Aniversário Fundaj inicia ciclo de comemoração do aniversário de 70 anos

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 21/07/2019 17:11 Atualizado em:

Foto: Divulgação/Fundaj. (Foto: Divulgação/Fundaj.)
Foto: Divulgação/Fundaj.

"Que será o Instituto Joaquim Nabuco? Uma instituição de interesse apenas acadêmico? Uma casa de antiquários em ponto grande e com caráter oficial? Uma peça a mais na burocracia federal? Não; será principalmente um centro de estudo vivo, de pesquisa de campo e no qual se estude o homem regional das zonas rurais do Norte e do Brasil." O discurso de Gilberto Freyre, em defesa da criação do Instituto Joaquim Nabuco, hoje Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), na Tribuna da Câmara, foi publicado na capa do Diario de Pernambuco 5 de dezembro de 1948, um domingo. Sete meses depois, em 21 de julho de 1949, o instituto foi criado durante as comemorações do centenário do abolicionista. Neste domingo (21), a Fundaj completa 70 anos e dá início a um ciclo de comemorações, com celebrações pelos 40 anos do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), entrega de selos e medalhas, exposições e intervenções museológicas além de uma mostra de cinema.

"Há um profundo significado em completar 70. Iremos não apenas lembrar a vida e o legado de Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre, mas também o que é a Fundaj e o que vamos fazer daqui para frente", afirma o presidente da Fundaj, Antônio Campos. As comemorações, ressalta Campos, são a melhor forma de celebrar os dois grandes nomes e, ao mesmo tempo, reforçar o compromisso e a responsabilidade da Fundaj com seus propósitos.

Neste domingo, a programação começou às 10h com a entrega de selos comemorativos no Engenho Massangana, no Cabo de Santo Agostinho, onde o abolicionista Joaquim Nabuco viveu até os 8 anos. Ao todo, são dez homenageados no lançamento dos selos Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre pelos 70 anos da Fundação e 40 anos do Museu do Homem do Nordeste. Entre os contemplados, estão a família de Joaquim Nabuco, representada na cerimônia pelo bisneto Pedro Nabuco, e a presidente da Fundação Gilberto Freyre, Sônia Freyre, filha do sociólogo.

Foto: Divulgação/Fundaj. (Foto: Divulgação/Fundaj.)
Foto: Divulgação/Fundaj.

A data marca ainda os 40 anos do Museu do Homem do Nordeste. O coordenador do espaço, Frederico Almeida, enfatiza que o equipamento é uma referência nacional. “Por sua tradição, pela contribuição para a sociedade no entendimento antropológico do homem do Nordeste", justifica. Será aberta neste domingo a exposição "40 anos Educando", em homenagem a Silvia Brasileiro, que integrou a equipe do Educativo do Museu de 1987 a 2015.

A mostra está aberta desde às 16h na sala Waldemar Valente, no campus da Fundaj de Casa Forte, Zona Norte do Recife. "Ela acreditava que era brincando que se aprendia. Normalmente, crianças não podem mexer em nada nem falar alto em museus. No Muhne, elas cantam, dançam, brincam e se divertem", diz a antropóloga do museu, Ciema Mello. 

A proposta da exposição é mostrar, por meio de brinquedos, bonecos, caminhões, carrinhos de lata, oficinas de máscaras e brinquedos, que a identidade é uma parte escondida dentro de alguém. A ideia, destaca Ciema, é que as crianças saiam "mais nordestinas e mais brasileiras". A mostra ficará em cartaz por seis meses.

A intervenção museológica “Muhne 40 Anos, 40 Peças”, exibe 15 peças da exposição permanente do museu somadas a outras 25 da reserva técnica para contar toda história do Muhne. "A exposição dará oportunidade às pessoas de conhecerem mais profundamente o museu e entender essa trajetória que engloba também o Museu do Açúcar, o Museu de Antropologia e o Museu de Arte Popular". pontua o coordenador do setor de Museologia da instituição, Albino Oliveira.

As 40 peças foram identificadas e escolhidas em acordo com a equipe do museu, considerando seus significados para cada época da instituição. A mostra vai virar uma publicação impressa, reunindo as 40 pessoas para escreverem textos sobre as 40 peças escolhidas.

Medalhas 

Às 17h, também neste domingo, o jardim do Museu do Homem do Nordeste cediou a cerimônia de entrega das medalhas Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre. Ao todo, são 110 homenageados, entre servidores da instituição, personalidades e instituições que contribuíram com a Fundaj e o Muhne. "Cada uma dessas medalhas estabelece um vínculo com a grandeza de seus patronos. A valorização da nossa região Nordeste perpassa o praticar, ousar, cultivar e inspirar-se na imagem e nos ideais de Joaquim Nabuco", enfatiza Antônio Campos.

