Vida Urbana
Tragédia
Deslizamento de barreira por estouro de cano da Compesa é um problema que se repete ano a ano
Publicado: 25/12/2019 às 08:45
Foto: Leandro de Santana/Esp. DP Foto./
Deslizamentos de barreiras provocados por falhas, explosões ou quebra na tubulação de drenagem e/ou fornecimento de água têm sido recorrentes na última década. Casos foram registrados em 2009, 2016, 2017, 2018 e 2019, sendo este último a maior tragédia em número de mortes associada a deslizamento de barreira por estouramento de cano nesse período. Nos três últimos anos, todos os casos dessa natureza foram registrados no bairro de Dois Unidos. Apesar disso, nesta-feira (24), a secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista, considerou "atípico" o deslizamento ocorrido na Rua Bela Vista, no Córrego do Morcego, bairro de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife. Segundo a gestora "não há histórico de ocorrências de acidentes deste porte, deste nível, em períodos que não são chuvosos, especialmente".
No entanto, em uma pesquisa mais acurada, dentro de um período de 10 anos, em cinco deles foram registrados desastres dessas natureza. Um dos episódios de maior repercussão aconteceu no Ibura, em 2009, quando cinco pessoas morreram e três ficaram feridas, após um cano da Compesa explodir, fazendo deslizar uma barreira. A Companhia Pernambucana de Saneamento chegou a ser condenada por esse acidente, mas desde então novos casos continuam acontecendo.
No entanto, em uma pesquisa mais acurada, dentro de um período de 10 anos, em cinco deles foram registrados desastres dessas natureza. Um dos episódios de maior repercussão aconteceu no Ibura, em 2009, quando cinco pessoas morreram e três ficaram feridas, após um cano da Compesa explodir, fazendo deslizar uma barreira. A Companhia Pernambucana de Saneamento chegou a ser condenada por esse acidente, mas desde então novos casos continuam acontecendo.
Em 2016, um desastre ocorreu na Rua Manjericão, no Córrego da Areia, no bairro de Nova Descoberta, Zona Norte do Recife. Uma barreira deslizou, atingindo três casas durante a madrugada do dia 27 de maio. Na época, a Defesa Civil informou que o desmoronamento foi provocado pelo estouro de uma tubulação de água que atravessava a encosta. O proprietário de um dos imóveis ficou ferido, mas não houve mortes porque na outra casa não havia moradores.
Na ocasião, a Compesa afirmou que a barreira estaria encharcada por causa de chuvas, o que poderia ter contribuído com o estouramento da tubulação e que as áreas de morros são as mais difíceis de abastecimento, entre outros motivos, pela topografia acidentada.
O outro caso de deslizamento de barreira provocado por estouramento foi registrado em junho de 2017, desta vez na Rua Córrego Leôncio Rodrigues, também no bairro de Dois Unidos. Duas pessoas, uma de 37 e outra de 14, morreram e três imóveis foram atingidos. O laudo técnico, na época, indicou como a causa principal a obstrução da tubulação de drenagem responsável por conduzir as águas das chuvas do alto da escadaria para uma canaleta com dissipador até a parte baixa da localidade. Um incêndio num terreno baldio teria provocado a obstrução na encanação, desviando as águas da chuva da canaleta até a encosta.
Em novembro de 2018, também no bairro de Dois Unidos, mais uma vez um cano da Compesa estourou, provocando deslizamento de terra na Rua Sempre Vida. Uma criança de quatro anos ficou ferida.
Sobre o acidente de ontem, a Compesa informou que mobilizou 50 técnicos, analisando o rompimento dos canos na encosta. “A companhia realiza monitoramento permanente do abastecimento na área, inclusive com contatos diretos com lideranças comunitárias. Nas últimas semanas não houve registro de vazamentos no local”, disse a nota. Perguntado se a tubulação de Dois Unidos não deveria ser mais próxima da superfície, para que fosse mais fácil a análise, o analista de saneamento da Compesa Aprígio Trajano respondeu: “As redes que ficam mais acima são as de distribuição. Essa rede de 100 milímetros que a gente tem [a que pode ter vazado] está numa localização que, realmente, é uma área de risco, e é monitorada. Se houvesse algum vazamento, as lideranças, a Defesa Civil, ou até mesmo a própria população teria aberto uma solicitação no nosso sistema”.
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