DESAFIOS Educação com empatia: se apaixone pelo problema e não pela solução!

Por: Fernando Wanderley

Publicado em: 17/09/2019 09:10 Atualizado em: 17/09/2019 09:15

Foto: Arte/DP
Foto: Arte/DP
Se apaixone pelo problema e não pela solução: a frase originária é de Uri Levine. Empreendedor israelense e um dos criadores do aplicativo mais utilizado no mundo: o Waze. Levine endossa que, antes mesmo de produzir os primeiros desenhos do aplicativo Waze, precisou 'literalmente' colocar-se no lugar das pessoas que enfrentam corriqueiramente problemas de mobilidade urbana nos principais centros metropolitanos do mundo. A mensagem deixada aqui pelo empreendedor israelense é que, se quisermos verdadeiramente agregar valor aos nossos produtos ou serviços, precisamos nos imbuir, nos impregnar de uma atitude de empatia.

Matheus Moraes, CEO da 99, destacou recentemente durante um evento local de Startups: “Foque sua energia em resolver um problema grande. Foque sua energia em resolver um problema social”. Martin Novak, professor de biologia e matemática na Universidade de Harvard, afirma que a empatia é uma característica natural do ser humano porque nosso cérebro evoluiu para a colaboração. Ele afirma que isso aconteceu porque entender o outro e trabalhar juntos faz parte da dinâmica essencial do ser humano desde os primórdios. Para Tim Brown, idealizador do Design Thinking, criar negócios que realmente fazem a diferença para quem os usa, não é apenas um desafio administrativo e estratégico, mas uma aventura empática.

“A missão é, então traduzir observações em insights, e estes em produtos e serviços para melhorar a vida das pessoas”. Em tempos de transformação digital, a empatia é dos principais motores propulsores para que as organizações alcancem satisfatoriamente resultados de inovação. Em se referindo às organizações de educação, o componente empático torna-se ainda mais fundamental. A empatia aplicada a nós, profissionais de educação, nos possibilita e permite nos afastarmos da postura do ensinar, para nos aproximarmos intensamente dos mecanismos do aprender do estudante. Quanto à perspectiva do aluno, a empatia auxilia no engajamento do processo protagonizador de seu conhecimento.

No século 21, a relação entre a educação e a inovação é cada vez mais profunda e recíproca. A flexibilização dos currículos, a personalização do ensino, o foco em multiletramentos (letramento em programação, letramento científico, letramento corporal etc.), os métodos híbridos de ensino (em que métodos online e presencial se misturam), a gamificação dos conteúdos somados à conectividade global e a sinergia dos avanços da Inteligência Artificial nos posicionam a uma nova era da educação - a Educação 4.0. O futuro da educação deverá então apropriar- -se destes impulsionadores de toda esta t ra nsfor mação e lembrar: (i) que é mais importante saber o porquê você precisa de algo em detrimento de acumular conhecimento; (ii) a análise de desempenho e da aprendizagem pode ser realizada por meio da personalização baseada em dados inteligentes e; (iii) fortalecer exponencialmente a capacidade de aprendizado colaborativo, uma vez que os professores passarão a ser facilitadores que constroem comunidades em torno do aprendizado, talento e habilidades de seus alunos.

Precisaremos investir muito em educação de qualidade se quisermos alcançar o patamar das sociedades mais inovadoras do mundo, e só conseguiremos dar um verdadeiro salto de qualidade na nossa educação se inovarmos profundamente a maneira como educamos. Freire acena o caráter processual inerente à construção de uma educação verdadeiramente transformadora, aquela em que a busca de se construir uma sociedade mais justa e igualitária se sobreponha ao desejo de ocupar uma posição individualmente privilegiada. Desta foram, convido a todos a nos colocarmos empaticamente para sermos agentes de transformação impregnados de paixão, sem ressalvas às práticas que nos ajudam a sentir a dor do outro, a ensinarmos a capacidade de aprendermos a aprender e, assim, nos apaixonarmos mais pelo problema do que a solução.

Bio

Consultor Educacional, Fernando Wanderley é mestre em Engenharia da Computação pela Universidade de Pernambuco, na área de Engenharia de Software, com ênfase na área de Engenharia de Requisitos e Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Pernambuco; trabalhou como Arquiteto de Software e Líder técnico em projetos de médio e grande porte. Exerceu o papel de Consultor de Implantação e Melhoria de Processos de Desenvolvimento de Software pela Qualiti / IBM através da plataforma Rational, sendo o responsável pelas disciplinas de Elicitação de Requisitos e Modelagem de Arquitetura de Software. Ministrou cursos de formação especializada (consultoria e treinamentos com foco na plataforma Java). Atuou como Analista Educacional pela unidade de educação do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR.edu) - sendo professor da disciplina de Modelagem Ágil na Especialização de Gestão Ágil de Projetos.




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