Vida Urbana
Petróleo cru
Em PE, mais de 100 já buscaram serviços de saúde por causa do óleo
Publicado: 25/10/2019 às 15:21
Novas manchas de petróleo cru foram vistas nas praias pernambucanas nesta sexta-feira (25)./Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.
Pernambuco já contabiliza 118 casos suspeitos de intoxicação, insolação ou queimadura em decorrência da retirada de petróleo cru no mar. 84 foram em Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife. Ainda na área metropolitana, há mais três atendimentos por motivos semelhantes em Ipojuca, dois em Jaboatão dos Guararapes e dois em Itamaracá. Já em São José da Coroa Grande, no Litoral Sul, desde o começo da semana, 27 pessoas buscaram ajuda nos postos de saúde. Os dados, obtidos pelo Diario nesta sexta-feira (25), foram cedidos pelas secretarias de Saúde do Estado (SES) e dos municípios mencionados.
Boa parte dessas pessoas foram voluntárias na coleta de óleo derramado nas praias do estado. Os sintomas alegados são os mesmos: náusea, vômito, dor de cabeça, reações alérgicas e dificuldade para respirar. As ocorrências de Ipojuca e São José estão sob análise da SES, que deve divulgar um novo boletim sobre o assunto próxima terça-feira (29). Já os outros casos estão sendo investigados pelos municípios. Em Jaboatão, apesar o atendimento ter sido realizado no município, o contato das pessoas com o petróleo aconteceu em outras cidades.
Saiba mais:
Ministro diz que praias de Pernambuco estão limpas e prontas para o banho
Especialistas defendem plano para análise do pescado
Manchas de óleo chegam às praias de Candeias e Sossego
Saiba mais:
Ministro diz que praias de Pernambuco estão limpas e prontas para o banho
Especialistas defendem plano para análise do pescado
Manchas de óleo chegam às praias de Candeias e Sossego
Como divulgado em outras ocasiões, o petróleo cru é um material bruto, composto por hidrocarbonetos que podem eliminar - ou não - substâncias nocivas ao ser humano, como o benzeno. No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde, a intoxicação depende de fatores como características químicas, dosagem e tempo de exposição ao conteúdo. E como cada organismo é de um jeito, as reações diferem de pessoa para pessoa.
Os compostos tóxicos do óleo também apresentam alta volatilidade - nem sempre tocar nele levará à exposição ao perigo. No entanto, a pasta adverte que todo contato deve ser feito sempre com uso de equipamento de proteção individual (EPI) - máscara, luva e roupas adequadas, por exemplo. “A exposição à longo prazo (exposição crônica) pode causar outros danos à saúde, porém não são efeitos esperados para o desastre em tela”, afirma a pasta, em nota.
Confira as orientações do Ministério da Saúde sobre o assunto
Para a população geral:
- Não entrar em contato direto com a substância (petróleo), especialmente crianças e gestantes;
- Seguir as orientações dos órgãos ambientais sobre atividades recreacionais nas regiões afetadas;
- Em caso de exposição ou aparecimento de sintomas, contatar o Centro de Informações Toxicológicas (0800 722 6001) e procurar atendimento médico.
Para voluntários:
- Seguir as orientações dos órgãos de Defesa Civil ou o Comando local de resposta ao desastre antes de realizar a ação de voluntariado;
- Durante a limpeza recomenda-se evitar o contato direto com o óleo por meio do uso de: máscara descartável; luvas de borracha resistentes; botas ou galochas de plástico ou outro material impermeável;
- Não é recomendada a participação de crianças e gestantes nos mutirões de limpeza;
- Lavar a pele com água e sabão sempre que houver contato da pele com o petróleo;
- Utilizar óleo de cozinha e outros produtos contendo glicerina ou lanolina;
- Eventuais lesões de pele devem ser tratadas por serviços médicos especializados;
- NUNCA usar solventes (como querosene, gasolina, álcool, acetona, tiner) para remoção (esses produtos podem ser absorvidos e causar lesões na pele);
- Em caso de exposição ou aparecimento de sintomas, contatar o Centro de Informações
Toxicológicas (0800 722 6001) e procurar atendimento médico.
Para profissionais de saúde
- Recomenda-se atenção aos sinais e sintomas característicos de intoxicação aguda. Ressalta-se que os casos suspeitos e confirmados (em trabalhadores ou voluntários) de intoxicação exógena devem ser notificados na respectiva ficha do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), conforme determina a Portaria de Consolidação no 4/2017;
- Em caso de dúvidas, recomenda-se consulta ao documento Instruções para preenchimento da Ficha de Investigação de Intoxicação Exógena no Sinan1 e consulta ao Centro de Informação Toxicológica
Últimas
Mais Lidas