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Polícia investiga furto de tubos de ferro da Ponte da Boa Vista

Publicado em: 16/10/2019 06:30 | Atualizado em: 15/10/2019 14:48

A história da Ponte da Boa Vista remete à época de expansão urbanística do Recife durante o domínio holandês. Foto: Leandro de Santana/Esp.DP.
Construída no período holandês e considerada a ponte mais original do Recife, a Ponte da Boa Vista tem sofrido furtos constantes dos tubos que formam a sua estrutura. Pelo menos 11 metros do ferro foram levados do local. Um suspeito de cometer o crime foi preso pela Polícia Civil de Pernambuco, que ainda investiga a possível participação de outros envolvidos. Enquanto isso, os pedestres que atravessam o elevado convivem com o medo e a insegurança.

A Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) esclareceu que fez um Boletim de Ocorrência online junto à Polícia Civil de Pernambuco, no dia 26 de setembro, sobre o furto dos 11 metros de tubo, feitos de latão e ferro fundido. "A Emlurb vai elaborar um orçamento para então programar as reposições e reparos necessários. Somente para recuperar monumentos, pontes e edificações públicas que sofreram ações de pichação e vandalismo, por exemplo, a Prefeitura do Recife chega a gastar aproximadamente R$ 2 milhões por ano. Por isso, a gestão municipal conta com o apoio da população na manutenção do bem público", respondeu.

A polícia está investigando o furto dos tubos de ferro. Foto: Leandro de Santana/Esp.DP.
A Polícia Civil de Pernambuco informou que, por meio da 1ª Delegacia Seccional - Santo Amaro, prendeu recentemente José Marcelo Sales de Souza por roubos praticados, em setembro, nas estações do BRT Riachuelo e Araripina. "Esse mesmo homem confessou o roubo de partes da estrutura da Ponte mencionada. A PCPE está investigando o envolvimento de outros envolvidos, mas só se pronunciará no momento oportuno para não atrapalhar as diligências", ressaltou.

História
Em 1640, Maurício de Nassau mandou construir uma ponte por onde os moradores pudessem atravessar o Rio Capibaribe. Foto: Leandro de Santana/Esp.DP.
A história da Ponte da Boa Vista remete à época de expansão urbanística do Recife durante o domínio holandês. Em 1640, Maurício de Nassau mandou construir uma ponte por onde os moradores pudessem atravessar o Rio Capibaribe, do continente para a ilha de Santo Antônio.

A ponte holandesa da Boa Vista, batizada assim por ligar o bairro da Boa Vista ao de Santo Antônio, ia da frente do Palácio da Boa Vista, onde hoje está o Convento do Carmo, até a altura correspondente ao local onde foi construída depois a Casa de Detenção, atual Casa da Cultura.

De acordo com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), essa primeira Ponte da Boa Vista resistiu por um século, "e poderia ter resistido mais, se o governador da província de Pernambuco, Henrique Luís Pereira Freire (1737-1746), não a tivesse destruído para construir uma outra em local diferente, nos meados do século 18".

Ponte da Boa Vista em outubro de 2019. Foto: Leandro de Santana/Esp.DP.
Em 1874, por ordem do então governador da província Henrique Pereira de Lucena, o futuro Barão de Lucena, foram iniciadas as obras de reconstrução da atual ponte da Boa Vista, dessa vez com projeto do engenheiro Francisco Pereira Passos, que lhe deu uma aparência mais moderna.

Segundo a Fundaj, "durante as décadas de 1940 e 1950, a ponte era um local importante na vida social da cidade. Pelas suas passarelas laterais desfilavam as últimas versões de vestidos, chapéus e maquiagens. Surgiram também os fotógrafos do 'retrato instantâneo', que ofereciam seus serviços e faziam ótimos negócios. Na época, as máquinas fotográficas ainda eram uma novidade".


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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