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EDUCAÇÃO Como desmistificar a matemática no dia a dia Simpósio Brasileiro de Psicologia da Educação Matemática, que será sediado no Recife nos dias 30 e 31 de maio, discutirá o tema na educação básica

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 20/04/2019 08:30 Atualizado em: 22/04/2019 15:59

Professora de psicologia cognitiva, Alina Spinillo fará a abertura do simpósio de matemática. Foto: Tarciso Augusto/Esp.DP.
Professora de psicologia cognitiva, Alina Spinillo fará a abertura do simpósio de matemática. Foto: Tarciso Augusto/Esp.DP.
O maior temor da semana de provas. Grande ameaça à hegemonia azul dos boletins. Para muitos estudantes, das mais diversas faixas etárias, é este o papel que a matemática ocupa durante o período escolar. Cada vez mais, entretanto, há uma busca no meio acadêmico para que essa aprendizagem seja menos “traumática”. E que se enriquece quando há a combinação entre atividades escolares e realizadas em casa com instituições de ensino e familiares atuando em conjunto.

Alina Spinillo, professora titular da Pós-Graduação em Psicologia Cognitiva da Universidade Federal de Pernambuco explica que, de acordo com a faixa etária do estudante, atividades rotineiras podem incentivar o desenvolvimento do seu raciocínio matemático e gerar aproximação com o assunto. Dentre elas, por exemplo, elaborar ou acompanhar a produção de uma receita culinária, medir objetos e distâncias entre eles, participar de situações de compras e pagamentos, preencher cheques, observar números das residências, acompanhar os pódios de campeonatos diversos. “Em casa, as coisas acontecem de forma espontânea, informal, mas o ambiente familiar está cheio de atividades matemáticas. Muitas vezes, as crianças acham a matemática chata, um assunto que diz respeito apenas à escola, ou têm a ideia equivocada de que é destinada apenas a pessoas ditas mais inteligentes, o que não é verdade”, explica Spinillo.

Na realidade, de acordo com o que Alina informa, a matemática, além de estar presente nas atividades do dia a dia, é também uma habilidade a ser desenvolvida. Ela faz parte da vida das pessoas independentemente da sua idade ou classe social. “Como qualquer outra habilidade, as pessoas têm a possibilidade de desenvolvê-la. Toda criança, se for respeitado seu desenvolvimento cognitivo, pode ter avanços fantásticos, desde que fornecidos desafios que desenvolvam cada vez mais seu raciocínio, formas de pensar mais sofisticadas e a capacidade de resolver problemas, para que ela progrida. Quando o ensino vai muito além, a pessoa se frusta e sente aversão ao tema. E, se for aquém, sente que não há acréscimo ao seu conhecimento. “Por isso, há a necessidade de que o conteúdo e as formas de ensinar sejam adequados à faixa etária e nível de desenvolvimento cognitivo do estudante, mas que tragam desafios que instiguem o raciocínio, que o leve a pensar fazer novas descobertas”, detalha a especialista. 

É importante conhecer o percurso do raciocínio da criança frente aos conhecimentos matemáticos, o que pode fornecer subsídios para se identificar seus limites e, assim, propor situações didáticas que possam auxiliar na superação dessas dificuldades e desenvolver formas de racionar. Estas situações, sobretudo nos anos iniciais da escolaridade, precisam estar associadas a situações matemáticas que acontecem fora da escola. “Com este conhecimento, é possível ensinar de uma forma mais proveitosa e lembrar que muito do aprendizado no campo da matemática ocorre em situações corriqueiras como fazer uma vitamina, medir o tamanho de um quarto para analisar se cabe determinado móvel lá dentro, ir pagar algo na venda da esquina. Situações informais que levam o indivíduo a pensar matematicamente. Atividades matemáticas ocorrem sempre, em todos os lugares e, inclusive, em atividades lúdicas: jogos, videogames, baralhos”, explica. 

Sobre diferenças entre gêneros no aprendizado da matemática? “Isto é algo que compete mais ao campo das neurociências, mas percebo, em minhas leituras, que é algo muito mais associado às experiências culturais do que propriamente a um fator biológico”, revela.

