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Notícia de Política

PRONUNCIAMENTO

Bolsonaro retoma discurso negacionista e faz pronunciamento eleitoreiro

Publicado em: 01/01/2022 10:44

 (Foto: Secom/PR)
Foto: Secom/PR
Em seu último pronunciamento neste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um discurso visivelmente voltado para as eleições de 2022. Derrotado em todos os cenários pelo ex-presidente Lula (PT) nos principais levantamentos feitos para o próximo ano, ele fez uma espécie de balanço das ações do governo federal desde 2019, mas não hesitou em culpar prefeitos e governadores pelo fiasco do combate à pandemia sob sua gestão durante grande parte do ano de 2021.

Em um discurso negacionista, o político criticou o fechamento de comércios para tentar conter a pandemia que matou quase 620 mil brasileiros desde o início da pandemia. "Nessa batalha, o governo federal dispensou recursos bilionários para que estados e municípios se preparassem para enfrentar a pandemia. Com a política de muitos governadores e prefeitos de fechar comércios, decretar lockdown e toques de recolher, a quebradeira econômica só não se tornou uma realidade porque nós criamos o Pronampe e o BEm, programas para socorrer as pequenas e médias empresas, bem como fomentar acordos entre empregadores e trabalhadores para se evitar demissões”, disse.

Ele também falou contra o passaporte vacinal, que garante que ambientes sejam frequentados apenas por aqueles que estão imunizados, diminuindo as chances de infectar outras pessoas e espalhar o vírus. “Não apoiamos o passaporte vacinal nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar”, pontuou.

O chefe do Executivo, que chegou a dizer que não compraria vacinas e defendeu o tratamento com medicamentos ineficazes contra a Covid-19 até recentemente, afirmou que o Brasil "foi um exemplo para o mundo" quando o assunto é vacinação. "Encerramos o ano de 2021 com 380 milhões de doses de vacinas distribuídas à população. Todas adquiridas pelo nosso governo. Lembro que em 2020 não existia vacina disponível no mercado e a primeira pessoa vacinada foi no Reino Unido, em dezembro. Todos os adultos que assim desejaram foram vacinados no Brasil”, disse.

No início do ano, porém, a CPI da Covid no Senado Federal revelou que o governo poderia ter comprado vacinas mais cedo, se não tivesse ignorado tentativas de contato de farmacêuticas como a Pfizer, que já no ano passado, ofereceu imunizantes ao governo brasileiro.

Bolsonaro voltou a criticar a possibilidade de vacinação de crianças entre 5 e 11 anos, mesmo após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da vacina da Pfizer para este fim. “Também, como anunciado pelo Ministro da Saúde, defendemos que as vacinas para as crianças entre cinco e 11 anos seja aplicada somente com o consentimento dos pais e prescrição médica. A liberdade tem que ser respeitada”, disse ele.

Alfinetada
O presidente da República também usou seu tempo para alfinetar o ex-presidente Lula, seu principal adversário para 2022, ao afirmar que o Auxílio Brasil é um programa “melhor e mais abrangente que o antigo Bolsa Família”. Ele disse que o governo “mostrou sua identidade ao socorrer os mais humildes que tinham sido abandonados pelos que mandavam fechar tudo” através do Auxílio Emergencial.

O presidente também citou a conclusão das obras da transposição do Rio São Francisco (que foi iniciada no governo petista) como se ele fosse o principal responsável pela iniciativa que levou água a 12 milhões de nordestinos. “A transposição do Rio São Francisco, finalmente, já é uma realidade”, afirmou.

Bahia
Depois de falar de assuntos diversos, o presidente citou a Bahia e o norte de Minas Gerais, locais que sofrem fortemente com enchentes e onde o número de desabrigados já chega a 91 mil. Pelo menos 24 pessoas já morreram.

"Lembro agora dos nossos irmãos da Bahia e do norte de Minas Gerais, que nesse momento estão sofrendo os efeitos de fortes chuvas na região. Desde o primeiro momento, determinei que os ministros João Roma e Rogério Marinho prestassem total apoio aos moradores desses mais de 70 municípios atingidos", disse ele, já no fim de seu pronunciamento.

Confira o pronunciamento na íntegra:

Boa noite. Hoje nos preparamos para o início de um novo ano. O bicentenário de nossa independência. Quis Deus que eu ocupasse a presidência em 2019 e assumi um Brasil com sérios problemas morais, éticos e econômicos.

