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Segundo dia de operações

Vinte toneladas de óleo são recolhidas no litoral sul de Pernambuco

Publicado em: 18/10/2019 22:37

Foto: Tarciso Augusto/Esp. Dp foto 
 (Foto: Tarciso Augusto/Esp. Dp foto 
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Foto: Tarciso Augusto/Esp. Dp foto (Foto: Tarciso Augusto/Esp. Dp foto )
No segundo dia de operações para tentar minimizar os efeitos da chegada de petróleo no litoral de Pernambuco, foram recolhidas 20 toneladas de óleo na faixa de areia atingida e 600 litros em alto-mar, antes de chegar na orla. Na quinta-feira (17), equipes montadas pelo Governo do Estado haviam recolhido no mar 1,2 mil litros do mesmo material. Segundo a Secretaria estadual de Meio Ambiente, até agora seis praias pernambucanas foram atingidas. Carneiros, Boca da Barra e Mamucabinhas, em Tamandaré, além de Ilha de Santo Aleixo, Guaiamum e Praia de Aver o Mar, estas três últimas em Sirinhaém. Fragmentos de petróleo cru também tocaram os Rios Una e Persinunga, em São José da Coroa Grande, e Rio Formoso, no município de Rio Formoso, mas foram recolhidos antes que se espalhassem pelos estuários. 

Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, José Bertotti neste sábado (19) o monitoramento continua no litoral sul de Pernambuco. “Assim que o sol raiar, um helicóptero da Secretaria de Defesa Social (SDS) percorre o litoral para identificar quais os pontos sensíveis para que possamos agir. Também temos equipes mobilizadas nas praias de Maracaípe (Porto de Galinhas), em Mamucabinhas, em São José da Coroa Grande e nos estuários, para fazer vistorias e ver se existem novas manchas”, detalhou Bertotti. Uma mancha de aproximadamente um metro de diâmetro na foz do Rio Una, no município de São José da Coroa Grande, divisa com Alagoas.

O secretário de Meio Ambiente ainda ressaltou que existe risco das manchas de óleo chegarem às praias de Porto de Galinhas e da Região Metropolitana do Recife. “Elas estavam indo para o litoral de Sergipe e Bahia, mas foi identificada uma corrente marinha sul-equatorial que vem da África e se bifurca entre Pernambuco e Paraíba”, disse. No entanto, não há como prever nem onde, nem quando, nem com que frequência e intensidade o óleo chegará atingindo o litoral do estado. “Não temos o ponto de partida desse óleo. Se eu não tenho essa informação, não sei o ponto de chegada. O Governo Federal não identifica qual o ponto de origem do petróleo. E se ele identificasse, saberia como ele se movimenta pelas correntes”, retruca. 

Bertotti lembra que só quem pode monitorar o alto-mar é a Força Aérea. “O governador Paulo Câmara procurou o brigadeiro do comando aéreo e ele disse que não tinha autorização para monitorar o alto-mar. Então solicitamos por ofício ao comandante das forças aéreas para fazer o que já deveria ter sido feito, que é identificar e monitorar essas manchas, porque, pelo menos em tese, eu saberia quais os pontos ele atingiria. Não sabemos nem se o óleo vem do oceano ou do litoral, por isso é necessário esse trabalho permanente de monitoramento”, coloca Bertotti. 

Quando as equipes detectam qualquer mancha de óleo no mar, há uma mobilização para retirar o material do alto-mar antes que chegue à orla numa política de redução de danos. Esse arraste é feito com mantas de proteção, utilizadas ontem na Ilha de Santo Aleixo, e com redes de pesca. Ao todo, 300 técnicos estão envolvidos nesse trabalho. Além do helicóptero da SDS, ainda estão sendo usados no monitoramento um drone da Casa Civil, 30 viaturas do Governo do Estado, oito caminhões (sendo cinco de transporte militar e três de carga), três tratores, três barcos, um catamarã cedido por empresários, uma lancha cedida e um navio patrulha da marinha. 

Responsabilidade
Além da omissão na identificação e monitoramento do ponto de origem do petróleo cru, o Governo de Pernambuco acusa o Governo Federal do não cumprimento do Plano Nacional de Contingenciamento e da negativa em atender o estado na contenção do material poluente. Até agora, as barreiras de proteção para evitar a chegada do óleo têm sido implantadas através de parcerias, mas elas não estão sendo suficientes diante da demanda. 

“Desde a última terça-feira (15), o comandante da Marinha daqui do estado tem solicitado apoio do Governo Federal para receber mais barreiras de contenção, porque as que temos aqui já se esgotaram. Também já solicitei ao Ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles) e não recebi retorno. Diante disso, acionamos o Ministério Público Federal para que ajuizasse uma ação contra o Governo Federal para o cumprimento desse Plano de Contingência. Esse decreto de 2013 é muito claro sobre as responsabilidades de cada ente diante de um dano ambiental como esse”, afirmou o secretário estadual de Meio Ambiente, José Bertotti. 

Segundo ele, só no estuário de Rio Formoso, existe a necessidade urgente de 700 metros de barreira de contenção. “Hoje decidimos contratar essas barreiras, fizemos o orçamento e temos a autorização de Paulo Câmara. O MPF orientou que a conta será paga, em última instância, quando identificarem os culpados pelo derramamento de óleo”, disse Bertotti. 

A Agência estadual do Meio Ambiente (CPRH) também está identificando e relacionando todos os danos provocados e todas as informações por esse que já é considerado o maior acidente acidente da história de Pernambuco. Um auto de infração será lavrado pela CPRH. “Por enquanto ainda não temos como definir qual a extensão real desse ano”. disse.

Prevenção
Durante todo o dia de ontem, o Governo do estado tem trabalhado no sentido de diminuir o impacto do derramamento de óleo no litoral pernambucano. Na última quinta-feira, foi criada uma Sala de Situação no Palácio do Campo das Princesas para definir ações de prevenção. Uma delas é a implantação de barreiras de contenção através de parcerias com o Porto do Recife, Porto de Suape, Petrobrás e Transpetro. A Sala de Situação reúne representantes das Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, da Defesa Civil e da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que atuam no caso.

No Rio Sirinhaém, as barreiras já foram colocadas, assim como nos rios Persinunga, Una, Rio Formoso e Rio Maracaípe. “Sobre no Pontal de Maracaípe e no Rio Sirinhaém, o Governo do Estado está atua mais fortemente porque são áreas de maior sensibilidade marinha, estuários que funcionam como berçários”, declarou o secretário estadual de Meio Ambiente, José Bertotti. 

Segundo ele, todo o material coletado será tratado e descartado em aterro sanitário adequado. “Isso se trata de lixo contaminante e deve ser tratado como resíduo industrial”, colocou Bertotti. 

Banhos
Embora o Governo do Estado ainda não esteja trabalhando no monitoramento da qualidade da água do mar, a orientação é de que os banhos de mar só aconteçam se a praia estiver limpa. “Se alguém vir algum ponto com óleo, não deve entrar na água. Mas na medida que a área for limpa (como aconteceu ontem em Carneiros), a pessoa pode entrar no mar”, alertou Bertotti. 
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