Desafio ONG com projeto no Nordeste ganha investimento do Google Transparência Brasil vai atuar no monitoramento de obras de escolas e creches que estão paradas na região

Por: Mariana Fabrício - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/06/2016 20:00 Atualizado em: 14/06/2016 20:16

Vencedores do programa Desafio de Impacto Social, que seleciona organizações para receberem mentoria e investimento. Foto: Mariana Fabrício/DP
Vencedores do programa Desafio de Impacto Social, que seleciona organizações para receberem mentoria e investimento. Foto: Mariana Fabrício/DP
Com o projeto "Cadê minha escola?" a ONG Transparência Brasil foi uma das cinco selecionadas para ganhar 1,5 milhão de reais do Google. Como parte do programa Desafio de Impacto Social, que seleciona organizações para receberem mentoria e investimento, a ONG foi a única escolhida por voto popular entre outras dez finalistas das cinco regiões do país. O resultado foi divulgado em evento que aconteceu nesta terça-feira em São Paulo, no escritório da gigante norte-americana.

Como selecionada da região Nordeste, a Transparência Brasil pretende monitorar as obras de escolas públicas que estão em atraso no Brasil. Segundo dados da instituição, 41% do repasse total de verbas que o Governo Federal emprega para as escolas são destinados para o NE, que receberá maior destaque da plataforma de fiscalização. A ideia é monitorar o andamento dessas construções para avaliar qual maior impasse que retarda a entrega.

"Por enquanto nós conseguimos identificar a causa do atraso em 10 mil obras. Cerca de 20% delas estão em municípios do Nordeste. Então com esse investimento vamos continuar a monitorar, consolidar o empreendimento e poder gerar relatórios para entregar e sugerir propostas para o poder público", conta o diretor da ONG, Manoel Galdino. A ideia é que a própria população possa colaborar com reclamações, fotos e relatos das escolas e creches que ainda não saíram do papel. "Essa fiscalização vai ajudar a monitorar efetivamente as verbas públicas com a colaboração de cidadãos", conta a coordenadora de pesquisa da Transparência Brasil, Juliana Sakai. O objetivo é que em quatro anos a quantidade de obras entregues no prazo aumente e o tempo médio de atraso seja reduzido.

O alagoense Manoel Galdino, que atua como diretor da ONG Transparência Brasil, uma das vencedoras do prêmio Desafio de Impacto Social. Foto: Mariana Fabrício/DP
O alagoense Manoel Galdino, que atua como diretor da ONG Transparência Brasil, uma das vencedoras do prêmio Desafio de Impacto Social. Foto: Mariana Fabrício/DP
Outras cinco organizações foram selecionadas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte. Duas delas envolvem 'política', segundo tema mais sugerido na seleção do Desafio, depois de 'meio ambiente'. "Não considero que tenha sido uma surpresa diante da situação política do Brasil. A gente vê muitos empreendedores se voltando para a consulta pública, gente ocupada com a causa governamental. Outro destaque foi a quantidade de votos que recebemos. Nunca tivemos um movimento de votação popular tão grande. Foi o maior número de votos que já tivemos em treze edições desse evento pelo mundo. Foram mais de 1 milhão de votos e o ganhador foi o de transparência na verba pública. Ou seja, o interesse das pessoas amadureceu e agora há o desejo de saber qual o resultado do dinheiro que está sendo investido", comenta a diretora do Google.org, Jacquelline Fuller.

Também receberam 1,5 milhão o projeto Vetor Brasil, portal para conectar jovens a cargos públicos; Arredondar, com uma solução para transformar toda compra em uma oportunidade de doação para ONGs; e o Mudamos.org, também com uma plataforma que será utilizada para empoderar cidadãos no debate e na criação de políticas públicas. Como exceção à premiação inicial, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), recebeu o incentivo ficando como o quinto colocado.

Outros cinco finalistas receberam um prêmio de R$ 350 mil para tocar as ideias sugeridas. Na seleção, foram avaliados viabilidade, tecnologia e o impacto causado na comunidade. Participaram da bancada julgadora a atriz e apresentadora Regina Casé, o CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, a representante do povo indígena Paiter Suruí, Walela e a artista plástica brasileira, Adriana Varejão, que na oportunidade criticou a falta de iniciativas artísticas. "Em um momento em que a cultura está ficando de lado no país, não pude deixar de sentir falta de ONGs com iniciativas culturais", pontuou.

Segundo a diretora do Google.org, o número de inscritos ultrapassou a expectativa do programa, realizado pela segunda vez no país. "O resultado foi surpreendente. As inscrições cresceram 40%, provando que as soluções baseadas em tecnologia estão sendo desenvolvidas em todo lugar para combater de maneira inovadora uma grande variedade de problemas", explicou Jacquelline.

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