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Petróleo cru submerso dificulta monitoramento da Marinha

Publicado em: 22/10/2019 06:30 | Atualizado em: 21/10/2019 23:30

Em cinco dias, foram retiradas 257 toneladas de petróleo cru nas praias pernambucanas (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)
Em cinco dias, foram retiradas 257 toneladas de petróleo cru nas praias pernambucanas (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)
O petróleo cru no litoral do Nordeste vai continuar sendo problema por um bom tempo. Por mais que exista o monitoramento constante por parte da Marinha do Brasil e do Governo de Pernambuco, o trabalho fica mais difícil de ser feito quando se admite a possibilidade de existir placas com o material submersas. Na Praia do Paiva, que fica no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, voluntários que participaram do mutirão de limpeza tomaram um susto quando encerraram os trabalhos. Ao entrarem na água para se banhar, pisaram em óleo submerso, que não tinha sido detectado até então. 

“Essa poluição é um incidente que foge dos padrões. Infelizmente, não conseguimos visualizar uma mancha antes que toque a costa. Como esse óleo vem flutuando submerso, não há tanta facilidade”, admite o comandante Alvaristo Nagem Dair Júnior, coordenador do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) da Marinha para o desastre, montado em Salvador. Como o trabalho é na base da “tentativa e erro”, a colaboração da população é essencial. Caso alguém sinta ou detecte petróleo submerso no mar, deve informar à Marinha no telefone 185.

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“Temos monitoramento tanto com helicóptero quanto com um equipamento aéreo cedido pela Petrobras (chamado de Poseidon). Em situações de sorte, conseguimos detectar uma mancha e mandar para o local embarcações para verificarem se realmente é petróleo cru. Mas às vezes o material detectado é apenas lixo”, acrescenta. Até o momento, somente nas águas de Pernambuco que a Marinha conseguiu capturar mancha de petróleo em alto mar. 

"Às vezes o material detectado é apenas lixo", diz o comandante Alvaristo Nagem Dair Júnior, coordenador do Grupo de Acompanhamento e Avaliação da Marinha (Foto: Divulgação/Ascom MDR)
"Às vezes o material detectado é apenas lixo", diz o comandante Alvaristo Nagem Dair Júnior, coordenador do Grupo de Acompanhamento e Avaliação da Marinha (Foto: Divulgação/Ascom MDR)

Até essa segunda-feira (21), o órgão naval afirmava ter removido mais de 900 toneladas de petróleo cru no litoral do Nordeste. A expectativa do comandante Dair é que diminua a quantidade de aparições posteriormente. “De fato não sabemos quanto de óleo foi derramado na água, mas é uma tendência que estamos observando. Alguns locais voltaram a aparecer, mas são situações pontuais, que nos levam a crer - e torcer - para que essa incidência diminua”, pontua.

Raio-x de PE
De acordo com o Governo de Pernambuco, desde 17 de outubro, já foram foram recolhidas 257 toneladas de óleo nas praias do estado - sendo 186 delas entre o domingo (20) e a segunda. A maior preocupação do executivo estadual segue sendo no trabalho voluntário feito sem o Equipamento de Proteção Individual (EPI) o e a falta de boias de contenção. Os dois quilômetros de barreiras colocados em estuários de rios foram fruto de doações dos portos do Recife e de Suape. 

“Oficiamos novamente o Ministério do Meio Ambiente, pedindo boias e EPIs, que já estão começando a faltar no mercado pernambucano. Parte dos EPIs que distribuímos às Defesas Civis municipais, que repassam aos voluntários, são oriundos da solidariedade de empresários pernambucanos”, aponta o secretário estadual de Meio Ambiente, José Bertotti.

A boia de contenção colocou PE e a União em posições conflitantes. Enquanto o estado defende o uso do equipamento, o Ibama não vê eficiência nele. “Não vamos entrar em uma briga técnica com o Ibama, mas as bóias são importantes. Em Maracaípe, no domingo de manhã toda a praia amanheceu com óleo, menos o pontal que tinha recebido boia. Então, consideramos que ela é eficaz e deve ser colocada”, defende.

Voluntários e agentes públicos se uniram para limpar Praia do Paiva nessa segunda-feira (21) (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)
Voluntários e agentes públicos se uniram para limpar Praia do Paiva nessa segunda-feira (21) (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)

A mancha que afeta Pernambuco desde 17 de outubro já atingiu as cidades de São José da Coroa Grande, Barreiros, Tamandaré, Rio Formoso, Sirinhaém, Ipojuca e o Cabo. Estão envolvidos nos trabalhos de limpeza 400 pessoas, de diversas pastas estaduais, como a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), Bombeiros e Defesas Civis estadual e municipais.

“Até o fim do domingo, disponibilizamos 1.716 botas, 7.040 luvas, 16.123 máscaras, 3.300 sacos plásticos comuns, 4.500 sacos de ráfia, mais resistentes, e 1.000 mantas absorventes, que são postas em alto mar quando se localiza uma manta”, enumera Bertotti.

Para esta terça-feira (22), ainda era dúvida a vinda dos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Até o fechamento desta reportagem, nem mesmo o Governo de Pernambuco tinha recebido a confirmação efetiva da vinda deles para cá.
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