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Presas buscam no trabalho um alívio para a rotina

Publicado: 05/01/2015 às 21:11

Pátio do presídio feminino em Abreu e Lima é conhecido como "Praia de Muro Alto"/

Pátio do presídio feminino em Abreu e Lima é conhecido como "Praia de Muro Alto"()

Onela Mendez Reiter tem 29 anos e há quase dois anos está presa. A venezuelana, que trabalhava como secretária em seu país, aceitou a proposta de um conhecido para viajar com drogas para a Europa. Foi presa pela Polícia Federal ao passar pelo Recife.

[SAIBAMAIS]A promessa de receber mais de R$ 20 mil atraiu Onela e o companheiro para o negócio de risco. Mãe de dois filhos de 12 e 7 anos, a venezuelana hoje segue uma rotina de trabalho por trás das grades da Colônia Penal Feminina de Abreu e Lima. Na prisão, além de aprender a falar a língua portuguesa, Onela decidiu colocar a mão na massa. Trabalha na padaria da unidade prisional e reduz um dia da pena a cada três trabalhados.

“Quando eu sair daqui quero voltar para Venezuela e cuidar dos meus filhos. Na cadeia aprendi a fazer pão e estou gostando do trabalho que faço. Será uma oportunidade para eu arrumar um novo emprego lá fora”, disse.

O companheiro de Onela cumpre pena no Cotel. Quando não está trabalhando, ela  passa o restante do dia na cela e algumas poucas vezes vai à área onde as presas tomam banho de sol, chamada de “praia de Muro Alto” por causa das paredes de proteção.

Na mesma unidade prisional, a nigeriana Temitope Oluwatobiloba Bolaji, 32, cumpre pena desde setembro de 2011. Condenada a três anos de prisão por tráfico internacional, ela trabalha hoje no setor de limpeza da unidade e sonha em deixar o Brasil quando estiver livre.

“Fui presa com oito meses de gravidez. A cocaína estava escondida em pirulitos na minha bagagem. Agora, estou trabalhando aqui na prisão. Quando sair da cadeia quero ir para Nova York e arrumar um emprego”, desabafa.
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