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Metrô do Recife: rede elétrica sob ataque

Publicado em: 17/11/2019 08:36 | Atualizado em: 17/11/2019 08:49

É como se a cada 10 dias ocorresse um novo furto de cabos nesse serviço de transporte público.  (Foto: Tarciso Augusto / Esp. DP Foto)
É como se a cada 10 dias ocorresse um novo furto de cabos nesse serviço de transporte público. (Foto: Tarciso Augusto / Esp. DP Foto)

Os roubos de cabos nas linhas do metrô do Recife se tornaram uma prática constante.  Nos últimos três anos, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) registrou 148 ocorrências do tipo. É como se a cada 10 dias ocorresse um novo furto de cabos nesse serviço de transporte público. Neste ano, a prática têm se intensificado e demandou a abertura de uma investigação por parte da Companhia e da Polícia Federal (PF) para tentar identificar um possível esquema de receptação do material no Recife. Os cabos mais visados são os de energia e do Sistema de Sinalização e Controle, que interferem diretamente na operação do metrô.

Uma das últimas ocorrências foi registrada na última quinta-feira, quando tentaram roubar cerca de 200 metros de fios. No início do mês, um morador de rua chegou a ser detido embaixo de uma plataforma de embarque quando esperava para realizar o furto. Ele confessou  que iria vender os cabos para comprar pedras de crack e foi levado à Polícia Federal para prestar mais esclarecimentos. O fato não é isolado. Em fevereiro deste ano, dois homens foram presos em flagrante. Eles estavam em cima do telhado da Estação Tejipió e se preparavam para levar os cabos de aterramento dentro de uma caixa. Em maio, um novo flagrante com dois detidos aconteceu, desta vez na Estação Recife.

Os furtos acontecem principalmente na Linha Centro, que tem 25 quilômetros de extensão e possui um sistema mais antigo. Nela, os cabos ficam embutidos embaixo das plataformas e dos trilhos. Na linha Sul, o sistema de sinalização é aéreo, o que dificulta a retirada do material e, em consequência, diminui o número de ocorrências. Os trechos onde são mais frequentes os roubos são entre as estações Recife-Joana Bezerra, Afogados-Ipiranga, Coqueiral-Cavaleiro e Engenho Velho-Jaboatão.

“Vez ou outra prendemos em flagrante uma pessoa que entra na linha. Elas atuam geralmente partindo aos poucos as canaletas, entre os intervalos de passagem dos trens, para depois fazer a retirada dos cabos. Só que o nosso serviço de inteligência, junto com a Polícia Federal, está atuando agora para tentar identificar o receptor, pois as pessoas estão tirando o material porque alguém quer comprar”, contou o porta-voz do metrô, Salvino Gomes.

O problema da supressão dos cabos é a interrupção do funcionamento regular do metrô. O sistema de sinalização opera a partir de uma lógica chamada Falha Segura, isto é, quando um cabo é retirado da via o sistema atua restringindo a velocidade dos trens e não permitindo a movimentação das máquinas de chave (aparelho de mudança de via). Com isso, impede-se um acidente entre dois trens. “Quando acontece o roubo, o sistema acusa uma ausência de código, indicando uma falha. Em seguida, o trem freia no meio da via. Depois, ele tem que sair com velocidade de manobra, reduzida, e segue assim até chegar no próximo circuito”, explica Salvino Gomes.

Segundo o porta-voz, o tempo entre a equipe de manutenção ser acionada, deslocar-se para as estações e realizar a reposição de fios pode demorar entre uma hora e meia e duas horas. Nesse intervalo, todos os trens que passarem pelo local sem cabos irão reduzir a velocidade média de até 60 quilômetros por hora para 10 quilômetros por hora. O fim do dia, isso irá significar uma menor quantidade de viagens realizadas. “Como os trechos onde ocorrem os roubos são mais longes e de difícil acesso, demora-se mais para fazer a reposição dos cabos. Calculamos que ao fim do dia tenhamos realizado cerca de 10 viagens a menos, o que representa cerca de 10% de lugares, 12 mil pessoas, a menos”, detalha Salvino Gomes.

Rotina de viagens interrompidas

O roubo de cabos é um problema que se soma a outros que enfrenta o metrô do Recife, causando uma série de transtornos para quem depende do ramal para se deslocar pela cidade. No fim do mês de agosto, uma tentativa de roubo de fios em Jaboatão associada a uma pane elétrica causada por vandalismo em Camaragibe deixou os 250 mil passageiros que dependem da Linha Centro nas mãos. Durante o horário de pico de uma terça-feira, para se ter uma ideia, 17 estações ficaram sem funcionar. Um mês antes, em julho, o serviço chegou a ficar quatro dias sem funcionar.
 (Foto: Tarciso Augusto / Esp. DP Foto.)
Foto: Tarciso Augusto / Esp. DP Foto.

A aposentada Maria José da Silva, 58 anos, lembra bem desses dias. “Ainda bem que eu não tinha médico marcado, fiquei em casa sem poder sair. Atrapalhou a minha rotina, que preferi não sair de ônibus, mas a de muitas outras pessoas também”, contou. Para o pedreiro Marcos Antônio, 55 anos, que precisa sair de casa para trabalhar, o transtorno é inevitável. “Geralmente vou de Cavaleiro para o centro do Recife de metrô. Quando ele deixa de funcionar, preciso de pegar ônibus e demoro muito mais tempo. É um atrapalho na vida do trabalhador”, conta.

O desgaste é compartilhado também pelo autônomo José Carlos Cavalcante, 30. “Ando de metrô em um trecho curto, de Coqueiral para a Mangueira. Normalmente, levo uns 10 minutos no máximo para chegar. Nos dias em que o metrô deixa de funcionar, o que é frequente, preciso ir de ônibus. Como tem engarrafamento e estão acontecendo obras em uma das avenidas, esse tempo aumenta para 40 a 45 minutos”, lamenta.

A CBTU estima que gastou, desde 2016, cerca de R$ 143 mil na reposição dos cabos roubados. Diante da situação, a CBTU está pedindo o apoio da população para identificar os criminosos. A Companhia espalhou cartazes solicitando a passageiros que, em caso de presenciar movimentos incomuns de pessoas dentro dos muros, nas plataformas ou nas linhas do, seja feita uma denúncia por meio do telefone: (81) 3455.4566.

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