Agreste Pesquisa mostra que o Rio Ipojuca, em Caruaru, apresenta níveis excessivos de metais e fármacos

Publicado em: 09/10/2019 18:18 Atualizado em: 09/10/2019 18:21

Local mais próximo do centro urbano, apresenta excesso de metais e sais como sulfato e nitrito. Foto: UFPE/Divulgação.
Local mais próximo do centro urbano, apresenta excesso de metais e sais como sulfato e nitrito. Foto: UFPE/Divulgação.
O Rio Ipojuca, que, ao cortar o Agreste pernambucano, abastece 12 municípios, entre eles a cidade de Caruaru, e cobre uma área de mais de 3 mil quilômetros quadrados, está contaminado com elevados índices de poluentes. É o que aponta o pesquisador José Adson Andrade de Carvalho Filho, na dissertação Estudo de contaminantes emergentes e meiofauna no rio Ipojuca no município de Caruaru, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Metais como cloreto, N amoniacal, fosfato total, ferro, manganês, alumínio e componentes fármacos estão presentes no rio com valores acima da máxima permitida para cursos d'água enquadrado na classe 2, categoria atribuída às águas destinadas ao abastecimento para o consumo humano, após o tratamento convencional; proteção das comunidades aquáticas e recreação, entre outros.

O estudo teve o objetivo de verificar a presença de fármacos em um trecho médio do Rio Ipojuca, bem como a caracterização da zona hiporreica do trecho estudado, para dois pontos. Para isso, explica o autor, “foi realizado monitoramento qualitativo através parâmetros físico-químicos e metais em amostras da água do Rio Ipojuca, seguindo o Standard Methods (2005) e comparados com os padrões expostos na Resolução 357 do Conama (2005) para rios de classe 2”.

De acordo com o pesquisador, a presença desses compostos na água de um rio que serve para consumo público da população é preocupante. “O ibuprofeno e o diclofenaco são fármacos persistentes no meio ambiente e de difícil tratamento, fazendo-se necessário uma campanha de conscientização da população a respeito do excesso de consumo e do descarte inadequado desses medicamentos”. Para o pesquisador, esses achados são resultado “dos modelos atuais de desenvolvimento econômicos e sociais, a forma desorganizada em que a urbanização acontece e a produção exacerbada de produtos pela indústria em geral, a sociedade moderna vem causando danos ao meio ambiente”.

José Adson aponta que “a qualidade da água do Rio Ipojuca está bem deteriorada e aquém do que se espera para uma água de rio classe 2”, situação essa resultante “das cargas poluidoras de esgotamento doméstico e industrial lançados na matriz aquática”. Portanto, defende o autor, são necessárias “tomadas de decisões para melhoria da qualidade da água do rio, tais como a ampliação do atendimento do esgotamento sanitário, tratamento de efluentes domésticos e uma maior fiscalização dos efluentes lançados pelas industriais”.



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