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Notícia de Política

CPI

Covas afirma que negociação foi interrompida em outubro após fala de Bolsonaro

Publicado em: 27/05/2021 15:38

 (crédito: Edilson Rodrigues
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crédito: Edilson Rodrigues
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, no Senado, nesta quarta-feira (27), que as negociações com o Ministério da Saúde foram interrompidas após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que a vacina não seria adquirida. As negociações só foram retomadas em janeiro, quando o contrato foi assinado em meio a pressões políticas.

Na época, em outubro, o Ministério da Saúde chegou a anunciar a assinatura de um contrato de intenção de compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, produzida pelo Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. O presidente, entretanto, desautorizou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello publicamente.

Primeiro, pelas redes sociais, no dia 21 de outubro. Depois, no mesmo dia, afirmou: “Já mandei cancelar. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade. Até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessada por ela, a não ser nós”. No dia seguinte, em meio a discussões sobre descompasso entre ele e o ex-ministro, Bolsonaro gravou um vídeo ao lado de Pazuello. Na gravação, o general soltou a frase “Um manda, o outro obedece”, se referindo sobre sua relação com o presidente no imbróglio da compra de vacina.

"Vacina do Brasil"
 
Na CPI, Covas deu todo o histórico da situação. De acordo com ele, em 20 de outubro, ele foi convidado pelo então ministro Eduardo Pazuello a comparecer a uma reunião em que foi anunciado que a CoronaVac "seria a vacina do Brasil". "Havia a presença de vários governadores e parlamentares. Saímos satisfeitos com a evolução e achávamos que, de fato, tínhamos resolvido parte do problema", contextualizou o diretor.

Porém, no dia seguinte, "houve uma manifestação do presidente da República dizendo que a vacina não seria incorporada". Na época, em outubro, o instituto estava oferecendo ao governo 100 milhões de doses que seriam entregues até maio. Antes, havia feito outras duas ofertas ao Ministério da Saúde de 60 milhões de doses a serem entregues até dezembro de 2020, mas que não foram aceitas pelo governo federal. Em sua fala, Covas lembrou que o contrato com a AstraZeneca foi firmado pelo governo em agosto.

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