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Sim à Vida

"Preservar a Terra é salvaguardar a vida das próximas gerações", diz dom Limacêdo em caminhada

Publicado em: 20/10/2019 19:35

Foto: Rosália Vasconcelos/DP Foto.
Com o objetivo de chamar a atenção para todas as formas de opressão à vida e à pessoa, a Arquidiocese de Olinda e Recife realizou na tarde deste domingo a 13ª edição da Caminhada Sim à Vida. O evento, que reuniu cerca de 50 mil pessoas, aconteceu na Avenida Boa Viagem, Zona Sul do Recife, saindo da altura do Edifício Castelinho, já próximo ao bairro de Setúbal, até o Segundo Jardim de Boa Viagem, perto do Pina. O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, não pôde comparecer pois foi acometido por uma conjuntivite. O bispo auxiliar, dom Limacêdo Antônio da Silva, foi o responsável por conduzir a Adoração ao Santíssimo Sacramento e dar a benção o Santíssimo aos fiéis que acompanharam a caminhada. O encerramento do louvor ficou a cargo do padre Damião Silva. 

Membros das 140 paróquias que compõem o território arquidiocesano, além de movimentos católicos, de comunidades, organizações não governamentais e religiosos participaram da caminhada. Um deles foi o Movimento de Mulheres Católicas, que tem entre seus a deputada estadual Terezinha Nunes. “Participo deste evento desde a primeira edição porque ele foi criado justamente para chamar a atenção para toda forma de injustiça que leva à morte, como tem acontecido com a perseguição aos negros e aos indígenas, e a todo tipo de violência. Isso aqui é um grito dos católicos a favor da vida”, disse Terezinha. 

Além dos cinco trios elétricos, grupos de religioso montaram uma grande cruz. No lugar de Jesus Cristo, havia um homem vestido de índio pregado à cruz para fazer um alerta sobre o massacre e a perseguição às comunidades indígenas. Outras pessoas carregavam cartazes com os dizeres “Sim à vida e não ao opressor”, “Combater a fome e suas causas” e “Defender os direitos dos trabalhadores”. Uma grande imagem de Dom Hélder Câmara também fez parte da caminhada. 

Como já era de se esperar, dom Limacêdo não se furtou de criticar o desastre ambiental que atinge o litoral nordestino desde o mês passado. “Estamos aqui na praia de Boa Viagem, neste lugar onde Deus nos chama a cuidar da natureza num momento tão difícil, onde estamos vendo o petróleo nas praias. É um sinal de morte para todos nós. Qual é a causa disso? O que leva a esse acontecimento? É natural? É alguma pessoa que transgrediu as leis? Isso nos preocupa muito. São sinais de que o pecado está no nosso coração. Precisamos reagir com diálogo, com testemunho de defesa à vida e de coerência à existência. Nós temos que ser não dominadores da natureza, mas cuidadores dela e de suas mais diversas formas de vida”, combateu Limacêdo.

Como é de costume, a realização do evento possui um viés solidário. A organização da 13ª caminhada Sim à Vida pediu a doação de alimentos não perecíveis, que será encaminhada à Fazenda Esperança de Jaboatão. Um veículo estava recebendo as doações no local. Além dos alimentos, foram vendidas camisas no valor de R$ 20, cujo dinheiro também será revertido para a Fazenda Esperança. “Esse acontecimento é uma forma de agradecer a Deus pelo dom da nossa existência, trabalhando para uma sociedade humanizada, que tenha justiça, educação e saúde”, disse o bispo auxiliar Dom Limacêdo.

A advogada Maria Helena de Siqueira Brito, 63 anos, participa pelo terceiro ano da Caminhada Sim à Vida. “Acho um evento importante de valorização da vida, que precisa ser preservada para fazer sentido. Não posso conhecer o Evangelho e praticar outra coisa que não seja pelo cuidado com toda forma de vida”, defendeu. A caminhada reuniu também muitas crianças, adolescentes grupos jovens, num movimento de renovação da Igreja Católica. 

“A nova geração tem uma grande sensibilidade, que gosta da amizade, da convivência familiar, de curtir a vida no bom sentido da palavra. Gostam de estar junto para sonhar uma sociedade onde todos tenham espaço, onde todos possam viver em paz porque estamos todos integrados a uma grande cadeia do bem. Por isso temos que trabalhar para diminuir o consumismo porque a Terra não vai suportar tudo isso que está acontecendo. Preservar a Terra é salvaguardar a vida das próximas gerações”, defendeu dom Limacêdo. 
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