Entre os homenageados, estão o Diario de Pernambuco, que será representado na cerimônia pelo presidente, Alexandre Rands; 50 servidores com mais de 40 anos de Fundaj; artistas, como Lia de Itamaracá e J. Borges e instituições, como a Academia Pernambucana de Letras (APL), o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Também serão agraciadas as famílias de personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da Fundação, como as famílias de Mário Lacerda, Mário Souto Maior e Ulysses Pernambuco de Melo.

Cinema

Ainda na programação comemorativa, entre 25 e 28 de julho, o Cinema da Fundação estreia a Mostra Inéditos do Cinema Português. Serão sete longas de diretores contemporâneos portugueses nunca vistos no estado, fruto de uma parceria com a Embaixada Portuguesa e o Instituto Camões. A mostra evoca o conceito “luso-tropicalismo”, elaborado por Gilberto Freyre, que destaca, entre outros aspectos, a língua portuguesa como um dos principais elos de identidade cultural dos países lusófonos. A entrada é gratuita.

“Essa mostra é uma excelente oportunidade não só de conhecermos mais o cinema atual produzido em Portugal, como, também, de difundirmos as ideias de Gilberto Freyre neste ano de comemoração dos 70 anos de criação da Fundação Joaquim Nabuco”, afirma a coordenadora do Cinema da Fundação, Ana Farache.

Foto: Divulgação/Fundaj. (Foto: Divulgação/Fundaj.)
Foto: Divulgação/Fundaj.

Confira a programação dos 70 anos da Fundaj

25 a 28 de julho (quinta-feira a domingo)

Cinema da Fundação/Museu, em Casa Forte

Quinta (25)

20h - Fado Camané, de Bruno de Almeida
Sinopse: O documentário mostra o processo de criação de uma das maiores vozes da atualidade do fado português. Carlos Manuel Moutinho Paiva dos Santos - nascido em Oeiras, em 1967, abre as portas do seu universo numa análise profunda do que é o fado, uma tradição oral, a escolha dos poetas e a misteriosa magia do processo criativo.

Sexta (26)

18h20 - Voltar à Terra, de João Pedro Plácido
Sinopse: Nas montanhas do norte de Portugal um pequeno vilarejo, chamado UZ, sobrevive, cada vez mais deserto devido à imigração. Com 49 moradores locais, o documentário acompanha esses habitantes durante as quatro estações do ano. Dentre eles, o jovem pastor Daniel que ao entardecer sonha com os amores da vida.

20h - Colo, de Teresa Villaverde
Sinopse: A rotina diária de pai, mãe e filha é absorvida pelos efeitos da crise econômica. A mãe se desdobra em dois empregos para pagar as contas, pois seu marido está desempregado. A filha adolescente guarda segredos e tenta manter sua vida, apesar da falta de dinheiro. Para escapar dessa realidade comum, eles se tornam, estranhos uns aos outros, enquanto a tensão se transforma em silêncio e culpa.

Sábado (27)

20h - Correspondências
Sinopse: Um filme-ensaio onde a realizadora Rita Azevedo Gomes encena a correspondência de 20 anos entre dois amigos: Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa que ficou no Portugal cinzento salazarista onde tudo se percebia nas entrelinhas; e Jorge de Sena, escritor auto-exilado, primeiro no Brasil e depois nos EUA, em busca de uma liberdade que também acabaria por sentir escapar-lhe entre as mãos. Recusando a simples ilustração visual, este filme coloca actores, amigos, artistas e figuras públicas a lerem excertos de cartas ou de poemas de Sophia e Jorge de Sena, intercalados com planos de lugares com evocações das suas vidas.

Domingo (28)

18h30 - John From, de João Nicolau
Sinopse: Rita é uma adolescente que não tem muito o que fazer na vida e ocupa o tempo ocioso pegando sol na varanda e interagindo com sua melhor amiga Sara no prédio onde moram. Um dia ela se interessa por um novo vizinho bem mais velho que ela e tenta atrair sua atenção.

20h20 - A floresta das almas perdidas, de José Pedro Lopes
Sinopse: No interior de Portugal, em uma remota floresta conhecida pelas recorrentes práticas de suicídio, duas pessoas se encontram. Ricardo é um pai de família que recentemente perdeu a filha, e Carolina é uma jovem no começo da vida adulta que tem gostos sombrios peculiares que envolvem a morte.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.