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Divulgação de arquivos

Médico vai acionar polícia em caso de suspeita de fraude em prova de residência

Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos será acionada por candidato

Publicado: 20/01/2015 às 14:28

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Patrícia Galdino fez a prova e desconfia do processo seletivo. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A PressO médico Luciano Moreira, 30, informou que deve acionar, nesta quinta-feira (22), a Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos para que a suspeita de fraude na prova de residência médica da Secretaria Estadual de Saúde seja apurada. O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) já está investigando o possível vazamento de arquivos que pode ter beneficiado candidatos do concurso.

Nesta terça-feira (20), o Instituto de Apoio à Fundação Universidade de Pernambuco (Iaupe/UPENet) respondeu formalmente à Secretaria Estadual de Saúde sobre a polêmica. "Esclarecemos que os arquivos só foram liberados após a realização das provas, depois das 15h. Os arquivos podem ter datas anteriores, mas não estavam disponíveis na internet", afirmou Aldo Branco, membro do Iaupe.

Entenda o caso:

Uma suspeita de fraude do concurso de residência médica da Secretaria Estadual de Saúde, com vagas para o Sistema Único de Saúde e Hospital das Clínicas da UFPE, está sendo apurada pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe). A denúncia foi feita por médicos que participaram das provas, nesse domingo (18). Os candidatos receberam um vídeo onde um autor anônimo revelando possível erro no sistema do site UPENet, que disponibiliza as provas e gabaritos.  A falha pode ter permitido que concorrentes tivessem acesso às perguntas e respostas um dia antes da realização do processo seletivo.

As provas aconteceram das 8h20 às 12h20 do domingo. À noite, os candidatos tentaram acessar o gabarito disponibilizado na página do concurso no site da comissão organizadora. Ao clicar no link, porém, aparecia uma mensagem informando que a página não havia sido encontrada. O problema permaneceu até as 16h de ontem. Um vídeo mostrando que as respostas já podiam ter sido acessadas desde o dia anterior ao concurso, por meio de atalhos na página, chegou ao grupo de médicos pelo WhatsApp ainda na noite do domingo. “Pelas vias normais, o arquivo não aparece, mas, usando atalhos, surge o documento”, explicou o médico Luciano Moreira, 30 anos, que fez prova para otorrinolaringologia por acesso direto.

Acessando a pasta por atalhos, é possível ver que a data de modificação do arquivo foi 17 de janeiro, às 12h51, um dia antes da aplicação das provas. Além do gabarito, provas também estariam disponíveis dias antes do exame. O caderno de questões denominado GR 1 - Áreas Básicas aparece datada de dia 13 de janeiro, às 8h22. “Fizemos a prova tranquilamente, mas fomos supreendidos com esse vídeo, que questiona a credibilidade do concurso”, disse a médica Patrícia Galdino, 30 anos. “Na hora da aplicação da prova, não desconfiei de nada, apesar de não ter segurança nessa comissão de concursos. Depois do vídeo, surgiram outras denúncias, como a de uma médica que afirmou ter visto uma pessoa com celular no banheiro”, criticou Luciano. 

Vazamentos de arquivos na internet podem ser causados por vários fatores. O mais difícil de combater, de acordo com o professor do Centro de Informática (CIn) da UFPE Rui Queiroz, é o proposital, feito por alguém que conhece o sistema. “O vazamento interno é o mais difícil de identificar. Além dele, há causas externas que podem ocasionar a liberação involuntária dos arquivos, como senha fácil, erro de programação ou falhas no navegador”, esclareceu. 
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