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Chuvas

Famílias desalojadas, ilhadas e vias alagadas nesta terça-feira no Grande Recife

No Recife, foram registrados 106 casos de deslizamentos de barreira sem vítimas. Em Campina do Barreto, famílias estão desabrigadas após o transbordamento do Rio Morno

Publicado: 10/05/2016 às 07:51

Na Rua Nossa senhora de Fátima, em Jardim São Paulo, alagada, um carro quebrou ao tentar atravessar a via por volta  das 6h Foto: Nathalie Oliveira/ Facebook/

Na Rua Nossa senhora de Fátima, em Jardim São Paulo, alagada, um carro quebrou ao tentar atravessar a via por volta das 6h Foto: Nathalie Oliveira/ Facebook/

Na Rua Nossa senhora de Fátima, em Jardim São Paulo, alagada, um carro quebrou ao tentar atravessar a via por volta  das 6h Foto: Nathalie Oliveira/ FacebookApesar de o alerta meteorológico da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) prever a possibilidade de chuvas de moderadas a fortes até as 11h desta terça-feira, o dia começou com uma trégua nas precipitações, mas com tempo nublado. Os transtornos, no entanto, continuam. Em Olinda, muitas pessoas continuam ilhadas nos bairros de Jardim Brasil e Jardim Fragoso, sem condições de sair de casa. No Recife, foram registrados 106 casos de deslizamentos de barreira que não deixaram vítimas, mas muitas pessoas desalojadas, como acontece nos bairros de Dois Unidos e Cajueiro, na zona Norte da cidade. Em Campina do Barreto, vinte e uma famílias também estão temporariamrente desabrigadas após o transbordamento do Rio Morno. As pessoas foram levadas para a Escola Municipal de Água Fria.

Das 11h de segunda até as 8h de hoje, a Secretaria Executiva de Defesa Civil do Recife (Codecir) atendeu a 308 ocorrências relacionadas às chuvas e instalou cerca de 70 mil metros quadrados de lonas plásticas nas áreas de morro. Um sobrado na Rua da Glória desmoronou parcialmente e a Codecir também interditou um prédio vizinho, onde sete famílias foram orientadas a deixar o local, por conta do risco de desabamento.
Árvore continua caída na Rua Goes Cavalcanti, obstruindo a via no bairro do Parnamirim.
O trânsito também continua sentindo os efeitos das chuvas, como na Avenida Doutor José Rufino, no bairro de Areias e na Avenida Recife, no sentido Boa Viagem, próximo ao Ibura, que permanecem bastante alagadas. Uma árvore continua caída na Rua Goes Cavalcanti, obstruindo a via no bairro do Parnamirim. A Companhia de Trânsito e Transportes Urbanos (CTTU) orienta os motoristas a desviaram pela Rua Mizael Montenegro. Na Rua Nossa senhora de Fátima, em Jardim São Paulo, alagada, um carro quebrou ao tentar atravessar a via por volta  das 6h.
Avenida Recife, no sentido Boa Viagem, próximo ao Ibura, que permanece alagada. Foto: CTTU/ Divulgação
A chuva que começou a atingir a Região Metropolitana do Recife desde o domingo pode se tornar a maior dos últimos 30 anos, caso permaneça até hoje. Ontem, Olinda teve a maior precipitação da região, com 225 milímetros, ou 74% do esperado para o mês. Esse índice, registrado à tarde, ainda foi superado à noite e ficou em 243mm. No Recife, em 24 horas, choveu 185 milímetros, o equivalente a 17 dias de chuva para o mês de maio, que é de 328 milímetros. Segundo a Apac, as precipitações intensas devem seguir até a tarde de hoje, se reduzindo depois.
Na capital, a maior preocupação é com relação às áreas de morro, onde vive um terço da população. Com o nível de precipitação e o terreno encharcado aumentam os riscos de deslizamentos.

O prefeito Geraldo Julio criou um gabinete de monitoramento com diversos órgãos municipais, incluindo o gabinete de emergência, a Defesa Civil, Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) e diversas secretarias. O objetivo é minimizar os transtornos causados à população.

Somente na capital foram disponibilizados 1.263 servidores para atender a população. “O volume de chuva é desproporcional. Os alagamento existem em todas as cidades do mundo. Essa chuva está acima de qualquer projeto de engenharia para obras de drenagem. Técnicos do Recife consideram entre 70 e 80 milímeros em 12 horas como aceitáveis”, enfatizou o prefeito. Segundo o gestor, as zonas Norte e Sul têm áreas críticas, mas a chuva foi mais intensa na Zona Norte. “A Defesa Civil está em campo orientando os moradores em todas as áreas da cidade.”

Ontem, quem precisou sair de casa para trabalhar ou cumprir compromissos sofreu com os transtornos. A frentista Larissa Fernanda, 21 anos, teve dificuldades para chegar ao trabalho por causa do ônibus, que também ficou preso nos alagamentos. Já a vendedora Thaísa Patrícia, 20, que trabalha na Avenida Presidente Kennedy, Olinda, relatou que mesmo morando perto da loja onde presta serviço teve dificuldades para chegar ao trabalho. “Fica complicado se locomover. E ainda há risco de contrair alguma doença.”

O dia também foi difícil para os motoristas. A vendedora Vanessa Nascimento, que trabalha na Presidente Kennedy, presenciou o momento em que um carro ficou preso num buraco encoberto de água. Usuários do transporte público usaram os bancos das paradas para se protegerem. A UFPE e a UFRPE suspenderam as aulas ontem e também não terão atividades hoje. A Unicap suspendeu aulas ontem e fará o mesmo hoje, caso continue a chover.

A Prefeitura de Paulista instalou um gabinete de emergência para evitar desastres em 16 áreas de riscos. Jaboatão registrou 55 ocorrências, sem vítimas. Já a Prefeitura de Olinda informou que as principais vias ficaram alagadas. Os canais Ouro Preto e Fragoso transbordaram e as equipes colocaram máquinas nos pontos mais críticos.


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