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HAM participa de projeto piloto no combate à mortalidade materna

Unidade é a primeira do país a receber treinamento especializado

Publicado: 27/03/2017 às 07:55

Referência em partos de alto risco em Pernambuco, com cerca de 350 procedimentos por mês, a maternidade do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) será a primeira do país a participar de um projeto piloto para a redução da mortalidade materna. A iniciativa é do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o laboratório internacional Merck Sharp & Dohme (MSD).

"Fomos selecionados para começar este projeto e o plano é expandir para outras unidades de saúde do país. Sendo um serviço de referência de alta complexidade com atendimento às gestantes de alto risco, o intuito é capacitar e promover nesses profissionais um raciocínio clínico mais rápido no atendimento às complicações obstétricas, assim como aperfeiçoar o acolhimento às grávidas", comenta a gerente de qualidade do Hospital Agamenon Magalhães, Marta Baudel

Nesta terça-feira, uma equipe de 40 profissionais participa, no Centro de Simulação Realística do hospital, em São Paulo, da segunda turma do treinamento especializado para médicos obstetras, obstetrizes e enfermeiros. A primeira turma, também com 40 profissionais do mesmo perfil, recebeu treinamento na terça-feira passada. A partir da capacitação dos 80 profissionais da maternidade, serão estabelecidos novos protocolos de atendimento na unidade de saúde, possibilitando um melhor atendimento às gestantes de alto risco.

O treinamento ocorre por meio aulas teóricas e simulações com robôs para a aplicação de técnicas, procedimentos e protocolos para evitar a morte materna. A equipe do Centro de Simulação Realística prepara cenários onde acontecem simulações de sepse (infecção) em obstetrícia e pré-eclâmpsia (hipertensão arterial) e acompanham a atuação comportamental dos supostos pacientes. Além disso, os alunos assistem, por meio de práticas monitoradas, ressuscitação cardiopulmonar na gestante, tromboembolismo pulmonar, hemorragia pós-parto, além da criação de protocolos em obstetrícia.

O acordo de cooperação entre os hospitais foi firmado em setembro de 2016, durante encontro na capital paulista. O trabalho teve início por meio de um diagnóstico da instituição pernambucana, com o intuito de identificar possibilidades de melhoria na assistência e fluxos de trabalhos que tivessem impacto direto na redução de mortalidade materna. A partir desse diagnóstico, as ações foram desenvolvidas em quatro pilares principais: capacitação de profissionais, gestão, estabelecimento de fluxos e identificação de fatores adicionais de impacto.

A maternidade do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) contribui de forma importante com a Rede Materno Infantil de Pernambuco. Entre os anos de 2010 e 2013, houve um incremento de 67% na quantidade de partos de alto risco realizados pela instituição. A unidade participa, desde 2015, do Projeto Parto Adequado, fruto de uma parceria do Ministério da Saúde, do Institute for Healthcare Improvement (IHI) e do Albert Einstein, para incentivar o parto normal em maternidades públicas e privadas de todo o País. O HAM foi o único hospital público do Estado selecionado. Com isso, o HAM conseguiu ampliar o número de partos vaginais realizados na unidade entre mulheres em primeira gestação. Até o início de 2015, a taxa de partos normais realizados dentro desse grupo era de 26,8%. Atualmente, esse número já ultrapassa os 53%.
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