Atividades para estimular o raciocínio matemático:

- Produzir uma receita culinária
- Medir objetos e distâncias entre eles
- Simular situações de compras e pagamentos
- Preencher cheques
- Observar números das residências
- Acompanhar posicionamento dos pódios de campeonatos esportivos
- Medir o tamanho de um quarto para analisar se cabe determinado móvel lá dentro
- Pagar contas na venda

Dois dias para estimular ideias e melhorar o raciocínio dos estudantes

O fato é que aprender matemática continua sendo um grande desafio para estudantes de diversos segmentos escolares, em especial no ensino fundamental que é a base para o domínio de conhecimentos mais complexos na área. Por isso, há a realização de esforços no sentido de promover e atualizar discussões sobre temas essenciais para o desenvolvimento do raciocínio matemático dos estudantes. Esses debates estarão no centro das discussões do 4ºSimpósio Brasileiro de Psicologia da Educação Matemática (SBPEM) que será realizado em Recife, no auditório do CCEN – UFPE, nos dias 30 e 31 de maio. O objetivo geral é discutir a contribuição da Psicologia para a Educação Matemática no que tange a um ensino de qualidade na educação básica. A meta é tornar significativa a aprendizagem dos estudantes, com impacto em seu desenvolvimento pessoal e em sua inserção social.

Em sua quarta edição, o simpósio chega pela primeira vez a Pernambuco. Já foi realizado no Paraná, por das vezes, e na Bahia, em Ilhéus. Possui vagas para 150 pessoas e pretende discutir temas importantes e desafiadores para a educação matemática em uma perspectiva psicológica como sentido numérico, matemática para pessoas com Síndrome de Down, aprendizado de álgebra, dentre outros. Haverá seis palestrantes nacionais, de vários estados do país, e quatro internacionais, vindos de instituições como Escola Superior de Educação de Lisboa, Tufts University (EUA), Universidad de O’Higgins (Chile) e University of Oxford (Inglaterra). 

Dentre os temas discutidos: aprendizagem da matemática, a relevância do sentido de número; neurocognição de proporções e números racionais e ainda como a cultura promove o conhecimento matemática das crianças. O público-alvo são professores, pesquisadores, estudantes de graduação e de pós-graduação em educação, educação matemática e psicologia. As inscrições podem ser feitas https://sites.google.com/view/iv-sbpem/apresentação.

O evento tem o apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE), Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Psicologia (ANPEPP), Sociedade Brasileira de Educação Matemática - seção Pernambuco ( SBEM-PE) e Pró-Reitoria de Pesquisa da UFPE (PROPESQ).

PROGRAMAÇÃO DO SIMPÓSIO: 

30 de maio 2019

8h às 9h -  Credenciamento dos participantes

9h às 10h- Abertura: Alina Galvão Spinillo (UFPE)

10h às 11h30 -  Conferência 1: Aprendizagem da matemática: a relevância do sentido de número
Palestrante: Lurdes Serrazina (Escola Superior de Educação de Lisboa)
Coordenação: Ernani Martins dos Santos (UPE)

11h30 às 14h - Almoço

14h às 15h30 - Conferência 2: Cómo reimaginarmos el aprendizaje temprano de las matemáticas en los niños
Palestrante: Bárbara Brizuela (Tufts University)
Coordenação: Síntria Labres Lautert (UFPE)

15h30 às 16h -Intervalo

16h às 18h - Simpósio 1: Desafios da Educação Matemática: ensino de álgebra e raciocínio algébrico
Palestrante 1: Maria Tereza Carneiro Soares (UFPR)
Palestrante 2: José Aires de Castro-Filho (UFC)
Palestrante 3: Alessandro Jacques Ribeiro (UFABC)
Coordenação: Candy Marques Laurendon (UFPE)
18h30 às 20h30 - Reunião GT Psicologia da Educação Matemática (ANPEPP)

31 de maio 2019

9h30 ás 11h30 - Simpósio 2: Desafios da Educação Matemática: ansiedade à matemática, surdez e Síndrome de Down
Palestrante 1: João dos Santos Carmo (UFSCar)
Palestrante 2: Beatriz Vargas Dorneles (UFRGS)
Palestrante 3: Leo Akio Yokoyama (UFRJ)
Coordenação: Juliana Ferreira Gomes da Silva (UFPE)

11h30 às 14h - Almoço

14h às 15h30 - Conferência 3: Neurocognición de proporciones y números racionales
Palestrante: David Maximiliano Gómez (Universidad de O’Higgins)
Coordenação: Cláudia Roberta Araújo-Gomes (UFRPE)

15h30 às 16h -Intervalo

16h às 17h30 -  Conferência 4: Como a cultura promove o conhecimento matemático das crianças
Palestrante: Terezinha Nunes (University of Oxford)
Coordenação: Rute Elisabete de Souza Rosa Borba (UFPE)

17h30 às 18h - Encerramento




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