Vida Urbana
Foto: Sérgio Bernardo/Prefeitura do Recife./
O Pátio de São Pedro foi palco, na noite desta quarta-feira (20), do primeiro dia de apresentações do 10º Encontro de Baques de Caboclinhos, que está reunindo Ternos de Agremiações de Caboclinhos e Tribos de Índio. O evento, que é gratuito e aberto ao público, reuniu turistas, famílias, grupos de amigos e admiradores do caboclinho enquanto manifestação cultural. Nesta quinta-feira (21), a partir das 19h, mais dez grupos se apresentam no palco do Pátio de São Pedro.
Na festa , se reuniram apenas os integrantes dos 'Ternos', os núcleos musicais das agremiações que relembram os povos indígenas. Baque ou terno é o segmento do Caboclinho que reúne surdo, caracaxás (ou maracás ou exeres) e a inúbia (flauta ou gaita), que dão ritmo às preacas (arco e flexa). O baque pode ter ainda ter atabaque e caixa. O ‘baque’, ‘terno’ ou ‘tocadores’, denominações dadas ao grupo musical, é constituído comumente de três a quatro pessoas, sempre do sexo masculino. Há grupos que utilizam os instrumentos gaita, tarol (também conhecido como surdo ou bombo) e caracaxás (ou mineiro).
“Há oito anos me apresento pelo Caboclinho 7 Flexas. Ele foi muito importante na minha vida porque foi através desse ponto cultural que sair das ruas, deixei o mundo das inconsequências e procurei a cultura. Para mim, é um prazer estar brincando no carnaval, neste grupo que é uma das grandes tribos do estado”, disse o autônomo e um dos brincantes, Wilton Miranda, 30 anos.
Além do 7 Flexas, se apresentaram nesta quarta o Caboclinhos Tupinambás do Recife, Tupã, Cahetés de Goiana, Caetés de Camaragibe, Arapahós, Kapinauwá, União 7 Flexas, Tribo de Índio Tupi Nambá e a Tribo Indígena Papo Amarelo. Nesta quinta, sobem ao palco o caboclinhos Potiguares, Canindé do Recife, Tupynambá, Carijós do Recife, Tapirapé, Tribo de Caboclinhos Canindé (Cavaleiro), Tribo de Caboclinhos Tupi, Tribo de Índio Tabajara de Goiana, Tribo Indígena Tupi Guarani (Olinda) e a Tribo de Índio Canindé de Camaragibe (Caboclinhos Canindé de Camaragibe).
A antropóloga carioca Clarice Kubrusly, 38 anos, há 20 anos vem a Pernambuco para assistir apresentações de caboclinhos, manifestação cultural que ela disse ser apaixonada. Para o Pátio de São Pedro, trouxe o filho de três anos para ver o espetáculo. “Moro em São Paulo e pesquiso sobre religião. E embora não seja minha área de pesquisa propriamente dita, sou apaixonada por caboclinho. E o Pátio de São Pedro é um polo de resistência afro indígena e por isso sempre que estou no Recife, venho aqui. Mas também vou a apresentações de caboclinhos em Chão de Estrelas e em Goiana”, confessou a antropóloga.
Na próxima quarta-feira, dia 27 de fevereiro, a Rua da Moeda e a Praça do Arsenal também sediam o encontro de caboclinhos e tribos de índios, que vão fazer suas evoluções para a multidão.
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