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Taxa de feminicídio cai 22,9% no primeiro semestre deste ano

Publicado em: 12/07/2019 08:31 | Atualizado em: 12/07/2019 08:53

Foto: Hélia Scheppa/SEI. (Foto: Hélia Scheppa/SEI.)
Foto: Hélia Scheppa/SEI. (Foto: Hélia Scheppa/SEI.)
O número de mortes violentas de mulheres em Pernambuco no primeiro semestre de 2019 foi o mais baixo da série histórica da Secretaria de Defesa Social (SDS), iniciada em 2004. Foram registrados 102 casos no primeiro semestre de 2019, - 19,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Uma das motivações do CVLI de mulheres é o feminicídio, que caiu 22,9% no primeiro semestre deste ano em relação ao de 2018.

O ano que reistrou o índice mais alto desses crimes foi 2006, com 174 casos. Antes, o ano com menos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) de mulheres havia sido 2010, com 126 casos. Em comparação com os seis meses iniciais de 2018, quando 127 mulheres morreram vítimas de CVLI, a redução em 2019 chegou a 19,7%. 

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Outro crime contra as mulheres que apresentou retração foi o estupro. As queixas em junho deste ano foram menores em 34,09% em relação ao de 2018 (de 220 para 145 vítimas). No semestre, o recuo das notificações policiais de estupro chegou a -18,21% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado, caindo de 1.362 para 1.114 casos.

De modo geral, os CVLIs nesse primeiro semestre, também apresentaram queda: -23%, saindo de 2.284 para 1.757, o que representa 527 vidas poupadas. Um total de 107 municípios, além de Fernando de Noronha, não registraram mortes. No recorte apenas do mês de junho, a diminuição é ainda mais expressiva, com -66,7%, passando de 9 ocorrências do sexto mês de 2018 para 3 no de 2019.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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