Mobilidade Biciflow, app para ciclistas, lança versão mais estável para Recife

Publicado em: 17/06/2019 18:27 Atualizado em:

Foto: Júlia Lyra/Ascom UFPE/Divulgação.
Foto: Júlia Lyra/Ascom UFPE/Divulgação.
O aplicativo Biciflow, tecnologia que permite ao ciclista criar rotas adequadas para pedalar e fazer rotas em grupos, lançou na semana passada nova versão para Android, desta vez mais estável, segundo os desenvolvedores. O app está disponível para todo o Brasil, mas no Recife, cidade teste da plataforma, as funcionalidades estão sendo lançadas em primeira mão. Por exemplo, na capital pernambucana já é possível visualizar as estações do BikePE, com a quantidade de bicicletas e vagas disponíveis. 

Um dos principais objetivos da tecnologia é permitir que os usuários salvem as rotas mais seguras para trajetos sobre duas rodas para que ciclistas possam se inscrever e pedalar, reduzindo o sentimento de insegurança durante os percursos. 

“Estamos focando o aprimoramento das funcionalidades no Recife, mas pretendemos liberar as informações de estações compartilhadas para outras cidades em breve. Apesar da versão estar bem estável, estamos lançando aos poucos e o aplicativo ainda está em fase de testes. A estrutura cicloviária (oficial) do Recife ainda não disponível mas pretendemos lançar essa funcionalidade junto com as das outras cidades”, explicou um dos desenvolvedores do Biciflow, Igor Matos. 

Atualmente, o projeto está pré-incubado no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE), recebendo mentorias de especialistas e acompanhamento do professor Cristiano Araújo.

“Em relação ao aplicativo, melhoramos a tela de navegação, incluindo as estações, a possibilidade de ver detalhes das outras pessoas que estão pedalando e também a funcionalidade de trocar mensagens durante a preparação da pedalada. Lançamos essa versão pública que está bem estável. Antes o app estava mais restrito. E com mais pessoas usando e dando feedbacks, podemos aprimorar cada vez mais”, reforçou Matos. 
A tecnologia permite que o ciclista crie e salve rotas adequadas para o pedal, compartilhe de modo público com outras pessoas e até marque para pedalar com outros ciclistas, numa espécie de Tinder do pedal. A proposta é que os ciclistas com trajetos e horários em comum possam pedalar em grupo para aumentar a segurança entre si em relação ao trânsito e à violência. 

NASCIMENTO - A ideia do aplicativo surgiu em setembro de 2015, depois que ele passou a usar a bicicleta diariamente em suas atividades. Identificando problemas como a falta de estrutura e segurança para os ciclistas, ele percebeu que trazer para o dia-a-dia a ideia do grupo de pedal noturno, onde o pessoal se sente mais seguro por estar andando em grupo, poderia encorajar as pessoas a utilizar o modal também em seus trajetos diários. Igor Matos se uniu a dois colegas do curso de Ciência da Computação, Luís Henrique Delgado e João Paulo Luna para promover, através de sua ideia, um espaço público mais humana, para que as pessoas possam conviver e viver a cidade. 

Ainda em 2015, o Biciflow foi apresentado no Startup Weekend Recife, sendo um dos mais votados para serem desenvolvidos. A partir daí, a iniciativa foi levada para a disciplina “Projetão”, voltada para o desenvolvimento de projetos criativos e inovadores. “Através das técnicas de design thinking, a gente foi atrás de ciclistas, fez entrevistas, viu quais problemas eles tinham. Caímos no problema da sensação de insegurança”, comenta Luís Henrique, um dos alunos desenvolvedores. Depois de ser aprimorado no espaço de coworking do CIn, Pitch, atualmente, o projeto também conta com o apoio financeiro do Programa CASA Cidades, uma realização do Fundo Socioambiental Casa, em parceria com o fundo socioambiental da Caixa Econômica Federal e a Fundação OAK. 

Para propor soluções, o grupo realizou novas pesquisas, descobrindo em uma delas que aproximadamente 70% dos ciclistas entrevistados se sentiam mais confortáveis quando pedalavam em grupo, completa Luís Henrique. “Quando comecei a pedalar, sentia falta de companhia para me sentir mais seguro, seja para ir a um lugar mais distante, um lugar que eu não conhecia ou mesmo para encontrar a melhor rota para aquele destino. A proposta do aplicativo é justamente encontrar, criar e compartilhar essas rotas e para que as pessoas possam oferecer mais segurança umas pras outras, gerando empoderamento para o ciclista”, explica Igor Matos. 

Na primeira tela, o usuário poderá visualizar as rotas próximas a ele e verificar informações como elevação do trajeto, distância, o horário em que outros ciclistas realizam aquele percurso, quem criou a rota e os participantes dela. “É possível analisar aos internautas analisar se as rotas são seguras ou não, pode visualizar os comentários de outras pessoas em relação a cada trajeto e fazer seus próprios comentários. O software também permite a navegação e o compartilhamento com outros aplicativos”, afirma Matos.

O login do app pode ser feito através da conta de alguma rede social e também é possível pesquisar rotas disponíveis a partir de determinado ponto de partida e/ou destino. 
Para Igor Matos, que também é ciclista, o aplicativo também pretende estimular aqueles que ainda não utilizam a bike como modal por medo, diante dos perigos enfrentados em contextos marcados pela ausência de estrutura cicloviária ou pela falta de respeito no trânsito. Objetiva, assim, aumentar o número de pessoas utilizando a bicicleta como meio de transporte, de modo a lhes proporcionar segurança e empoderamento, incentivando a cultura da bicicleta na mobilidade urbana.

“A mobilidade no Recife é centrada nos automóveis particulares e isso a gente já sabe que não funciona, pois quanto mais espaço der para o carro, mais carros teremos. Temos que diversificar e focar nos meios alternativos, principalmente oferecer melhores condições para o pedestre e ciclista. E assim, é preciso ressaltar que a tecnologia é fundamental mas sem o poder público sem estar atuando na resolução do problema, que é democratizar o espaço público, todas as iniciativas serão paliativas. E por isso nosso software pode contribuir no fomento de políticas públicas, a partir da sugestão dessas rotas criadas”, completa o estudante. 

PRIVACIDADE - Sempre pensando na segurança do ciclista e do usuário, o aplicativo Biciflow também criou outras funções. A fim de dar mais privacidade ao usuário, é possível criar rotas privadas, como por exemplo, com grupos só de amigos e conhecidos ou só de mulheres. Para a engenheira química e de segurança do trabalho, mestranda em engenharia ambiental Cristiane Crespo, 43 anos, essa função é importante pois para as mulheres o item “segurança” está atrelado a outros fatores, como a questão da integridade feminina e do respeito. O Biciflow, previsto para ser lançado esta próxima semana, estará disponível em todo o território nacional. 

“No meu caso, acho que o aplicativo é importante, desde que eu conheça as pessoas que vão compartilhar comigo aquela rota, uma espécie de rede social de deslocamento. Para mim, isso vai contribuir no quesito segurança. Porque de certa forma, já fazemos isso através de redes sociais”, comenta Cristiane, que usa a bicicleta como modal principal. Com a possibilidade de link com outras redes sociais e de visualizar as discussões nas rotas, via login, ela disse que é importante para identificar quem está na plataforma, dando maior efetividade à questão da segurança. “Acho que para quem está começando a fazer da bicicleta seu transporte diário e tem medo de andar sozinho já é uma ótima ferramenta”, completa Crespo. 






Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.