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Sufoco

População vira a noite no Barão de Lucena sem certeza de atendimento

Publicado em: 17/09/2019 22:40 | Atualizado em: 18/09/2019 00:20

Às 21h desta terça, a fila de espera já era grande. Foto: Bruna Costa/Esp. DP
A busca por atendimento médico gera, desde as primeiras horas desta terça-feira (17), grandes filas no corredor do ambulatório do Hospital Barão de Lucena, que fica na Caxangá, Zona Oeste do Recife. Por volta das 21h, a reportagem do Diario de Pernambuco encontrou mais de 30 pessoas no local. Em comum, elas têm o fato de que vão pernoitar para tentar conseguir uma ficha de marcação de consulta para esta esta quarta (18). Mas a espera pode ser em vão, visto que a diretoria da unidade médica passou mais cedo colhendo nomes para o dia seguinte.

As quartas-feiras são reservadas para marcar consultas de mastologia e exames de ultrassom. Cristina Carmelita dos Santos, de 53 anos, veio de Limoeiro, a 88 quilômetros do Recife. Ela busca atendimento por causa de dores suspeitas no seio esquerdo. “Eu perdi minha mãe e minha irmã para o câncer de mama. Desde março tento fazer ultrassom e, quando cheguei aqui, vieram me dizer que já tinham distribuído as fichas de amanhã (quarta). Mas não quero saber, já estou com meu papelão ali, peguei um lanche e vou ficar. Dormirei sem ter certeza de nada”, lamenta.

Mais adiante, sentada, estava a diarista Maria José da Silva, 33. Vinda de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, ela questiona: “Disseram que já pegaram o nome do pessoal para ser atendido amanhã e não vai ter mais distribuição de ficha. Aí te pergunto, como que vai ser com essa turma toda esperando aqui? Veio gente de longe”. Maria José vem ao Barão de Lucena a cada seis meses. “E é sempre a mesma coisa. Para marcar médico ou exame tem que dormir na fila e nem sempre a pessoa consegue”, reclama.

Maria de Fátima e Maria José: madrugada de incertezas. Foto: Bruna Costa/Esp. DP

Tempo perdido
A cabeleireira Maria de Fátima França, 54, veio de Camaragibe, no Grande Recife. “Eu liguei às 16h, disseram que só ia ter ficha de marcação no dia seguinte. Chego aqui e disseram que já anotaram nomes. Como que a marcação é na quarta e fizeram na terça? Só se fizeram isso por causa do tumulto (filas grandes) ocorrido mais cedo”, desconfia.

E tentar antecipar ou pedir a alguém para ajudar a guardar vaga não adianta. A comerciante Ana Lúcia Conceição, 46, pediu a um amigo para segurar um lugar na fila. Não adiantou. “Ele ficou o dia todo aqui, mas agora sou eu que ficarei a noite toda. Tem que ser assim, não tem outro meio. Deveriam dar um jeito nesse agendamento. Não estamos na era da tecnologia?”, questiona. Moradora do Curado, em Jaboatão dos Guararapes, Ana Lúcia trouxe café para fazer companhia madrugada adentro.

Outro lado
Em nota, o Hospital Barão de Lucena admitiu a alta demanda. “Fato motivado, sobretudo, pela falta de resolutividade dos serviços básicos de saúde”. A marcação de consultas atende a um calendário pré-estabelecido, de acordo com cada especialidade médica.

Espera para marcação de consulta irá virar a noite. Foto: Bruna Costa/Esp. DP
“Nesta terça-feira (17), seriam ofertadas, inicialmente, 450 vagas para as consultas de retorno da mastologia para o mês de outubro. No entanto, mesmo diante desta grande demanda, nenhuma paciente que esteve na unidade nesta manhã deixou de ter sua consulta agendada. Ao todo, foram 570 marcações, sendo 450 para o próximo mês e 120 para o início de novembro”, defende-se o hospital, que realiza uma média de 30 mil atendimentos por mês (consultas e exames).

“A direção ressalta, ainda, que, com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde, tem trabalhado para implantar um novo modelo de marcação no ambulatório para qualificar este processo com o objetivo de facilitar o acesso e trazer mais comodidade para os pacientes”, finaliza.
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