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Turistas dão vida aos bonecos gigantes no Alto da Sé

Experiência de carregar os famosos personagens do carnaval de Olinda, como o do cantor e compositor Jackson do Pandeiro, pode ser feita no Alto da Sé

Publicado em: 21/12/2018 09:06

Paulo Lacerda, de Sergipe, teve seu dia de bonequeiro nas ruas da Cidade Alta. Foto: Leo Malafaia/Esp.DP
Paulo Lacerda, de Sergipe, teve seu dia de bonequeiro nas ruas da Cidade Alta. Foto: Leo Malafaia/Esp.DP ()
O turista Paulo Lacerda, 41 anos, experimentou, pela primeira vez, conduzir um boneco gigante em um pequeno percurso, no Alto da Sé, em Olinda. Foram poucos minutos equilibrando a réplica do músico Naná Vasconcelos sobre a cabeça, com o auxílio das mãos, mas o suficiente para mudar sua ideia sobre o trabalho das pessoas que dão vida a um dos principais símbolos do carnaval olindense. Assim como Paulo, outros turistas e moradores do estado poderão passar pela mesma vivência, ofertada na Casa dos Bonecos Gigantes. A ideia é promover o turismo de experiência, algo comum em outras partes do mundo, mas ainda pouco explorado na Cidade Patrimônio da Humanidade.

Para Paulo, a experiência valeu. “Percebi que é preciso ter muito equilíbrio. Essa é a parte mais difícil. A gente olha os bonecos gigantes no meio da multidão e acha que é fácil. Reconheço que os bonequeiros são verdadeiros heróis do carnaval”, disse o turista, que mora em Aracaju, Sergipe, e visitou Olinda com a mulher e o filho.

Por vinte minutos, o turista experimenta carregar o boneco, vestir a roupa do personagem e caminhar na rua, com direito a rodopios com o gigante sobre a cabeça. Antes disso, recebe orientações de um bonequeiro sobre equilíbrio, postura, interferência do vento e outras técnicas. No final, o visitante ainda ganha um certificado de bonequeiro. Para participar, o interessado precisa desembolsar R$ 25. O preço é o mesmo para as crianças, que poderão se vestir com os bonecos mirins.

“O turismo de experiência vem crescendo ao redor do mundo. A ideia é sair um pouco do contemplativo, de tirar fotos de paisagens e monumentos, por exemplo, para fazer uma experiência com a cultura de outros países. Os bonecos são símbolo do carnaval da cidade e até já participaram da abertura das Olimpíadas”, explicou Victor Castelo Branco, da Associação dos Empreendedores do Sítio Histórico de Olinda (Aesho).

Além de passar por uma experiência diferente, o visitante da Casa dos Bonecos Gigantes pode perder uns quilos caso queira se aprofundar na técnica de bonequeiro. No dia do cortejo dos gigantes, por exemplo, na terça-feira de carnaval, um bonequeiro chega a perder dois quilos. E os responsáveis pela casa vão disponibilizar bonecos específicos para os turistas vivenciarem a experiência de carregá-los. Outra ideia é instalar uma corda de aço em meio a duas árvores para viabilizar a mesma experiência para pessoas com problemas de coluna e claustrofobia. “A tarefa pode parecer difícil, mas não é. É preciso equilíbrio, principalmente”, explicou André Vasconcelos, bonequeiro e filho de Sílvio Botelho, idealizador desse símbolo da folia olindense.

A Casa dos Bonecos Gigantes, no Alto da Sé, costuma ser visitada por estudantes, que podem ter no contraturno escolar a possibilidade de um maior contato com os bonecos, com o frevo e com outros tipos de informações ligadas à cultura da cidade. Atualmente o visitante paga R$ 10 para visitar o espaço, mas quando são alunos de escolas públicas têm acesso gratuito, desde que a escola apresente ofício.

Curiosidades
Criada há dois anos, a Casa dos Bonecos Gigantes tem alguns bonecos curiosos feitos por Sílvio Botelho e sua equipe. O boneco mais pesado e alto, por exemplo, é o de Luiz Gonzaga, com 49 quilos e quatro metros de altura quando colocado na cabeça do bonequeiro. O Menino da Tarde, que é filho do famoso Homem da Meia Noite com a Mulher do Dia, foi primeiro confeccionado por Sílvio Botelho. Na época, em 1974, o mestre dos bonecos tinha apenas 17 anos.

O Jackson do Pandeiro também traz um significado histórico. Na história dos bonecos, ele foi o primeiro a participar de uma entrega de prêmio, o Sharp de Música, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1997. O Parou por quê é um dos bonecos mais antigos do museu, da época em que eles eram confeccionados com papel machê e isopor. “O material usado passou a ser fibra de vidro, para trazer mais leveza aos gigantes”, explicou André, responsável pelo espaço junto com Ronald Montenegro, Josenildo Bezerra e Sílvio Botelho. Os bonecos mais novos medem cerca de três metros de altura e pesam de 13 a 15 quilos, enquanto os  primeiros pesavam até 50 quilos.
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