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Superação Os desafios da menina que se vestiu de sol Melissa Campello nasceu aos seis meses de gestação, condenada a ser um "vegetalzinho". Mas ela desafiou prognósticos e se forma este ano em direito

Por: Marcionila Teixeira

Publicado em: 15/03/2015 17:40 Atualizado em: 16/03/2015 22:36

 (Foto: Guilherme Veríssimo/Esp. DP/D.A Press)
No dia em que Mel vestiu-se de sol, a vida pareceu mais bonita. A emoção foi tão forte que saltou aos olhos, em forma de lágrimas. Ela tinha oito anos e estava em uma apresentação na escola. O tema era o sistema solar. Melissa, condenada desde bebê a viver como um “vegetalzinho”, comemorava a conquista. Pela primeira vez era chamada a participar de algo parecido. Nem sempre foi assim. Nos corredores escolares. Na vida. Melissa Campello, 23, segue desafiando prognósticos. Superando preconceitos.

Mel nasceu junto com a irmã, Nathália, em 14 de setembro de 1991. Prematuras, aos seis meses de gestação. O parto normal foi difícil e Mel foi a segunda a vir ao mundo, puxada a fórceps. Surgiu mais frágil que a irmã, com 900 gramas e 32 cm. Ainda com formação incompleta, minúscula. Colocada em uma UTI neonatal nos primeiros dias de vida fora do útero, sobreviveu. “Não posso esconder. Sua filha vai ser um vegetalzinho. Não vai enxergar, falar, muito menos reconhecer a mãe.” As frases, ditas à época por um médico, ecoam até hoje na cabeça de Josie Campello, 50 anos.

Ainda no hospital, Mel fez um movimento de sugar com a boca, algo que parecia impossível. Mais tarde, antes de completar um ano, piscou os olhos em resposta à mãe, que também piscava para a filha. O prognóstico do médico começava a dar errado. “Um dia, um neurologista chamado José Antônio Oliveira me disse: ‘crie sua filha como cria a outra. Nada de quarto rosa, quero tudo colorido, para estimular. O brinquedo vai ser uma lata com feijão dentro e as gelatinas serão de várias cores’”, lembra Josie.



Melissa tem paralisia cerebral, mas, ao contrário do que muitos pensam ao vê-la, não tem comprometimento cognitivo, apenas motor. Na escola, não conseguia escrever, então alfabetizou-se usando uma máquina de escrever, hoje substituída por um computador. No ensino médio, descobriu como a crueldade e o preconceito podem deixar marcas mais profundas que a própria deficiência. Era excluída dos trabalhos em grupo, vítima de zombaria por conta da fala, deixada para trás por se locomover com a ajuda de uma cadeira de rodas. “Um dia soltaram uma bomba na sala. Todos correram e me deixaram só. O estrondo foi tão forte que as janelas quebraram. Eu poderia ter me machucado”, lembra.

No final de 2010, Mel conquistou uma vaga na Universidade Federal de Pernambuco no tão sonhado curso de história. Descobriu que a instituição pública não dispunha de qualquer acessibilidade para uma jovem cadeirante como ela. A solução estava mais próxima que imaginava. Mudou de curso. Fez testes para direito em uma universidade particular da Zona Sul, a Guararapes, e passou. A unidade dispõe até de um Núcleo de Acessibilidade.

No final deste ano, Melissa se forma em direito. Pretende seguir a área cível ou prestar concurso. O tema de seu trabalho de conclusão de curso é A inclusão da pessoa com deficiência física no mercado de trabalho. Mel tem grandes chances de ser a laureada da turma.

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