Educação Alunos pernambucanos recebem medalhas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

Publicado em: 17/09/2019 14:22 Atualizado em: 17/09/2019 15:55

Foto: Leandro Santana/Esp. DP
Foto: Leandro Santana/Esp. DP

Filho de um agricultor e de uma auxiliar de escritório, Rafael Magno, 18 anos, sabia que precisaria correr para além do suporte da família para realizar todos os sonhos profissionais. Por gostar de matemática, decidiu se dedicar às provas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Foram sete anos de participações até terminar o ensino médio. Nesta terça-feira (17), mesmo depois de concluir os estudos básicos, Rafael voltou a vestir a farda de uma escola estadual. Foi receber, pela segunda vez, a medalha de ouro na OBMEP. Graças a essa conquista, ganhou uma bolsa da organização do evento, que usa desde o começo do ano para custear os estudos universitários na Paraíba.

Antes de conquistar a vaga no curso de engenharia elétrica na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Rafael era aluno da escola estadual Tomé Francisco da Silva, na cidade de Quixaba, no Sertão pernambucano. Soube da existência da olimpíada por meio dos primos. A OBMEP é famosa entre os estudantes porque, além das medalhas, confere bolsas de iniciação científica júnior aos destaques da competição. Por ano, 18 milhões de alunos realizaram as provas. Desses, cerca de 50 mil são agraciados com algum reconhecimento. Em 2018, Rafael esteve na lista de premiados em Pernambuco, que assim como ele receberam as medalhas nesta terça-feira, em evento realizado no Centro de Convenções.

Em Pernambuco, na competição de 2018, 12 estudantes foram agraciados com medalha de ouro (cinco da rede estadual), 53 com medalha de prata (16 da rede estadual) e 128 com medalha de bronze (47 da rede estadual). Outros 1.445 estudantes receberam menções honrosas. “Não ficamos feliz apenas pela quantidade de medalhas envolvidas, mas pela participação de todo o estado. Temos estudantes de todas as regiões, de escolas estaduais, municipais e particulares. É uma comemoração da educação do estado como um todo”, afirmou o  secretário de Educação e Esportes do Estado de Pernambuco, Fred Amancio.

Também foram homenageados 13 professores, 14 escolas e duas secretarias municipais de Educação – das cidades de Solidão e Brejinho -, por incentivar e mobilizar a comunidade estudantil a participar. A OBMEP acontece desde 2005, visando estimular o estudo da matemática e identificação de talentos na área. Pessoas como Rafael Magno. “Minha famílias não tinha muitas condições financeiras, então vi na olimpíada uma oportunidade de ganhar bolsas. Tenho cinco primos que já participaram, mas fui o primeiro a ganhar medalha de ouro. Com o dinheiro da bolsa, pago os custos de viver em João Pessoa. Sem isso, seria difícil”, diz.

Rafael manteve uma rotina de estudos de três horas por dia, além das aulas. No caso de Adrian Alves, 16 anos, aluno do 1º ano do Liceu Nóbrega, a rotina foi um pouco mais exaustiva, porém igualmente recompensadora. “Passei várias noites estudando, fiz as provas de todos os anos anteriores. Ganhar a medalha deu uma sensação incrível de que todo o esforço valeu a pena”, diz.

A OMBEP é dividida em etapas, que acontecem ao longo do ano, e é direcionada a alunos do ensino fundamental e médio. Jonas Lima, 12 anos, estudante da Escola Municipal Oscar Moura, de Jaboatão dos Guararapes, ganhou o bronze. “Meus pais me incentivaram muito a participar, disseram que estudar é importante. Então, decidi tentar. Gosto de matemática e achei interessante fazer questões que, aparentemente, são difíceis. Fiquei muito feliz, não achei que fosse ganhar medalha”, diz ele, que está participando de novo em 2019. “É gratificante ver um filho assim, ainda mais sabendo do preparo dele, que ele foi atrás muita vezes sozinho das provas em casa, para estudar”, contou a mãe de Jonas, a dona de casa Maria José Barbosa, 44. 



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