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Em Pernambuco, detentos fazem provas do Enem nestas terça e quarta-feira
Publicado: 10/12/2019 às 19:57
Renato (nome fictício), 20 anos, quer cursar engenharia mecânica./Foto: Bruna Costa/Esp.DP.

Faltam quatro meses para Renato (nome fictício), 20 anos, deixar o Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, onde está há quase três anos. Ele é um dos 204 reeducandos da unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). Quando sair, em abril do próximo ano, pretende refazer a vida ingressando no ensino superior. O primeiro passo para cumprir as metas que traçou foi dado nessa terça-feira (10). Renato foi um dos 130 adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas em Pernambuco que fizeram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL). Além dos reeducandos da Funase, participaram da avaliação 1.162 detentos de 20 unidades prisionais do estado.
No primeiro dia de aplicação, foram realizadas as provas de ciências humanas; linguagens, além da redação, cujo tema foi "Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças". Nesta terça, exame teve cinco horas e meia de duração. Nesta quarta-feira (11), os participantes farão respondem às questões de matemática e ciências da natureza, com cinco horas de duração.
Renato espera ter um melhor desempenho no segundo dia de provas. "As questões do primeiro dia foram complicadas. Como gosto mais de matemática, espero me dar melhor amanhã. Em relação à redação, achei o tema difícil, mas consegui desenvolver o texto", disse o candidato que pretende cursar engenharia mecânica no ensino superior. Ele e outros 18 reeducandos da Funase fizeram o Enem PPL na tarde desta terça na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Luísa Guerra. A escola tem cinco turmas e 201 alunos, que estudam pela manhã ou à tarde.
A gestora do Case Cabo de Santo Agostinho, Tatiane Moraes, destaca que a realização do Enem PPL é uma chance de reinserir os reeducandos na sociedade. "Na escola, eles têm acesso a todas as disciplinas comuns à matriz curricular de uma escola convencional. Temos casos de jovens que saíram daqui e entraram no ensino superior. Incentivamos a participação no exame porque é uma forma muito positiva de reintegração à sociedade", ressaltou.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo Enem, 46.163 inscrições foram feitas em todo o Brasil, em 25 estados e no Distrito Federal. São Paulo foi o estado com o maior número de inscritos: 15.832 candidatos. As unidades que firmaram adesão com o Inep são obrigadas a garantir espaço para as provas, segurança e sigilo durante a realização do exame.
Os participantes do Enem PPL que já concluíram ou concluirão o ensino médio neste ano poderão utilizar o desempenho no exame para acesso à educação superior. Já os participantes que não estejam cursando ou não concluirão o ensino médio no ano letivo de 2019 só poderão utilizar os resultados individuais para autoavaliação de conhecimentos.
O responsável pedagógico de cada unidade prisional ou socioeducativa tem a função de acompanhar todos os trâmites do exame, desde a inscrição até o resultado. Ele também determina as salas de provas dos participantes; a transferência entre as unidades e faz a exclusão aqueles que tiverem a liberdade decretada. É também responsável pelo acesso aos resultados obtidos pelos participantes, além de fazer a inscrição e pleitear o acesso ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Cabe ao responsável ainda divulgar as informações sobre o exame aos participantes.
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