Formamos um ministério com pessoas capazes para enfrentar todos os desafios. Ao longo do tempo, alguns nos deixaram por livre e espontânea vontade. Outros foram substituídos por não se adequarem aos propósitos da maioria que me elegeu.

Em 2019 aprovamos a lei da liberdade econômica, simplificamos as normas regulamentadoras, começamos novas obras e concluímos muitas outras inacabadas. Fizemos ressurgir o modal ferroviário, levamos tranquilidade ao campo, flexibilizamos a posse e o porte de arma de fogo para o cidadão e passamos a investir no Brasil, e não mais no exterior com obras bilionárias financiadas pelo BNDES.

Completamos três anos de governo sem corrupção. Já concluímos, com menor custo, centenas de obras paradas há vários anos. A transposição do Rio São Francisco, finalmente, já é uma realidade. E estamos levando mais água para o Nordeste.

Somente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte foram beneficiados 12 milhões de brasileiros em 390 municípios. Já entregamos mais de 1,2 milhão de moradias do programa Casa Verde e Amarela nas três faixas.

Em 2020, lamentavelmente, surgiu a pandemia, onde mortes se fizeram presentes no mundo todo. Nessa batalha, o governo federal dispensou recursos bilionários para que estados e municípios se preparassem para enfrentar a pandemia.

Com a política de muitos governadores e prefeitos de fechar comércios, decretar lockdown e toques de recolher, a quebradeira econômica só não se tornou uma realidade porque nós criamos o Pronampe e o BEm, programas para socorrer as pequenas e médias empresas, bem como fomentar acordos entre empregadores e trabalhadores para se evitar demissões. Com isso, mais de 11 milhões de empregos foram preservados.

Para aqueles que perderam sua renda, criamos o Auxílio Emergencial, onde 68 milhões de pessoas se beneficiaram. O total pago em 2020 equivale a mais de 13 anos de gastos com o antigo Bolsa Família. Mostramos nossa identidade ao socorrer os mais humildes, que tinham sido abandonados pelos que mandavam fechar tudo.

Encerramos o ano de 2021 com 380 milhões de doses de vacinas distribuídas à população. Todas adquiridas pelo nosso governo. Lembro que em 2020 não existia vacina disponível no mercado e a primeira pessoa vacinada foi no Reino Unido, em dezembro. Todos os adultos que assim desejaram foram vacinados no Brasil. Fomos um exemplo para o mundo.

Não apoiamos o passaporte vacinal nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar. Também, como anunciado pelo Ministro da Saúde, defendemos que as vacinas para as crianças entre cinco e 11 anos seja aplicada somente com o consentimento dos pais e prescrição médica. A liberdade tem que ser respeitada.

Desde o início da pandemia, falei que deveríamos combater o vírus, cuidar dos idosos e dos com comorbidades e preservar a renda e o emprego dos trabalhadores. Estamos concluindo 2021 com um saldo de 3 milhões de novos empregos e saldo também positivo de 5 milhões de empresas abertas, interrompendo uma série de meia década com saldos negativos.

Adentraremos 2022 com a esperança de que tudo volte à normalidade. Já são mais de R$ 800 bilhões contratados pela iniciativa privada, que vão gerar milhões de novos postos de trabalho somente nas áreas de infraestrutura. Isso é uma prova de que reconquistamos a confiança dos investidores, brasileiros e estrangeiros, o que possibilitará, também, a redução da inflação, consequência da equivocada política do ‘fique em casa, a economia a gente vê depois’.

Já começamos a pagar o Auxílio Brasil com valor mínimo de R$ 400,00. Programa melhor e mais abrangente que o antigo Bolsa Família, onde a média era de apenas R$ 190. O Auxílio Brasil vai ajudar 17 milhões de famílias mais necessitadas a superar suas dificuldades econômicas e sociais agravadas pela pandemia.

Lembro agora dos nossos irmãos da Bahia e do norte de Minas Gerais, que nesse momento estão sofrendo os efeitos de fortes chuvas na região. Desde o primeiro momento, determinei que os ministros João Roma e Rogério Marinho prestassem total apoio aos moradores desses mais de 70 municípios atingidos. Hoje temos um governo que acredita em Deus, respeita seus militares, defende a família e deve lealdade ao seu povo.

Um excelente 2022 a todos. Que Deus nos abençoe.
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