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Mãe diz que jovem que anunciou empregos em shopping no Cabo tem transtornos psicológicos

Vitor chegou a dizer que construiria o shopping com 320 lojas em 22 horas. Com isso, entraria para o Guiness Book como responsável pela obra mais rápida

Publicado em: 20/11/2018 21:15 | Atualizado em: 20/11/2018 21:48

Foto: Reprodução/Pixabay
Sem emprego, milhares de pessoas, algumas do interior do estado, caíram em uma fantasiosa promessa de vagas em um shopping que, na verdade, nunca sairia do papel, na BR-101, no Cabo de Santo Agostinho. A mentira veio à tona no final do dia desta terça-feira, quando a família de Vítor Elias, 22 anos, o responsável pela oferta de emprego, afirmou que o jovem tem transtorno psiquiátrico. A Polícia Civil registrou um boletim de ocorrência após ser procurada pela prefeitura do município. No entanto, não reconheceu crime no ato de Vítor. As vagas eram para eletricista, encanador, pedreiro, servente, gesseiro, vendedor, estoquista, pintor e auxiliar administrativo.

“Documentos comprovando que ele possui transtornos psicológicos foram apresentados pela mãe. Para nós, não houve crime. Mas se alguém se sentir lesado por ele deve procurar a Justiça e mover uma ação cível”, ressaltou o delegado Mamedes Oliveira. Diante da multidão ávida para entregar os currículos, a Polícia Militar foi chamada para conter um princípio de tumulto. Vitor chegou a dizer que construiria o shopping com 320 lojas em 22 horas. Com isso, entraria para o Guiness Book como responsável pela obra mais rápida. O centro seria inaugurado em 1º de dezembro.

Segundo depoimento de Rosângela Maria da Silva Santana à polícia, o filho dela sofre de transtorno bipolar. “Ele cria as coisas e achou que poderia construir um shopping.” O jovem divulgou em redes sociais que faria, nesta terça, o recrutamento de pessoas para trabalhar no Shopping Palladium do Cabo de Santo Agostinho. A notícia levou mais de 4 mil pessoas a área de distrito industrial do Cabo pela manhã.

Rosângela contou que o filho fazia tratamento psiquiátrico desde dezembro de 2015, quando ela procurou o Centro de Atenção Psicossocial do Cabo para ajudar Vitor. “Ele deixou o tratamento e foi morar sozinho. Não sabíamos de nada até ter conhecimento pelos noticiários”, declarou a mulher. “Ele de fato acreditava que conseguiria fazer o shopping. Não houve nenhum crime. Vitor não queria prejudicar ninguém. Apenas ajudar as pessoas a ter um trabalho”, completou. A mãe de Vitor disse que ele já teve ideias antes, mas nunca nessa dimensão e que levará o filho para retomar o tratamento psicológico

O delegado acredita que os colaboradores, como segurança, psicólogos e que integravam a equipe de recrutamento, também foram envolvidos por promessas. Segundo a polícia,Vitor conseguiu conquistar a confiança do responsável pela segurança da área onde supostamente seria construído o Shopping Palladium, dizendo que queria conhecer o local. Depois, divulgou nas redes sociais o chamado para o processo de seleção para vagas de emprego.

A assessoria de imprensa da prefeitura disse que procurou a polícia porque foi citada por Vítor. Em entrevistas, o jovem disse que deu entrada na Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente com o projeto do empreendimento, o que não era verdade. A lei do uso do solo do município classifica a área como distrito industrial, ou seja, não poderia receber um empreendimento como um centro de compras.

A Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) confirmou que o local do falso shopping está inserido no Distrito Industrial implantado pela agência na década de 1960. “Porém, o lote em questão se trata atualmente de área privada destinada a empreendimentos econômicos, sob controle do Poder Público Municipal. Ademais, a AD Diper sequer foi consultada por parte dos investidores a respeito do empreendimento em questão”, diz a nota.

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