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Bebê renasce quase por um milagre: é Páscoa

Esta é a história de João Gabriel, que foi ressuscitado e que dará vida nova à família Gil Rodrigues

Publicado em: 15/03/2018 07:28 | Atualizado em: 15/03/2018 09:31

Ontem, pela primeira vez, João Gabriel tomou o leite materno como alimentação exclusiva. Foto: Teresa Maia/DP (Foto: Teresa Maia/DP)
Ontem, pela primeira vez, João Gabriel tomou o leite materno como alimentação exclusiva. Foto: Teresa Maia/DP (Foto: Teresa Maia/DP)


O relógio da maternidade marcava 4h30. Roberta Kelly chegou acompanhada pelo marido em um desespero familiar daqueles que ninguém espera vivenciar. O casal já havia perdido uma filha, também no final de uma gestação - e essa dor não se esquece. Enquanto vomitava e sentia dores, ela enfrentava o temor de passar pelo mesmo drama. Pressão alta, urina escura, a suspeita era de que haveria descolamento da placenta. “Não escuto o batimento do bebê”, disse o obstetra Glaucius Nascimento, que tem por hábito andar com um equipamento de ultrassom portátil. “De novo não! Não estou acreditando”, gritou Roberta no corredor do Hospital Memorial São José, no Recife. 

Roupa rasgada no corredor, parto iniciado sem que o efeito da anestesia fosse constatado. Não havia tempo. Médicos e enfermeiras a cercaram de manobras e esperanças. Inicia-se o procedimento. “Meu Deus, tenha misericórdia, tenha misericórdia”, apelava consigo, no seu silêncio mental, Nadja Pereira, pediatra das mais experientes e uma católica devota. “Nessas horas, uso minhas mãos, mas nunca esqueço da ajuda da mão Dele”. Falando assim, parece que se passaram horas. Foi um punhado de segundos. “Mas sempre dá tempo de eu pedir”, diz ela.

Para os médicos, o bebê tinha morte aparente. “Havia muita gente lá. Ainda bem porque, contando, poderiam não acreditar”, pensa Nadja. João Gabriel renasceu. Foi ressuscitado. Respirou bem, como não se esperava. Estava com 34 semanas e dois dias de vida, passou quase oito meses crescendo e sendo gestado, pesava pouco menos de dois quilos e ganhou 7 (em seguida 9) de Apgar - uma nota importante que soma os sinais vitais do recém-nascido assim que deixa o útero da mãe. Ontem, pela primeira vez, João Gabriel tomou o leite materno como alimentação exclusiva. Está a poucos dias de receber alta médica da UTI, segundo José Henrique, o médico neonatologista que o acompanha agora. “O bebê respira bem sem aparelhos e vai ficar uns cinco dias na UTI só para ganhar peso”.

Para a família Gil Rodrigues, a Páscoa chegou antes do tempo. O que salvou João Gabriel? O diagnóstico “superprecoce” (palavra dos colegas especialistas) de parada dos batimentos cardíacos por parte do obstetra e a agilidade da equipe médica que operou em zona de guerra. “Acho que aconteceu algo milagroso que salvou meu filho”, definiu João Gabriel Gil Rodrigues, o pai. “Vou lhe dizer uma coisa: eu acho que doutor Glaucius tem uma missão na vida. Nunca vi um médico tão decidido e rápido para tomar uma decisão. Sou muito agradecido e eu posso falar sobre esse assunto porque tivemos uma experiência anterior ocorrida”, completou, referindo-se à sua primeira filha, Gabriela, que faleceu antes de nascer. João é o terceiro filho. Sofia tem quase três anos e está em casa à espera do irmão.

Glaucius também acredita no sobrenatural em torno de si conduzindo-o para situações que guardam semelhanças. Em janeiro de 2017, ele passara por um parto histórico, raríssimo, quando estava de plantão e atendeu Michele Santiago, grávida de Maísa. Michele teve uma parada e passou 10 minutos sem sinal de vida, foi resgatada e sobreviveu junto com a filha. Foi um caso em 30 mil outros casos normais. Notícia internacional. “Dizem que o raio não cai duas vezes na mesma pessoa. Não são iguais, mas o que vivi com João Gabriel me faz pensar que o raio cai, sim, duas vezes sobre alguém”.

João Gabriel um dia saberá que foi às vésperas de uma Páscoa, meados de um período de Quaresma, que ele nasceu e elevou o debate sobre a presença Divina e suas misericórdias.
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