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Diario Urbano: Contrastes da praça
Você conhece a Praça Pinto Dâmaso, na Várzea?
Publicado: 19/02/2018 às 17:33
Um punhado de zelo teria amenizado a degradação e desarmonia do entorno da Praça Pinto Dâmaso. No entorno da praça, mais conhecida por Praça da Várzea, imóveis de antigas e recentes arquiteturas são vizinhos ou separados por meia dúzia ou dúzia e meia de passos. O velho alpendre, com telhas cerâmicas, de um templo evangélico se diferencia da cobertura de alumínio de um ponto comercial. A distância entre os dois é inferior a vinte metros. Separação não existe entre a estrutura corrediça do portão de um lava-jato e a parede de uma das casas mais antigas da Pinto Dâmaso. Estão coladas. O letreiro da casa, de uma loja que ali funciona, encobre os desenhos em alto relevo da parte da superior de duas portas, enquanto o letreiro do lava-jato mede duas ou três vezes o tamanho da publicidade da casa. A qualidade das calçadas dos imóveis também os diferencia. À frente da casa, lajotas, e do lava-jato, uma barraca de madeira. Ela ocupa dois terços ou mais da calçada. Barracas são comuns nas calçadas de três dos quatro lados da praça. Escapou da invasão somente o extremo da Escola Estadual Cândido Duarte. Catorze delas ocupam a calçada de um hospital desativado, o Magigot. Escondem as grades, as paredes e os jardins da extinta unidade de saúde. Cumprem o mesmo desserviço das placas de uma gráfica, que fazem sumir detalhes da fachada cor de rosa, o que é lamentável, seja pela beleza do sobrado seja pela ausência de medidas protetivas do entorno da praça. Nem tudo está perdido. Há exemplos de preservação: chalé que abriga a igreja evangélica, a casa 142, de características modernas, e o casarão onde funcionou uma clínica psiquiátrica Em restauro, o casarão sinaliza para um resgate possível do patrimônio da Várzea.
Senhoras da Várzea
Trinta palmeiras-imperiais, em fileiras para dar a ideia de cortina em torno da praça, estão nos dois blocos da Pinto Dâmaso, cortada ao meio para permitir a passagem dos ônibus. Existe uma parada entre os dois blocos. No bloco maior, 22 palmeiras se perfilam em duas linhas. São 11 em cada fila. As outras oito palmeiras ficam no bloco menor da praça e menores se confundem com as copas das mangueiras, fícus e oitizeiros.
Unidade pioneira
Dos prédios da Praça Pinto Dâmaso, o do Hospital Magigot se encontra no pior estado. Está em ruínas. Portas e janelas do edifício de dois pavimentos foram roubadas ou se deterioram. O piso do andar superior ruiu, restando algumas linhas de madeira. Nos jardins, o lixo se acumula. Em uma das paredes externas, uma placa descreve os serviços prestados pelo hospital, o primeiro especializado em odontologia da América do Sul.
Registro na fachada
O brasão no topo das ruínas do Hospital Magigot informa que a inauguração do prédio ocorreu no dia 27 de maio de 1905. Com um terreno amplo e propriedade do município, a Prefeitura do Recife pretende transformar o lugar em mercado público para abrigar os comerciantes do entorno da praça. O projeto do restauro esbarrou na crise econômica. Seria prioridade para 2015, mas continua no papel. E a degradação avança.
Autor dos jardins
Burle Marx é autor do projeto de ajardinamento da Praça Pinto Dâmaso, elaborado em 1936. A ideia do paisagista previa palmeiras-reais, substituídas pelas palmeiras-imperiais. Além das palmeiras, Burle Marx planejou o plantio de mangueiras, fícus e oiti-da-praia. Nem tudo que ele previu foi executado. A praça, se respeitada o projeto original, contaria com um coreto, um lago central com fonte e um caramanchão.
Espécies estranhas
Os baobás integram a lista de espécies estranhas ao projeto de ajardinamento de Burle Marx. São dois. Entre as estranhas, aroeira e pau-brasil. O mais velho dos boabás, segundo moradores da Várzea, tem mais de 40 anos. “Vi esse boabá pequeno e cresci com ele”, revelou Elizângela Maria da Silva, 38. Diariamente, a moradora caminha e participa das atividades da academia na praça. Ela toca o baobá todos os dias.
Peças a trocar
Boas praças pedem bancos. E a Praça da Várzea dispõe de dezenas, de concreto e de madeira. É bom o estado de conservação dos bancos de concreto, com alguns apresentando pequenas rachaduras. Não se pode dizer o mesmo dos bancos de madeira. Faltam peças em nove dos 12 existentes, o mesmo que ocorre com o gradil de proteção da praça. Em frente à Escola Cândido Duarte, as grades sumiram.
Resta a rua
Para os pedestres, difícil é o acesso à praça pela Avenida Afonso Olindense. Nos pontos mais perto da Pinto Dâmaso, não há calçadas na avenida. Estão ocupadas por quiosques e ambulantes.
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