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Notícia de TECNOLOGIA
Maps Google inclui favelas do Rio de Janeiro no serviço de mapas Mais de 20 comunidades já foram indicadas apenas no Rio de Janeiro. O projeto deve alcançar outros estados do país

Por: Mariana Fabrício - Diario de Pernambuco

Publicado em: 29/06/2016 14:45 Atualizado em: 29/06/2016 14:58

Dono de bar no Morro Chapéu Mangueira, Davi Bispo acredita que o novo serviço vai fortalecer o comércio na região. Foto: Mariana Fabrício/DP
Dono de bar no Morro Chapéu Mangueira, Davi Bispo acredita que o novo serviço vai fortalecer o comércio na região. Foto: Mariana Fabrício/DP

Rio de Janeiro - Uma em cada cinco pessoas moram em uma favela no Rio de Janeiro. Apesar de populosas e com comércio intenso, muitas ruas e vielas das comunidades não são identificadas formalmente pela Prefeitura. Sem CEP, serviços públicos escassos, a maioria desses espaços aparecem no mapa apenas como uma área cinzenta. Com a aproximação das Olimpíadas, o Google lançou o projeto 'Tá no Mapa', que começou a cartografar as comunidades Brasil a fora.

"Existe um muro que divide o asfalto e o morro. E essa divisão é percebida também nos produtos do Google. Ao tentar entrar em uma favela com o Maps ele te 'empurra' para fora porque essa barreira é real. Nosso objetivo é justamente que isso deixe de existir", explica o gerente do projeto "Tá no Mapa", Luiz Guilherme Brandão. No início de 2014 a favela da Rocinha, onde habitam cerca de 300 mil pessoas, não tinha nenhuma representação cartográfica. Com trabalho de empoderamento dos próprios moradores, a companhia utiliza a tecnologia com os jovens das comunidades que ganham ajuda de custo.

O processo acontece pelo smartphone através de uma ferramenta de edição no Google Maps e depois passa por um comitê de aprovação e revisão. As alterações entram no ar até 48 horas depois. Desta forma, os cartógrafos digitais identificam as ruas com o nome popular, já que muitas não estão cadastradas pelo poder público. A principal base de informações utilizada são as colagens feitas por associações de moradores. Os ciclos de mapeamento duram três meses entre acompanhamento, visitas e atualização dentro dos escritórios.

Os treinamentos começaram há dois anos em parceria com a ONG Afroreggae, grupo que atua com projetos culturais nas favelas. Durante esse tempo, 26 comunidades do Rio de Janeiro já foram mapeadas. A maioria localizada próximo dos pontos que receberão os jogos olímpicos.

Até o momento foram envolvidos mais de 100 mapeadores. O objetivo é que até o final desse ano a cobertura já tenha passado dos 10% e a meta expandir para outros estados. "Esses mapeadores adquirem conhecimento não só em cartografia, como em produtos do Google e se capacitam para conseguirem empregos ao final. Alguns se tornaram atletas, professores, criaram ONGs", informa o Brandão.

Barreiras
A cada entrada em uma nova favela é formado um grupo novo de cartógrafos digitais. Um dos principais fatores que complicam o acesso da companhia é a violência. Por três vezes o Google tentou começar a representação gráfica no Morro da Providência, localizada na Gambôa, e não teve sucesso. De acordo com Brandão, um dos principais critérios para uma comunidade receber o 'Tá no Mapa' é a presença das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), que serve de ponto de apoio às equipes. Foram priorizadas as favelas com maior número de moradores, entre elas Rocinha e Vidigal. Outro critério utilizado é a concentração do comércio, que na maior parte das vezes funciona de forma independente do Centro da cidade e alguns exemplos são referências nacionais.

"Além das pessoas, histórias, cultura, música e dança presentes por aqui, vários negócios estão se fortalecendo. Desde que a gente começou já encontramos 3 mil pequenas empresas e o que a gente faz é proporcionar desenvolvimento econômico com a projeção a esses estabelecimentos", conta.

Um desses pontos que nasceram na favela e ganharam conhecimento nacional é o Bar do Davi, localizado no bairro do Leme, no Morro Chapéu Mangueira. "A gente costuma dizer que comércio na favela é birosca e eu tenho uma que é conhecida em alguns cantos do mundo. Hoje fortalecemos o comércio aqui e se formou um verdadeiro polo da gastronomia", conta o proprietário do bar, Davi Bispo, que está concorrendo ao prêmio Comida Di Buteco.

O estabelecimento funciona desde 2010 e concorre com um prato de frutos do mar. Para Davi, o mais importante é manter a capacidade de ouvir o cliente. "Tem gente que apresenta tanta coisa boa por aqui, que é uma opção de renda e não tem reconhecimento. Esse ano fui contemplado com a participação nesse concurso. Estar representando minha favela é motivo de orgulho porque significa o prosseguimento de uma história de muita luta", comemora.

* A repórter viajou a convite do Google

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