Olinda Após 4 anos, Polícia encontra suspeitos de assassinar adolescente

Por: Diogo Cavalcante

Publicado em: 18/09/2019 17:59 Atualizado em: 18/09/2019 18:33

Sandy Evellyn tinha 14 anos quando foi assassinada em Olinda. Foto: Reprodução/Facebook
Sandy Evellyn tinha 14 anos quando foi assassinada em Olinda. Foto: Reprodução/Facebook
Depois de quatro anos e dois meses, a dona de casa Maria Luziária Costa, de 44 anos, pode ficar em paz. Está presa a dupla envolvida no assassinato de sua filha, Sandy Evellyn, que tinha apenas 14 anos. José Henrique Gonçalves de Santana, 25, conhecido como “Chapa”, foi preso em março por tráfico de drogas. Já Wallyson Wendel Feitosa de Araújo, 22, o “Batata”, foi detido em flagrante nessa terça-feira (17). O crime aconteceu na madrugada de 5 de julho de 2015, em Sapucaia, Olinda, e passou pelas mãos de diferentes delegados. 

A adolescente teria sido assassinada por recusar a se relacionar com José Henrique, de acordo com a Polícia Civil. Inconformado, o suspeito chamou seu comparsa para tirar a vida da menina. Na noite de 4 de julho, Sandy foi vista pela última vez, após sair para ir a um culto e foi encontrada na manhã do dia seguinte, nua e morta por asfixia no Canal Lava-Tripas.

“Não vai trazer minha filha de volta, mas isso dá um alívio. Espero que fiquem muito tempo presos. Que fiquem lá até aprenderem”, comenta Luziária. Ela não esconde a mágoa. “Não perdoo. Fico sem palavras. Como essas duas criaturas fizeram uma coisa daquelas com minha filha? Uma menina que nunca fez nada com ninguém. Só porque não queria nada com ele (José Henrique), ele tinha o direito de matar?”, questiona.

"Espero que fiquem muito tempo presos. Até aprenderem", diz Maria Luziária Costa, mãe de Sandy. Foto: Diogo Cavalcante/DP
"Espero que fiquem muito tempo presos. Até aprenderem", diz Maria Luziária Costa, mãe de Sandy. Foto: Diogo Cavalcante/DP
A lei do feminicídio foi decretada em 9 de março de 2015, no Código Penal. O assassinato aconteceu em 5 de julho do mesmo ano. Mas, por enquanto, a Polícia Civil não vai tipificá-lo como tal.  “É um termo que foi incorporado ao ordenamento jurídico posteriormente à data do crime. Não dá para retroagir para prejudicar o réu”, explica o delegado Augusto Cunha, titular da 9ª Delegacia de Homicídios (DPH) de Olinda. As delegacias de Pernambuco só passaram a registrar ocorrências com esse subtítulo de 4 de setembro de 2017 em diante.

Quatro anos
O avanço do inquérito foi lento por causa do envolvimento dos dois homens no tráfico de drogas, segundo o delegado. “Eles atuavam botando medo na comunidade. A coleta de provas testemunhais nessas áreas é mais complicada. Eles ameaçavam pessoas que prestavam depoimentos”, justifica. “Em todo tempo a Polícia esteve em diligências. Eu já cheguei a me manifestar sobre o assunto em outra ocasião. As provas coletadas ao longo desses anos nos permite afirmar, com convicção, que o Batata e o Chapa foram os autores”, discorre.

José Henrique e Wallyson Wendel, respectivamente. Foto: Cortesia/Polícia Civil
José Henrique e Wallyson Wendel, respectivamente. Foto: Cortesia/Polícia Civil
O celular de Sandy, que sumiu no dia do crime, foi peça importante da investigação. O aparelho foi rastreado e, na investigação, a Polícia colheu evidências de que o Wallyson Batata se apossou dele e revendeu posteriormente.

Os dois homens negam a autoria do crime. “Mas temos elementos que mostram que ambos eram amigos, usavam drogas juntos, traficavam juntos. Acredito que vão continuar negando enquanto puderem”, acrescenta Augusto.

Delegados André Luna e Augusto Cunha, da 9ª DPH. Foto: Diogo Cavalcante/DP
Delegados André Luna e Augusto Cunha, da 9ª DPH. Foto: Diogo Cavalcante/DP
Prisão
Foram expedidos mandados de prisão temporária (válidos por 30 dias) contra os dois suspeitos. Como mencionado no início da reportagem, José Henrique já estava detido desde 28 de março deste ano, por tráfico de drogas. Já o Wallyson foi pego em uma casa no Alto Sol Nascente, em Olinda. “Ele confessou que tinha uma arma de fogo. Dizia que era para se proteger”, comenta o delegado André Luna, adjunto da 9ª DPH. 

Além da arma, foram apreendidas oito munições - seis dentro do revólver. Duas delas especificamente chamaram a atenção do delegado André: “Tinha veneno na bala, para aumentar o potencial lesivo. Nesses casos, se uma pessoa atingida não morre pelo tiro, morre por causa do veneno”. 


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