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Vida Urbana
Folia tranquila

Nada de beijo forçado ou xixi na rua neste carnaval

De acordo com a Secretaria Estadual da mulher, vítima pode avisar sobre o assédio aos policiais nas ruas

Publicado: 16/02/2015 às 12:21

Brenda Lander, 21, estudante de psicologia, teme reação quando diz "não". Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press/Teresa Maia/DP/D.A.Press

Brenda Lander, 21, estudante de psicologia, teme reação quando diz "não". Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press(Teresa Maia/DP/D.A.Press)

Brenda Lander, 21, estudante de psicologia, teme reação quando diz "não". Foto: Teresa Maia/DP/D.A.PressNo período da folia de momo, são comuns os casos de assédio por beijo forçado, tanto em Recife e Olinda, focos mais populosos da festa, como em outros municípios da Região Metropolitana. O assédio que muitas vezes é considerado como brincadeira comum do carnaval, é crime, classificado como assédio sexual.

De acordo com a Secretaria Estadual da Mulher, o ‘’beijo roubado’’ ou forçado pode ser comparado ao assédio sofrido em ônibus e metrôs, quando há o constrangimento e o ato de forçar a algo em prol da satisfação do violador.

‘’A tentativa pode ser vista como abuso de poder, para exercer o papel determinado pelo gênero, legitimando o homem como mais forte perante a sociedade. O violador que tentar beijar a mulher a força pode cumprir penas alternativas, que variam de prestação de serviços comunitários a pagamento de fiança, bem como à própria reclusão’’, explicou a diretora da pasta, Bianca Rocha.

Ainda de acordo com a Secretaria, a vítima pode avisar sobre o assédio aos policiais nas ruas. Se conseguir identificar o violador no local, isso ajudará a Polícia Militar a realizar o flagrante, caso não consiga, é preciso registrar um boletim de ocorrência nas delegacias da mulher situadas em Olinda, Santo Amaro e Prazeres, ou em qualquer outra delegacia mais próxima. As delegacias da mulher funcionarão 24h.

Brenda Lander, 21, estudante de psicologia, conta que teme muitas vezes como sua resposta será recebida pelo violador, ‘’dependendo da situação, eu tenho medo de como a minha rejeição pode soar para ele. Com tantos absurdos que acontecem nas baladas, também por causa do assédio descontrolado, a mulher espera qualquer reação quando diz um não’’, comentou.

No carnaval de 2014, Brenda sentiu de perto a insegurança nas ladeiras de Olinda, de acordo com a estudante, seu namorado se afastou por alguns minutos para conversar com um amigo quando o episódio aconteceu.

‘’Bastou ele se afastar de mim para que surgisse um homem e começasse a me puxar. Eu fiquei o afastando, dizendo que não queria, até apontei para o lugar onde meu namorado estava e ele me deu outro puxavante para perto dele. Ele só desistiu quando meu namorado viu o que estava acontecendo e veio interferir. Tudo isso aconteceu às 17h30, num lugar bastante movimentado’’, contou.

Outra situação corriqueira do período carnavalesco, é o grande número de pessoas fazendo xixi em becos, ruas e portas de casas. Na Rua Bica dos Quatro Cantos, em Olinda, galhos e garrafas se acumulam durante o ano. No carnaval, latas, pedaços de vidro e embalagens de comida tomam conta da rua, além do mau cheiro provocado pela grande quantidade de foliões que faz suas necessidades fisiológicas a qualquer hora.

Vânia Avelar, trabalha como arquiteta no local há 15 anos e conta que mesmo com os banheiros químicos disponibilizados pela prefeitura, é comum que as pessoas usem as ruas durante a semana carnavalesca.

‘’O mau cheiro é muito forte, além de ser falta de educação, isso prejudica a visibilidade do sítio histórico. A ação não é mais restrita a muros e esquinas das ruas, mas compreende também a bica dos Quatro Cantos, que é utilizada pelos foliões para tomar banho e fazer suas necessidades’’, explicou.

Para facilitar a vida do folião, o aplicativo Piriri App, disponível para iOS e Android, localiza os banheiros mais próximos no raio de até 2 quilômetros e ainda permite que o usuário deixe sua avaliação registrada na platafarma para referência de outros foliões que possam precisar das dicas.
Aplicativo localiza os banheiros mais próximos no raio de até dois quilômetros
O aplicativo, traz um sistema ilustrativo simples, mas bastante útil que segue cores de acordo com o nível de necessidade da pessoa, utilizando a cor verde para ‘’tranquilo’’, verde claro para ‘’dá para segurar’’, amarelo para ‘’mais ou menos’’,  laranja para ‘’apertou mesmo’’ e vermelho para ‘’melhor correr’’. 

Depois de selecionado o estado, basta clicar em ‘’adicionar banheiro’’ para localizar o mais próximo. Os usuários também podem indicar se os banheiros são para deficientes físicos ou se são pagos, por exemplo.
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