Amor Casal vende tortinha na Parada da Diversidade para arrecadar dinheiro para casar

Publicado em: 14/09/2019 14:11 Atualizado em: 14/09/2019 14:18

Foto: Bruna Costa/Esp.DP (Foto: Bruna Costa/Esp.DP)
Foto: Bruna Costa/Esp.DP
Quando o primeiro trio elétrico deixar a concentração da Parada da Diversidade de Pernambuco, neste domingo, na Avenida Boa Viagem, Thais Morais de Sousa, 23 anos, e Renata Conceição Silva, 22, estarão próximas. Ficarão de olho nas atrações e em possíveis clientes para as guloseimas que planejam vender durante o desfile. As duas, namorando há seis meses, vão se juntar às milhares de pessoas dispostas a marcar posição política em favor dos direitos da comunidade LGBT. A 18ª versão do desfile, com público esperado de 500 mil pessoas, terá 11 trios elétricos. Todos saindo do Parque Dona Lindu.

“Não é a primeira vez que vou à Parada. Fui outras vezes”, revelou Thais, estudante de enfermagem. Neste ano será diferente. Além de acompanhada da mulher com quem diz querer viver por toda a vida, ela levará 150 tortinhas para vender. Tortinhas de sabores diferentes: chocolate, morango, maracujá... Cada uma ao preço de R$ 2,00. O negócio é das duas, mas com apoio total da família de Thais. A mãe dela ajuda na confecção da massa, a irmã criou a marca e ajuda a divulgar nas redes sociais e o pai, aqui e acolá, empresta o carro, o que é possível ocorrer neste domingo. Nem sempre foi fácil a aceitação. Thais contou que, embora a família tenha notado a sua orientação sexual na adolescência, o respeito à escolha veio aos poucos. “Soube da minha orientação sexual cedo, mas eles perceberam quando eu estava com 17 anos”, detalhou. Primeiro, a mãe acenou com a aceitação. O pai, depois. E, segundo ela, isso ajuda a fortalecer a relação com Renata. “Meus pais adotaram, de certo modo, Renata”. A “adoção” tem motivos. Entre eles, o fato de Renata morar em Bairro Novo, Olinda, e precisar estar cedo na casa da namorada, na Várzea, Recife, para fazer as tortinhas. A produção é dividida. Renata cuida da massa e Thais dos recheios.

Tortinhas
A Parada da Diversidade deste domingo será um espaço para Thais e Renata expressarem a força da parceria, afetiva e financeira, entre elas. Cada tortinha vendida, segundo ambas, sinaliza o quanto o estar juntas abre perspectivas. Primeiro, as duas pensam em conseguir recursos para Renata reabrir o curso de fisioterapia.

A médio e longo prazos, imaginam-se casadas. Para Renata, de orientação sexual revelada à família desde os 16 anos, o casamento seria um desfecho perfeito para uma relação que nasceu do “empurrãozinho” de um amigo em comum das duas. O amigo, sem que as duas se conhecessem, disse que elas tinham “tudo a ver uma com a outra” e repassou o perfil de Renata para Thais nas redes sociais. Deu no que deu. A relação das duas é às claras, carinhosa. Isso, garantem elas, estará na parada de Boa Viagem. Parada que em tons de protesto e de diversão destacará, neste domingo, de resistências em tempos de retrocessos. “Nosso tema não é por acaso: Ontem, hoje e sempre. Resistir para libertar!”, salientou Chopely Santos, coordenadora do Fórum LGBT de Pernambuco.

Os retrocessos, para a comunidade LGBT, ganharam força com a vitória de Jair Bolsonaro à presidência da República. Com isso, fóruns e órgãos que serviam de lugar para a discussão de políticas públicas e visibilidade das causas desta parcela da sociedade foram enfraquecidos. “Precisamos unir forças para sobrevivermos ao conversadorismo presente no país”, completou. A parada não se resume às pessoas LGBT. São muitos os heterossexuais que se unem ao evento”, afirmou. Isso se vê desde a primeira parada pernambucana, realizada em 2002. Do desfile participarão pessoas de diferentes orientações sexuais, identidades e expressões de gênero. A edição deste ano homenageará Bárbara Finsking, 48 anos, atriz transformista, funcionária pública e referência na cultura trans do estado.


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