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Cenário da infância no país é desafio

Condição de vida de família da comunidade do Pilar, no Recife, confirma a pior face do Estudo da Fundação Abrinq sobre a infância

Publicado em: 14/10/2019 21:03 | Atualizado em: 14/10/2019 23:05

Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP.
Parece o retrato de pobreza da década de 1980, uma síntese do que se via nos grotões do Nordeste daquela época. Na voz, uma mulher fala com naturalidade da repetição do feitio do “Quarenta” - receita de cuscuz com água mexido no fogo, conhecida por matar a fome das crianças da região. A imagem, contudo, é uma mostra da vida de parte dos meninos e meninas do Nordeste de 2019, ocupado por Yasmim (8 anos), Lázaro (6 anos), Damião (8 meses), netos, e de Radassa (9), filha de dona Josinete Ferreira, de 51, da comunidade do Pilar, localizada defronte ao prédio da Prefeitura, Centro do Recife. “Como mantenho os meninos? Com a fé”, diz ela.

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Em torno deles, falta saneamento, banheiro em casa, água potável. E dona Josinete não conta sequer com auxílio-moradia, fornecido a algumas famílias do Pilar; nem dinheiro do Bolsa-Família recebe. Tal qual revela a face mais triste do estudo feito pela Fundação Abrinq (SP), intitulado Cenário da Criança e Adolescência no Brasil 2019. Para agravar as condições, o tema violência se enraizou na história da família. A mãe foi presa entre os estados de Goiás e Brasília por porte de drogas. “Lázaro só vive dizendo quer ser presidente do Brasil só para soltar a mãe dele”, conta Josinete. Yasmim, irmã de Lázaro, gosta de brincar com carros de polícia e tem preferência por posar com os dedos indicador e médio juntos, simulando uma arma. Na rotina diária dela, ouve com frequência histórias de violência no entorno.

Violência é tema comum para as crianças mais pobres da região. O Cenário da Criança e Adolescência no Brasil 2019, levantamento feito pela Fundação Abrinq com base em 31 indicadores sociais, mostra que o Nordeste tem a maior proporção de homicídios por armas de fogo de crianças entre zero e 19 anos do Brasil, por exemplo. Chega a 86,4%. A região Norte tem a menor, com 72,0%. E o estudo mostra que a taxa de homicídios cresce de acordo com a raça no Brasil: “Um sintoma perverso da desigualdade do país”. A região enfrenta indicadores sociais negativos ao extremo, conforme foi mostrado em matéria publicada neste final de semana pelo Diario de Pernambuco.

São problemas criados por adultos que vitimizam em especial crianças e adolescentes. Para as crianças de dona Josinete, resta o cumprimento do primeiro item do artigo 1 da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável, aprovado em 2015 pelos estados-membros da Organização das Nações Unidas  (ONU) que trata de “Erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia”.

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