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Remédios em falta na rede pública

Relatório do Conselho de Farmácia indica falhas no fornecimento. Secretaria de Saúde procura regularizar a situação

Publicado: 12/08/2015 às 17:41

Medicamentos serão repostos neste mês, de acordo com o estado. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press/

Medicamentos serão repostos neste mês, de acordo com o estado. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press/

Um relatório do Conselho Regional de Farmácia aponta falhas no fornecimento de 60% dos medicamentos que deveriam ser distribuídos na rede pública de saúde em Pernambuco. O conselho visitou 72 unidades - 12 farmácias do estado, 24 hospitais estaduais, nove hospitais sob gestão de organizações sociais, três hospitais universitários da UPE (Cisam, Procape e Oswaldo Cruz), 15 UPAs e nove UPAEs sob gestão de organizações.

O levantamento realizado entre junho e julho diz que o governo estadual não cumpre o repasse regular aos municípios para o custeio de medicamentos desde 2007 e que a empresa que faz a distribuição, Saúde Log, não tem licenciamento para o serviço. O documento, que aponta falta de 170 itens, entre remédios e outros artigos, será apresentado hoje à Secretaria Estadual de Saúde, na presença do Ministério Público Federal.

“Sem um farmacêutico, a Saúde Log não tem controle sobre as unidades que recebem os medicamentos ou se eles chegam onde há necessidade”, afirmou o presidente do conselho, Braulio César. O conselho também apontou déficit de 512 farmacêuticos na rede - atualmente, são 208.

“Meu irmão é transplantado há 10 anos e precisa de Azatioprina. Há quatro meses estamos indo na rede pública e repetem que está em licitação, sem previsão. Sem esse remédio o corpo do meu irmão rejeitará o rim que ele recebeu”, contou Jadeildo Silva, 41 anos. Ele também precisa de medicamentos fornecidos pela rede pública de saúde para tomar durante a hemodiálise.

“Meu irmão, que precisa desembolsar R$ 175 mensalmente, e eu sabemos que é complicada essa situação. Eu, por fazer hemodiálise, preciso de carbonato de cálcio, em falta na rede há três meses.”

A Secretaria Estadual de Saúde informou que reforçou o monitoramento do estoque e logística dos medicamentos da Farmácia de Pernambuco. Sessenta itens prioritários têm prazo de entrega até o fim de agosto. Os demais devem chegar em setembro. Sobre problemas estruturais na Farmácia Central, a secretaria informa que uma ampliação será concluída no segundo semestre. Também está em análise a descentralização, com a criação das unidades Metropolitanas Norte e Sul. A SES acrescentou que ampliou o acesso de usuários a medicamentos excepcionais, de dez mil beneficiados em 2014 para 39 mil hoje.
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