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Deputado sobre pacto de R$ 1,1 bi da Cemig: 'Guarda-chuva de terceirização'

Publicado em: 08/11/2021 19:53

Sávio Souza Cruz, relator da CPI que investiga a administração da estatal, fez questionamentos sobre contrato que envolve serviço de call center (Cemig/Divulgação)
Sávio Souza Cruz, relator da CPI que investiga a administração da estatal, fez questionamentos sobre contrato que envolve serviço de call center (Cemig/Divulgação)

 

 

As circunstâncias de um contrato de R$ 1,1 bilhão que envolve a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e duas empresas de tecnologia continuam a intrigar deputados estaduais. Nesta segunda-feira (8/11), os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a gestão da estatal tomaram o depoimento de Antônio Guilherme Noronha Luz, um dos fundadores da AeC, que presta serviços de call center, e é uma das pontas do convênio. A companhia foi sublocada pela IBM, multinacional do setor, que "terceirizou" o atendimento telefônico.

 

A AeC, de longa trajetória na companhia de luz, perdeu, em 2020, uma licitação vencida pela Audac. O pregão contemplava o controle do setor responsável pelas ligações dos consumidores. Pouco tempo depois, porém, o resultado da concorrência foi deixado de lado, e a IBM acabou chamada para assumir um contrato de escopo maior - que contempla o call center. A tarefa, então, foi repassada à AeC.

 

A situação foi alvo de críticas do deputado estadual Sávio Souza Cruz (MDB), relator da CPI da Cemig.

 

"Já tinha visto que ganhou e não levou, mas perdeu e levou foi inaugurado pela AeC no contrato com a Cemig, agora com intermediação da IBM, que se prestou ao papel de ser guarda-chuva de terceirização onde pode se pendurar qualquer coisa", disse ele.

 

O imbróglio gerou a insatisfação da Audac, que acionou a Justiça em busca de ressarcimento financeiro. "Ela (a Audac) simplesmente recebeu a notícia: 'licitamos, assinamos o contrato, mas não queremos mais'", criticou Sávio. 

 

Além de Noronha Luz, a AeC foi fundada por Cássio Azevedo, que compôs o secretariado do governador Romeu Zema (Novo). Ele morreu neste ano, em virtude de um câncer. O depoente desta segunda-feira defendeu a sua empresa e afirmou que o acordo para controlar o call center foi firmado junto à IBM, sem qualquer participação da estatal energética.

 

Segundo Noronha Luz, o convênio não é totalmente favorável à AeC. "O contrato da IBM mata o meu trabalho. O contrato da IBM é o atendimento humano, indo para a robotização. Meu negócio é atendimento humano. Tenho 35 mil funcionários", falou.

 

O sócio da AeC contou, ainda, não ter participado de Processo de Manifestação de Interesse (PMI) para ter o serviço telefônico. Para o sub-relator da CPI, Professor Cleiton (PSB), a declaração dá indícios de direcionamento.

 

"Ele esclareceu que não houve publicidade. Se não houve publicidade, consequentemente há um contrato totalmente direcionado à IBM".

 

Os parlamentares se programaram para interrogar, hoje, dois dos sete executivos da AeC chamados para testemunhar. A empresa, no entanto, entrou em contato pedindo para que a programação fosse mudada. A ideia de enviar Noronha Luz passava por disponibilizar, aos deputados, alguém com real capacidade de prestar informações sobre o convênio.

 

Em nota enviada ao Estado de Minas , a Cemig reforçou que não tem vínculo direto com a AeC. Segundo a companhia, a assinatura de contrato de amplo escopo de tecnologia com a IBM vai proporcionar economia de R$ 500 milhões em dez anos. A IBM também foi procurada, mas ainda não se manifestou. Se o fizer, este texto será atualizado.

 

Doações ao Novo são questionadas

 

Sávio Souza Cruz questionou Antônio Noronha Luz sobre doações eleitorais feitas por ele em 2018. Ele enviou R$ 50 mil à direção do Partido Novo e outros R$ 5 mil à campanha de Zema ao Palácio Tiradentes. Cássio Azevedo fez depósitos nas mesmas cifras.

 

O governista Zé Guilherme (PP) defendeu a AeC e minimizou as doações. "Ele doou para o PSDB, para o PT e para todos os partidos que ganharam o governo de Minas".

 

Nos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as doações feitas por Noronha Luz e Cássio Azevedo no pleito de três anos atrás, há repasses direcionados a outros candidatos. 

 

Citado recorrentemente por deputados nesta segunda, o Novo foi acionado por meio de seu diretório estadual. A representação da legenda optou por não comentar o tema neste momento.

 

O que diz a Cemig sobre as relações com AeC e IBM:

 

A Cemig esclarece que não possui contrato com a AeC. Isso ocorreu até fevereiro deste ano, quando 14 fornecedores distintos ainda prestavam serviços de atendimento ao cliente à Cemig e cuidavam de diferentes canais (call center, Whatsapp, site, agências físicas, totens e etc.).A AeC era responsável apenas pelo call center.


Atualmente, o atendimento na Cemig é feito por meio do Projeto Cliente , que tem como escopo a integração de todos os canais de atendimento em uma única plataforma (omnichannel), com o uso de inteligência artificial para um atendimento rápido e fácil.A IBM é a parceira estratégica da Cemig nesse projeto.


O Projeto Cliente remunera por resolução no atendimento, não por tempo de atendimento. Isso beneficia os clientes e reduz custos. Na parceria com a IBM, é prevista uma economia de cerca de R$ 500 milhões em 10 anos. O programa estará completamente implantado em breve. 

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