Corregedoria da Secretaria Defesa Social (SDS) informou na tarde desta quarta-feira (14) que abriu investigação preliminar para apurar a morte do rapaz no baile de brega funk. "A Corregedoria Geral da SDS informa que abriu uma investigação preliminar para apurar os fatos ocorridos durante um baile funk na madrugada do último domingo, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. Em caso de elementos suficientes, a Corregedoria pode instaurar Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) ou sindicância", disse a nota.


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