patrimônio Biblioteca Pública de Olinda volta a abrir no Carmo

Publicado em: 17/09/2019 13:46 Atualizado em: 17/09/2019 14:05

Foto: Peu Ricardo/DP
Foto: Peu Ricardo/DP
Quem passava até pouco tempo atrás na frente do casarão fechado da antiga Biblioteca Pública Municipal de Olinda, na Avenida da Liberdade, 100, no Carmo, não imaginava o tamanho do estrago em seu interior. Para se ter uma ideia, dos vinte mil livros abrigados no espaço, cinco mil foram perdidos por falta de cuidados adequados. Algumas obras estavam molhadas. Muitas janelas também não tinham vidros e o teto mostrava sinais de deterioração. A sujeira e o mato tomavam conta do imóvel histórico, construído no início da colonização do país.

Em cinco meses, o lugar foi totalmente reformado. Passa por uma inauguração nesta quarta-feira (18). As paredes internas ganharam frases do educador pernambucano Paulo Freire, os livros receberam espaço limpinho nas estantes - agora lixadas e pintadas. Mesas antigas estão grafitadas e o quintal abriga, agora, uma sementeira. Lá a prefeitura irá se abastecer de árvores para plantar no município.

A reforma da biblioteca de Olinda tem um gosto especial de cuidado com o patrimônio histórico. Ela foi criada através de um decreto de Dom Pedro I, em 1830, e é a primeira da rede pública do estado, além da terceira do Brasil. Nem sempre a biblioteca funcionou no casarão do Carmo. Ela já aportou no Convento de São Francisco e na Faculdade de Direito de Olinda, hoje no Recife. Quando a unidade de ensino partiu para a capital pernambucana, a biblioteca ficou sem funcionar por várias décadas.

Foto: Peu Ricardo/DP
Foto: Peu Ricardo/DP
O acervo somente voltou a ser disponibilizado para o público após a desapropriação do casarão de número 100 e a sua reforma, concluída em 1996. Essa teria sido a última grande intervenção no lugar. O imóvel é tão antigo que chegou a ser retratado por Franz Post, em pintura sobre Olinda, no século XVII. No ano passado, através de decreto, o prefeito de Olinda, Professor Lupércio, estabeleceu gestão compartilhada do espaço entre a Secretaria  de Educação e a Secretaria de Patrimônio, para a melhoria das condições da biblioteca, que não andavam nada boas.

Uma empresa privada apoiou com as tintas. Reeducandos assistidos pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos ajudaram com a reforma da parte hidráulica, pintura, jardinagem. Dois grafiteiros (Júnior e Nildo) deram o tom em paredes, mesas e bancos usados. Além disso, o município contratou empresas para reforma de telhado, piso e instalação elétrica. O resultado é bonito de ver.

O imóvel ganhou, além das frases de Freire, uma sala de estudo com o nome do educador, que é referência no mundo todo. Também estão à disposição dos usuários: computadores, salão de eventos para lançamento de livros, espaço acessível - ainda em construção - para cadeirantes, pessoas cegas e surdas. Outra novidade é uma sala dedicada apenas a escritores de Olinda.

Os livros estão passando por uma catalogação manual e em breve estarão catalogados virtualmente. Entre as obras de maior destaque no acervo estão as de Gilberto Freyre. O espaço funciona de 8h às 19h (segunda a sexta-feira) e das 8h às 12h (sábado). O empréstimo para o público levar a obra para casa somente acontecerá após o carnaval do próximo ano. Até lá, os livros poderão ser lidos na biblioteca. O que não é nada mal.



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